+ no debri
tenho pensado em prumo. aquele objeto quase estranho, quase mistico que eu via nos canteiros de obra que visitei a vida inteira com meu pai. o prumo e’ o eixo vertical de uma casa em construção, por onde as paredes beiram encontrando as alturas. prumo tambem e’ usado para medir a profundeza das aguas, invertir a altura para o fundo. aprumado e’ o que esta no eixo, equilibrado no chao como se isso fosse mesmo possivel. o mais bonito do prumo sempre foi pra mim a briga com aquele ponto exato do equilibrio, o movimento oscilante do metal no ar, o entrar e sair e perder de novo a exatidao, dancar em volta de um zero quase inatingivel de repouso absoluto.
minha ação para essa primeira fase do mil casas e’ trabalhar na casa dos sete artistas do nucleo que vivem no dirceu. um solo criado em colaboracao com cada um deles mas partindo de uma partitura e dramaturgia proposta por mim, para ser performado por cada um deles em suas proprias casas. o prumo e’ o ponto de partida. a verticalidade, o eixo, o corpo, a linha invisivel que separa o chao do teto, o oscilar do habitar o espaco proprio,, o ninho de uma performatividade continua de estreias subitas, o aprumar-se na individualidade em construcao.
meu amigo erik da cidade de eindhoven virou um famoso diretor de teatro na holanda. ele me dizia que levava a mae para assistir aos ensaios dele, porque se a mae nao entendesse nada a peça nao era boa. me pergunto sobre como sera performar em sua propria casa, no dia, na hora e no comodo da casa escolhido por voce. nao sei se alguem vai topar, mas me interessa muito comecar por ai. manter o prumo oscilante, mostrar o prumo oscilante, oscilar.
22 de maio de 2011 em 19:38
eita marcelo.
lay, cipó, césar, alexandre, cleyde, bebela e jacob se aprumando dentro da própria casa.
to curioso demaais com a hora e o lugar da casa que eles vão escolher e pela dramaturgia e partitura que tu vai construir com cada um.
como a “casa” vai receber isso?
babado forte demaais!