1000 |diferentes| casas

Por: às 29/01/2011 00:51:13

o projeto 1000 casas vem sendo pensado a muito tempo. Surgiu da necessidade de conhecer o lugar dirceu e as pessoas daquele lugar. Eu confesso que sentia o desejo de ser convidado pelas pessoas para ir as suas casas, um habito que na europa significa mais do que uma visita corriqueira, vem a significar um licensiamento, uma atribuicao de direito sobre certa privacidade, o acesso permitido a uma pessoalidade.

Essa linha entre o privado e o publico, entre as diferentes perspectivas do que seja publico e privado, vem sendo destrinchado pela arte ja faz muito tempo. Comecei a pensar em como deslocar o espaco cenico do palco do entao teatro onde eu era “foncionario”, para a casa das pessoas, no sentido de estabelecer algo mais palpável que pudesse me orientar na busca por um contato mais direto com elas atraves do meu trabalho.

Entao a logica nao era a principio a de teatro a domicilio e nem a de site-specific. seria um corte mais delineado (me referindo a corte de carne) nessa relacao artista >< espectador, quase como se o convivio viesse a produzir um certo tipo de performatividade, uma condicao performatica especifica gerada ali com e durante a acao e que poderia vir a ser traduzida, recontextualizada, e articulada tambem em outros ambitos.

Apesar de pensar no estranhamento e no impacto que tal acao poderia causar no cidadao recebendo isso em sua casa, eu me interessei sempre pelo impacto que isso iria causar no artista criador e/ou performador, e como esse usaria a sua “caixa de ferramentas” e seu “sistema de percepcao” nessa nova condicao de criacao e performance.

|1| Como o artista poderia transitar nessa zona fronteirica, constantemente adequando o corpo e a acao a um outro contexto performatico?

|2| Como as acoes seriam concebidas e desenvolvidas sem um conhecimento previo do lugar performatico?

|3|O que se pode produzir e oferecer como questao artistica na sala, cozinha ou quintal da casa de uma familia?

|4| Como se pode exercitar uma condicao performatica desvinculada de padroes de representacao e/ou execucao e deslocada do seu lugar-comum, mas que ainda opere como performatividade?

O projeto 1000 casas propoem um esquadrinhamento dessa fronteira Publico |X| Privado pela acao de convivio direto: como um embate, um corpo a corpo, um assalto, um furacao, um vento que possa sacudir a poeira, mudar os moveis de lugar e quem sabe ativar de novo o possivel em nos.

+ no debris.



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1 Comentário

  1. wilena disse:
    30 de janeiro de 2011 em 10:20

    marcelo, obrigada pelo texto, é clareador..aí eu me peguei foi no seguinte: eu moro no dirceu a 28 anos 5 meses e 10 dias e não o conheço, não o desfruto, não sei de fato quais suas principais carências e não me refiro a carência que vêmos a olhos nús, mas sim algo mais em baixo..
    e entrar nessas casas vai ser uma tarefa mais difícil do que eu imaginava por se tratar de algo bem próximo fisicamente de mim, porém com uma distância de compartilhamente e troca muito grande..


    Responder

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Uma plataforma entre 17 e 20 artistas de produção e pesquisa em artes perfomáticas que opera dentro de um sistema colaborativo, atuando em diferentes linguagens. Temos o bairro Dirceu Arcoverde, maior periferia de Teresina, Piauí, como campo de interesse e lugar de referência urbana. O projeto tem se voltado principalmente para a criação de mercado e platéia para a arte contemporânea, formação de novos criadores e pesquisa de linguagem.

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Comentários

  • César Costa: Marcelo, concordo contigo quando diz que só o fato de ser artista já não te coloca como medíocre. Se...
  • Danielle: Não dá pra não fazer conexões entre as coisas ditas, ouvidas, feitas, vistas e acontecidas. Acho que não...
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