Nesta quinta etapa do CoLABoratório estivemos com Júlia Bardsley, artista plástica de Londres. Foram muito interessantes essas duas fases de colaboração: a primeira em Teresina e a segunda no RJ, em que eu escolhi para residir essas últimas semanas atrás. Ela nos deu duas opções para trabalhar: a primeira seria aprofundar mais em nossas pesquisas e a segunda seria trabalhar diante de algumas proposições dela como workshop e relacionar com nossas pesquisas. Preferimos a segunda opção porque nos dava a oportunidade de ter uma troca maior com o trabalho dela e dentro dessa base, trabalhar nossas inquietações.
Com um exercício ela soube dividir os grupos nos quais as pessoas ainda não tinham trabalhado juntos, então tivemos outra experiência de se relacionar com outras pessoas profissionalmente e tivemos um tempo para articular e introduzir os pensamentos para o corpo. Apresentamos nossas propostas de colaboração em grupo, na quarta e na quinta-feira 11 e 12/08. Foi muito produtivo, conseguimos nos apropriar das propostas dos outros colaboradores, estávamos conectados – isso é muito importante para começar algo ou dar continuidade a partir daí.
Depois das mostras dos grupos Júlia propôs a quem estivesse interessado trabalhar pela tarde em um projeto seu sobre uma família. Ela tinha uma imagem a princípio – de uma família em uma quadra esportiva , e daí surgiram outras questões, como incorporar arquétipos de personagens familiares, trazendo toda essa ideia de criança interna para o corpo. Isso pra mim a princípio foi muito forte e muito intenso, o que tornou maior a vontade e o desejo de continuar a descobrir o que viria depois. Apresentamos uma mostra na sexta-feira (13/08/10), o que tínhamos trabalhado nos cinco dias anteriores da apresentação. Foi muito cansativo, mas muito produtivo, fiquei muito interessada pelo fato da estética estar muito presente nos trabalhos de Júlia e como ela consegue transformar um trabalho simples em algo muito rico em nível de imagem. Ela nos fez pensar muito nos conceitos, dramaturgia, formas de como organizar as ideias.
Diante dessas três semanas de convivência, foi importante pra mim pensar muito além dessas questões artística que às vezes tiram meu sono, e pensar: o que realmente é colaboração? Até que ponto estou colaborando? A conclusão nesse momento que tenho, é cada vez ser mais profissional, procurar mais fundamento dentro desse contexto de arte abstrata, procurar a raiz da coisa, estudar mesmo e vivenciar mais profundamente esse processo de construção e desconstrução de colaboração.
Particularmente pensar nisso está sendo meu ponto inicial para dar continuidade ao colaboratório.
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