AQUI O V ÍDEO: http://vimeo.com/26929980
Zumbi or not Zumbi
No palco ao canto: uma mesa , uma cadeira, um computador e um iphone.
Um microfone com fio longo, disposto num pedestal ao lado da mesa.
Um amplificador.
Luz: geral branca fria
123 sinal – começa
Uma pessoa entra com uma corneta e toca, alguém entra logo atrás dela e vai fotografando tudo
A pessoa toca, toca, toca, toca, isso é constante.
Outra pessoa entra e explode uma chuva de ouro. O “fotógrafo” registra tudo em detalhes.
Uma outra pessoa entra , coloca uma peruca e se deita na lateral e lá fica, jogada.
Pessoas vão entrando trazendo objetos diversos e colocando-os no chão como uma cena de crime, vão desenhando com giz em volta de cada objeto, pessoa, coisa, situação, nomeando tudo.
Aos poucos , num passinho de atrás do trio elétrico, vão pegando os objetos e vão se vestindo. O objetivo é ir se juntando nesse passinho miúdo quase melancólico, pegando os objetos, as coisas , vestindo-se e se aglomerando.
Quando todos estão bem juntos, a pessoa que estava deitada no canto se levanta e senta na mesa , abre o computador e começa a falar sobre o artista que não dificulta, lê o que escreveu em seu blog, tudo isso ao microfone. Apresenta seu blog. Lança perguntas ao público , uma atrás da outra, num bombardeio incessante e inflamado, cheio de tesão.
Cornetas começam a tocar como gemidos espaçados, as pessoas já aglomeradas trocam de roupa uma com as outras, roubam as coisas uns dois outros, sem parar. Uma pessoa com Iphone filma tudo de dentro dessa massa-multidão.
A pessoa que perguntava ao público, para, fecha seu computador e vai para o canto novamente, coloca uma peruca e se deita. Faz tudo isso muito calmamente, como a caixa do supermercado Carvalho.
O aglomerado se desfaz, rola uma certa dispersão.
Um grupo pequeno se forma e começam a latir, uivar e latir sem parar. Isso vai se tornando uma música para outras pessoas dançarem um tipo de hip hop. Um tipo estranho de hip hop.
Abre-se um show off.
Alguém toca um agogô. Alguém coloca um beat eletrônico.
Começa tudo ao mesmo tempo agora:
As pessoas apresentam passos de hip hop todas de modos diversos e estranho. Tudo meio disperso, confuso mesmo. Alguém traz uma piscina de bolinhas de balões e alguém dança hip hop dentro dela. Outro fica fumando, outro soltando bolinhas de sabão com uma pistola. Outro se veste de papel craft ( uma mortalha, um KKK, Um Cristo ???) , outros andam com coleiras, outro escreve num folha de papel e cola no seu corpo como um cartaz, outro filma, outro fotografa….
A música de latidos e uivos cessa, ficando apenas o agogô e o beat. Começa o desfile, ou melhor termina o desfile. Isto é: Todos se organizam numa fila indiana e desfilam pelo palco, num vai e vem.
O desfile se configura num tableaux vivant , onde as pessoas estão congeladas antes de completar a ação a qual estavam engajadas em fazer . Ficam assim por um bom tempo. Ficam congeladas no tempo, o fotógrafo registra tudo por um tempo e também para.
Ficam todos parados um bom tempo: tableaux vivant
Quando a música termina batem muita palma, gritam UHUHUUU numa grande histeria coletiva e entram para a cochia andando calmamente em silêncio total.
Thelma Bonavita | Arqueologia do Futuro | Núcleo do Dirceu
Residência Jardim Equatorial na programação do Bafo de Agosto. (+ aqui e + aqui)