a bolha. uma proposicao do mavi veloso. um objeto de plastico e ar, uma estrutura fragil e flutuante ajuntada com fitas colantes transparente. a bolha aconteceu pra mim como o espaco de um vacuum preenchido, um territrio inflado que deu lugar a uma alegria desenfreada quase infantil. a bolha desfilou na rua jaime fortes no meio de farois e bicicletas, com criancas e adultos-criancas, pra se despedacar no fim da rua feito bloco de sujo desgovernado, molambo de plastico estripado e esburacado. a bolha e’ pele e membrana, mucosa e retina, táctil e desvanecida, orgao de um corpo sem orgaos. a bolha como organismo vivo, como um bicho de lygia clark e sua obsessao pelo dentro-fora materializado. a bolha protege a imunidade de particulas ameacadoras, a plastificacao dos orgaos do desejo. a bolha que envolve 15 corpos nus e como ela frageis em sua decomposicao social. imagens do paraiso, o ceu dos humanos, e dos bancos de areia onde vive a rainha do mar. corpos unidades organicas que agenciam a dependencia ao desejo misturando-se ao desejo do todo parte integral de coisa nenhuma. corpos mortos quase vivos numa dimencao entre o que significa estar e transcender o instante. a bolha suspensao do tempo e do status quo, a descontextualizacao das estruturas rigidas que protegem o medo, aniquilamento da propria vontade. bolha euforia desesperada, brinquedo rudimentar, escama dos escombros do mundo. bolha ovo, utero, pulmao e a precariedade de um corpo que arfa por existir. para existir. bolha opaca e translucida, concha e caramujo, resquicios do que o vento leva do sabão. a organizacao do dentro no fora, bolha-corpo, ocupando a ruptura do que daqui pra frente nao mais se pode fazer unidade.