1001 casas, porque a 1 casa faz toda a diferença ai e talvez possa nos orientar para a particularidade e a especificidade de cada 1 dessas casas entre as 1000. pensando assim nao seriam 1000 casas mas sim 1000 vezes 1 casa, e pensar dessa maneira pode por outras vias nos levar para o terreno das artes da performance, como algo que acontece no tempo-espaco da acao, como um acontecimento factual e efemero, com o sentido gerado ali por si mesmo.
1001 casas como o lugar de uma performatividade proxima, comprometida e intimizada, mas ainda na linha tenue e de frequencia vibrante que e’ a linha entre o artista e o espectador no ato da performance. nesse caso as condicoes sao alteradas, o entorno e o contexto deslocado, o que tambem desloca o corpo, obviamente, mas a friccao talvez seja a mesma, uma especie de camada de percepcao compartilhada que vibra ali, entre emissor e receptor e vice versa.
para o corpo e’ um trabalho de reorganizacao desse pensamento nele mesmo, estabelecer condicoes adequadas para que possa se articular e justamente, propor esse pensamento no corpo como ato de performatividade. nao falo necessariamente de movimento ou danca, ou teatro, ou qualquer outro tipo de legenda que se queira colar ai. performatividade talvez como presenca e acao direta, como modo de agir, de estar, estar de corpo presente. entao se entende o corpo como modificante na situacao, embora isso o leve a ser tambem modificado. a diferenca ai e’ que a experiencia do performer pode ser desenvolvida e expandida como funcao de oficio, transladada para outros contextos de experiencia e compartilhamento.
o corpo traca planos para performar, estabelece principios e regras para funcionar na linha fronteirica do espectador com o objeto de arte. o rigor da arte se instala em uma situacao de abertura amplificada, de diagramacao do espaco fisico e sensorial do lugar. o contato pode ser pegajoso, como metafora para a acao incorporada nesse espaco de tempo potente e elastico. tem se que ter o que dizer. ter o que dizer com o que se faz.