Visitar 1000 casas é como conhecer 1000 pessoas, mesmo que vc sequer troque uma palavra com cada uma delas. A casa é uma extensão viva do nosso corpo, de como nos colocamos em relação ao mundo. Por exemplo, como no corpo, “faz mal” deixar em casa coisas sem vida, quebradas e antigas.
Sempre fui curiosa e gostei de saber como são os lugares que as pessoas vivem: suas casas, quartos, escritórios. Alguns são como cenários para se viver: tudo lindo, cada coisa em seu lugar, direto para a capa de uma revista qualquer. Outras são a cara do dono, tem vida e energia próprias. Como arquiteta sempre gostei mais do “caos organizado”, de deixar que a casa se renove com o passar do tempo e da experiência, mais do que por uma coisa no lugar certo. Qual o lugar certo?
Cores, objetos, configuração dos espaços, escolhas estéticas ou a falta de tudo isso quer dizer alguma coisa. Aliás, muitas coisas.
No contexto grande dirceu, isso significa falar de arquitetura orgânica, que surge da necessidade, da família que cresce, do terreno ocupado, do sonho da lage e da casa própria, do aumento de renda para aumentar mais um cômodo na casa. É uma arquitetura que acontece de dentro para fora, a função vem primeiro, a forma depois, em segundo plano. É porque precisamos de mais um quarto e não porque queremos mexer no volume da nossa casa. Tenho vontade de pesquisar como vivem estas pessoas, fazer um levantamento estético (e afetivo) destas várias casas. A relação que temos com a cidade, o lugar que vivemos é sempre uma relação de afeto, que afeta a gente de várias formas. Se não há afetação, mudamos de lugar.
Como já diz a presidente Dilma, minha casa minha vida. A medida que espaços são repensados, valores também são.
Arquitetura dá ou tira a privacidade, dá ou tira qualidade de vida, dá e tira possibilidades.
É impressionante como mudanças espaciais, mesmo que pequenas e aparentemente sem importância mudam nosso cotidiano numa dimensão muito maior.
O corpo como nossa arquitetura primeira, e a casa como extensão deste. O corpo é a referência da arquitetura. É para a gente mesmo que construímos os móveis, as praças… e é por causa dele que tenho vontade de entender mais das cidades, seus desenhos e suas casas.
dica de exepriência: coloquem no google “bairro dirceu arcoverde” e façam uma busca de fotos. é bem forte.
9 de fevereiro de 2011 em 0:31
Que texto bonito Jana.
Arquitetura orgânica.Num sei bem o que é, mas imagino e vou longe com isso.
12 de fevereiro de 2011 em 21:30
lindo texto
13 de fevereiro de 2011 em 1:39
valeu, meninos!!
tem muita coisa pra pensar e voltar pra arquitetura.
saudades de vocês!
16 de fevereiro de 2011 em 1:05
Jana, seu assunto me instiga…
Vai ser muito boa a sua chegada pra gente pensar sobre essas coisas junto!
Andam rondando duas sementes de idéia na minha cabeça que tem bastante a ver com arquitetura, vou jogar aqui…
1) Como seria redesenhar uma casa (talvez realmente em desenhos no papel, não sei) a partir da percepção das crianças? Peso que as crianças são em geral as vozes menos ouvidas de uma casa e sua visão sobre as coisas geralmente não é muito considerada. Sempre pirei em como a arquitetura é pensada para o mundo dos adultos, com suas janelas altas, móveis inacessíveis, esse tipo de coisa…Acho que a desproporção, a visão das crianças sobre as coisas sempre me interessou muito como artista.
2) Como seria redefinir as plantas da casa apartir do uso delas. Redesenhar tudo feito dogvill pela casa e deixar uma semana… não sei… A partir das paredes e janelas que precisarm ser abertas, dos lugares que precisam ser ampliados e das seperações que na planta não existem, mas que emocionalmente existem em uma casa….
Quero muito levar esses papos com vc!
Saudade
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