ESPETÁCULO
de 13 a 16 no Galpão do Núcleo (R-Jaime Fortes, 3228, próx. ao C. Carvalho da Av. das Hortas)
de 18 a 20 no Espaço Trilhos ( Av. Miguel Rosa, s/n, estação ferroiária)
Horário: 20h Ingressos: R$ 4,00 e 2,00
Semana de estréia. Eu (Dani) nessa relação dificíl com a imprenssa , resolvi dissecar mais um trabalho do coletivo. Enquanto eles estão na maratona de apresentações, me responderam por email rapidinho. Confere a entrevista:
> Dentro das reflexões que o processo gerou nos criadores, o que é ser espetacular em ESPETÁCULO?
O processo em colaboração (4 criadores) nos levou a uma constatação: a de que estavámos tentando criar JUNTOS e conseguir ACERTAR o tempo todo. E isso passou a gerar questões. A gente se perguntava: por que não estamos conseguindo fazer juntos? Por que temos 4 espetáculos, 4 materiais e 4 direções distintas? Por que tudo que construímos acaba ruindo? Conversamos sobre até que ponto isso era um reflexo dessa instância de criação (o coletivo) ou mesmo do nosso tempo onde as pessoas, cada vez mais, escolhem estar sozinhas pra conseguir fazer algo ao seu modo. E então começamos a olhar de outra maneira pra essas tentativas. Nos perguntamos se todas as nossas tentativas, não eram na verdade a necessidade de fazer uma obra espetacular e que desse certo. E começamos a conversar sobre essa condição – a de ser bom, de acertar, de nao estar com o outro- a qual todas as pessoas estão submetidas, e nós também.
Mas indo mais na pergunta, do que no histórico, o que seria esse lugar onde se consegue? onde “se dá certo”? o que seria uma obra espetacular? Poderíamos colocar nessa descrição: possuir códigos reconhecíveis do público e por isso ser mais facilmente consumida; comunicar de uma determinada maneira e por isso agradar e vender; pertencer a um determinado circuito ou gênero legitimado; ser algo que entretém e diverte; Então espetacular passou a ser um conceito, uma idéia de tipo de espetáculo que começamos a desconstruir. E a pirâmide é uma metáfora disso.
Durante o ESPETÁCULO pensamos muito em estabelecer com as pessoas uma relação de expectativa, como se a qualquer momento algo extraordinário fosse acontecer. Mas isso não como uma ilustração,uma imagem apenas. Mas como um estado que é físico, um corpo que está o tempo todo numa constatação e numa prontidão, porque não é sobre fazer uma coisa o tempo todo. É estar preparado para…. . Estamos ainda nessa busca, porque em sido difícil performar nesse trabalho, encontrar essa sutileza. Existem ainda algumas layers que estamos fazendo download. Marcelo, que está mais próximo nessa etapa final colaborando conosco, tem nos provocado muito nesse sentido. Sobre o que queremos , o que estamos fazendo, sobre reconhecer de dentro onde chegamos. E que corpo é esse, que dança é essa? Como é esse modo de fazer? Como essa dança pode operar sem a representação que estamos mais acostumados? Como é assumir com precisão e sutileza, um desespero, um não saber? Como essas emoções podem ecoar no corpo com um rigor? Tem sido muito bom.
Também já trocamos idéia sobre sociedade do espetáculo e nossa geração produto onde tudo é espetacularizado pra vender, pra ser consumido. Principalmente o próprio corpo. Alguns teóricos, e um punhado de livros discutem esse assunto e estamos lendo como alimento, como estratégia de aproximação do material, não como assunto ou questão principal do trabalho, mas como camadas que aprofundam , que nos permitem entrar mais. Porque estrear uma coisa não é concluir ela, é dar inicio a uma outra etapa.
> Quais as principais dificuldades de se criar em um grupo tão numeroso e como elas interferiram / impulsionaram o trabalho?
No coletivo sempre trabalhamos numa perspectiva horizontal, sem hierarquia. Colaboração sempre foi a maneira que escolhemos para trabalhar. Mas já faz há algum tempo que todo mundo vem dissecando e discutindo isso. Porque obviamente existem desvantagens e dificuldades implícitas. Trabalhar em colaboração não é esse “mar de rosas todo!”. E hierarquia não é algo necessariamente ruim. Com o tempo temos entendido que é praticamente impossível pertencer a um sistema que não possua uma lógica hierárquica mínima. Mesmo na natureza os ecossistemas possuem estruturas hierárquicas e isso é importante pro funcionamento dele.
Eu diria que trabalhar em colaboração é uma escolha, que pode potencializar um trabalho, mas que se todo mundo tem a mesma função isso “trava” o funcionamento do sistema. Nesse projeto todos eram interpretes-criadores e podiam propor, decidir, aceitar ou não uma coisa. Isso estendeu o tempo porque tudo era argumentado e eu precisava convencer ou “comprar a idéia” do outro.
Isso foi gerando um sistema de auto-sabotagem e concessão onde eu aceito a proposição do colega, não por uma necessidade minha, mas por reconhecer que o direito dele de decidir e propor é igual ao meu. Existiu uma espécie de condescendência perversa, ruim, porque na verdade eu não queria aquilo que o outro estava propondo. Essa coisa de ser “bonzinho” com o outro, também surgiu como questão. Pensamos: Então como é viver juntos? Será que na vida é assim: você tem que simular pra pertencer, pra ser aceito, pra garantir o seu. Você suporta por um compromisso moral? Você tem mesmo que abrir mão da individualidade pra poder estar com o outro? E isso tudo é uma visão de mundo meio pessimista, uma direção que não queríamos. Queríamos entrar aí nesse lugar pra discutir isso, porque existem SIM coisas em que se pode acreditar e fazer juntos (a pirâmide é o ESPETÁCULO nesse sentido). E mesmo que isso seja apenas uma tentativa, enquanto ela se sustenta é potente, válida, verdadeira. Estar juntos ainda é uma escolha em que se pode acreditar ( em muitas instâncias, na família, no amor, no trabalho, na comunidade, etc.) mas sempre a partir de cada um, sempre a partir de uma colocação sua como individuo, como numa multidão.
ESPETÁCULO contou ainda com a colaboração do Cristian Duarte lá atrás. E foi muitoooo bom! Podiamos inclusive ter feito outro trabalho seguindo naquela direção. Mas depois do Cris, foi ficando cada vez mais claro que precisávamos de alguém de fora que pudesse fazer escolhas junto com a gente numa etapa final, que funcionasse como quinto elemento nesse sistema par de quatro, desestabilizando, provocando, mas também direcionando como uma bússola. Marcelo nos confrontou muito. Foi muito boa essa oportunidade, pela distância das gerações, mas também pela distancia em termos de experiência como criador. Foi determinante.
> O trabalho já foi apresentado em algumas cidades. Como tem sido o impacto inicial junto ao público?
A etapa de estréia – dez primeiras apresentações – está dando corpo ao projeto. É diferente do momento da pesquisa, mas ainda é construção, porque as apresentações aprofundam o material que temos de uma outra maneira. Estamos entendendo com o público o que é o ESPETÁCULO. Porque estamos tendo algumas confirmações. Por exemplo as pessoas estranham o nome ser ESPETÁCULO, mas conseguem reconhecer em nossas tentativas , nas músicas, no que estamos fazendo, a vontade e o desejo de fazer uma obra. Só que de outra forma. Até mesmo as crianças conseguiam saber que queríamos fazer algo juntos, então nesse sentido, temos uma material que não é “hermético”. Eu diria que é até muito claro. Agora é como aprofundamos essa discussão, como ela pode ser ampliada. Em Parnaíba foi chato, ansioso e o corpo estava duro, tenso. No Mato Grosso foi o extremo oposto. Então estamos descobrindo, experimentando, modulando. É uma dança difícil porque ela acontece numa maneira de olhar, andar, de estar ali e não apenas quando fazemos algo. È uma dança que se constrói de sensações.
13 de agosto de 2010 em 3:03
As fotos estao lindas e vejo que esse espetaculo vai chegando onde tem que chegar. nao li dani, sorry, mas mando merda para esse inicio ai no galpao. divirtam-se, sobretudo, o lugar da performance tem uma potencia enorme e um poder legitimo de transformar. beijo!
13 de agosto de 2010 em 10:52
Gostei do post, e fiquei curiosa com o Espetáculo!!!
Irei prestigiar.
=)
13 de agosto de 2010 em 11:12
Marcelo, brigaduuu! vc ainda chega a tempo de pegar um dia?
ju, seja bem-vinda amore. venha demaaais!!
13 de agosto de 2010 em 12:02
espetáculo já começou bem de circulação… desejo bons processamentos dessas experiências,
que sejam presságio de uma trajetória intensa e interessante!
boas vibrações pra cada um de vocês, tô feliz por essa hora tão planejada, tão trabalhada.
weyla, parabéns e obrigada também pela tua contribuição.
beijos
(eli, marcelo a partir de domingo poderá assistir)
13 de agosto de 2010 em 12:08
Vamo que vamo gente! Devo dizer que a gente tá no gás e Mato Grosso foi super! Marcelo tamo te aguardado, bjão!
14 de agosto de 2010 em 14:42
as fotos da weyla ficaram lindas mesmo!
e vamo que vamo nessa maratona que começou ontem, feliz.