Silêncio ao contrário.
(Título provisório do solo que tô desenvolvendo. Mas também pode ser: descartável, 200ml, corpo-copo)
A idéia do solo veio como resultado das oficinas realizadas em Brasília para a nova edição da Mostra de Intrérpretes-Criadores do Núcleo Alaya Dança. Estou participando desta vez, e por isso tenho ido algumas vezes pra Brasília este ano, nas datas das oficinas, que foram ministradas por Marcelo Evelin, Rosa Hércules, Marcelo Preto e Hugo Rodas. Esta edição, que acontecerá entre os dias 1 a 4 de março de 2007, tem como questão/mote o corpo sonoro.
Como a mostra de solos do Núcleo de Criação vai acontecer ainda este ano (21 a 26 de novembro, Teatro João Paulo II), resolvi começar a trabalhar aqui com este solo, para estrear na mostra e para que em março ele já esteja mais maduro e trabalhado. E também porque fazer um solo é complicado, imagina dois ao mesmo tempo. A idéia é a seguinte: o som como conseqüência do movimento e copos de plástico servindo como “instrumentos” sonoros, objetos de cena e símbolos de consumismo, das relações descartáveis. O plástico, que não é só uma matéria-prima, mas que reflete a modernidade, a sociedade de consumo, as relações descartáveis dos dias de hoje.
O som que se procura, este som “conseqüente”, vem da interação do corpo com os copos descartáveis e com o solo. O corpo que reage ao som produzido por ele próprio. O corpo que se relaciona com o que é descartável, deformável. O “corpo-copo”, que é amassado, deformado e desmontado facilmente. A “música” que surge desta interação, o som dos tempos de hoje, o ruído da contemporaneidade.
Comecei a pesquisar semana passada, muitas dúvidas, muito sofrimento trabalhar sozinha e medo de não conseguir corporalizar tudo isso que tô falando aqui.
::janaína::
31 de outubro de 2006 em 20:51
jana, linda foto. faz todo sentido a ideia, agora eh encontrar o corpo. boa sorte!bj, marcelo.
4 de novembro de 2006 em 16:16
sentido?faz sentido?quais sentidos?
Sabe penso nessa coisa de trabalhar com um objeto, um signo que por si só já te traz implicações, sentidos e associações… logo inevitavelmente ele já faz sozinho um comentário sobre alguma coisa. Sobre o que ele é e pra quê serve. Essa relação corpoXcopo de cara, pra mim, é uma escolha/aposta feliz. Corpo= eu = receptáculo (fora todas as outras que vc mesma aponta). Quando pensei na escolha de um objeto pro meu processo (cama) pensei muito nisso, nas leituras que ele carrega, e como eu poderia num deslocamento gerar outras leituras. É claro que as primeiras experiências e aulinhas de teatro pintaram na minha cabeça:
-O professor diz: “ essa cadeira pode ser o que eu quiser”. Aí fiquei pensando apavorada meu deus será isso? Será que vou cair nisso? Ilustrar de outra forma…..mas nadando na minha ignorância semiótica desconfio que não é por aí.
Mas penso até agora como é que promovo esse deslocamento de sentido, penso até que é o próprio público que faz isso ( a todo instante pode ser sobre o que eu quiser? ou não?) Porque escrever me parece tão fácil, mas estou interessada na produção de respostas que passem por minhas pernas, braços e tronco.
Fico curiosa em ver como a simples manipulação e interação com os tais copinhos pode engendrar em mim esse teu discurso…eu fico é curiosa mesmo. Você deve ficar desesperada né! O bom é que essa relação COPO X SOM X CORPO X ESPAÇO pode, de cara, resultar em imagens/estados intisgantes.Até porque já olhei pela brecha da porta e é bem lindo a sala silencio e tu bem branca e doida no chão experimentando.
Sorte! Jana!beijo!