Depois da passada de Marcelo Evelin na conversa “Sobre Presuntos” no Aberto Desdobrado, convido o leitor de “O Corpo em Crise” de Christine Greiner a assistir a aula da mesma, sete e trinta da manhã, da qual sou aluno regular. Nessa aula Chris trata das artes do corpo que também é política, que é resistência, que é posicionamento por onde se encontra.
Marcelo assiste a aula com outros universitários e depois a pedido da Professora fala um pouco da sua experiência no Dirceu. De como é ser um possível exemplo de algo que age como “operador de resistência”. Claro precisava aproveitar a presença do local de Teresina, já que temos que fazer um trabalho sobre “redes de ativação” que são “operadores de resistência”, para essa matéria no final de 2010. E então, pela conhecidencia, conexão, me convida para ir a Teresina tomar o contato do exercício de corpoficação do Dirceu. Isso é, acordar e dormir suando. Reconhecer o esforço que é o movimento no calor de muitos graus de um lugar no interior próximo a linha do equador.
O contato que eu ia ter com o Dirceu com certeza não seria como aquele de quem passa dentro do carro apenas deixando a fumaça da combustão do solvente no ar. Ter o contato de 7 dias de Piauí em que 4 estava acompanhando os ensaios, conversas, elaborações, fumaças, no galpão, traria um recorte daquela realidade nesse instante especificamente, e com toda vivencia dos presentes naquele lugar.
Chegando com aquele jeito de quem está em lugar pela primeira vez, onde a realidade é parecida e a diferença na localização que torna tudo meio que novo por ser aquele local, onde tudo fica um pouco mais interessante. Deparo-me com o trabalho do dia-a-dia desses meninos que geram forças para existir. Lutando por um ambiente que torne possível a autonomia desse lugar que é fluxo de pessoas interessadas na arte do corpo.
Estive ali para fazer uma espécie de pesquisa, experiência relacionada a todo esse cenário e contexto de interesses, aproximação, colaboração, parceria com a pretensão de estabelecer vínculos que geram forças na rede. E então nada mais óbvio que conectar com a aula de Chris Greiner na Puc-SP por telepresença. A proposta foi feita, e por movimentos cósmicos o ND tinha como cronograma a Oficina de Pensamento no Ponto de Cultura às 9h de uma terça-feira e mostra do processo do coLABoratório. Coincidentemente no mesmo período e dia da semana dessa aula especifica de Christine. uol, incrível. Ana C. mostrou o processo do “Burro Nosso de Cada Dia” e depois conversamos um pouco do que aconteceu. Entre nós também estava a linda Sayara, a figura pesquisa de Elielson. Até tive contato com os urubus da cidade de Teresina, com as experiências da dupla Leo Nabuco e Juliana França – “urubus”, envolto de carniças e ligados por uma estrutura nada usual instalada numa área que separa a Zona Leste do Dirceu, também depósito de lixo e trilha para o metro de superfície. Essa também foi uma experiência do processo no coLABoratório que tem sua mostra no Festival Panorama de 2010. Você, pode assistir o registro gerado no link http://www.vimeo.com/15477745 .
A conexão foi sucesso, tranqüilo, com uma conversa legível. Não foi feita como divulgada no e-flyer, acabou sendo restrita via skype. Só porque pelo site ustream.tv tínhamos deley, e isso pra uma conversa é péssimo. E a transmissão dos ensaios do “Matadouro” aconteceu e está em vídeo no site ustream.tv , podem procurar por: Núcleo do Dirceu. Ou no link: http://www.ustream.tv/discovery/recorded/all?filter=all&order=most-popular&q=n%C3%BAcleo+do+dirceu
De tudo que ficou, foi um pouco do que escrevi, mas já dizendo que volto. Desejando o vai-e-vem dessas pessoas se encontrando por onde quer que seja, continuando a estabelecer vínculos tão preciosos e potentes para a criação, permanencia e discussão das artes do corpo.
Muito grato pela oportunidade e recepção do Núcleo do Dirceu.