
O Curso Ensino de Arte na Contemporaineidade promovido pela Petrobrás através da eadDUO prossegue. O Instituto Punaré foi selecionado, recebeu uma caixa-biblioteca com o material teórico e atualmente eu me desdobro pra acompanhar as leituras e discussões junto a 160 professores ,em sua maioria mulheres, empolgadas e antenadas com as tendências pedagógicas, simpósios, congressos… blá blá blá….confesso que ainda tô me sentido “embasbacada” em meio a avalanche de arte-educadoras. Ufa! Na verdade estou compartilhando por lá o que acontece por aqui.
A plataforma do curso é como um blog,porém com utilitários semelhantes ao do orkut. Posso mandar scraps, mensagens, participar dos fóruns, e acessar os textos e conteúdo das aulas. O problema é a dimensão disso… IMAGINE 160 pessoas interagindo “mesmo”! Cada vez que entro tenho em média 15 novas mensagens pra ler, 138 comentários (textos) por debate, interações dos professores com os capítulos dos livros e pontos que precisam ser revistos, e um mural chamado cafezinho….com links do que os educadores estão fazendo… arrf arrf arrf! É cooooisa merman!
O Curso funciona também como um game, a home do site de cara informa a minha participação nas discussões em porcentagem. Imagina aí esse aplicativo instalado no nosso blog? rs. Na hora que vc entra: VC AINDA NAO COMENTOU NAS SEGUINTES AULAS!
Enfim, quem tiver interesse em acessar a plataforma e acompanhar tudo é só me mandar um email, livros também se encontram comigo.
Aqui o comentário da professora na última aula. Huum….
Lucia Gouvêa Pimentel
Olá! (…) Cognição Imaginativa é uma linha que considera que a imaginação é o único “espaço” possível de construção de conhecimento, em qualquer área. Os outros “espaços” já estão tomados por relações, registros memoriais, automatismos etc. Assim, é no espaço imaginativo que novas formas podem ser construídas, lançando-se mão do que existe nos outros espaços. A partir do momento em que o que foi construído se fixa, ele migra para memória, relações ou automatismos, dando lugar para que novas construções possam ocorrer. O ensino de Arte se daria, então, por metáforas, já que é justamente o espaço do inusitado que será usado para as novas construções de conhecimento. Esse é um desafio, pois o domínio da meta, do recurso, nós dominamos, mas não conseguimos dominar o que o aluno vai criar a partir da apresentação dos nossos recursos, tanto em termos teóricos quanto práticos, imbricadamente. A Cognição Imaginativa, portanto, não considera arte como linguagem e não tem por base a semiótica. É o desenvolvimento de um campo teórico intrínseco da Arte, não estando subordinado à linguagem. Relaciona-se com a Antropologia, a Psicanálise, a Sociologia, a Antroposofia e a outros campos, mas sem subordinar-se a eles. É a linha mais complexa que se apresenta na contemporaneidade e necessita de mais estudo para ser incorporada ao ensino. É fruto de estudos de equipe multidisciplinar internacional. Imagem não é só visualidade. Gesto, som, cor, gosto, cheiro etc. são imagens de mesmo nível de sentido. Se traçarmos uma comparação entre arte como linguagem (Cultura Visual, por exemplo) e arte como imagética (Cognição Imaginativa), temos: Arte como linguagem: é comunicação, é representação, baseada na cultura de massa. Tem gramática e semântica. Arte como imagética: é mais que comunicação, é presentação (trazer à presença), baseada na construção de conhecimentos pela imaginação. Não trabalha com gramática ou semântica, pois não há certo e errado. Tanto uma linha quanto outra podem ser usadas para todos os trabalhos em Arte, Maria Isabel Spinola. São posturas conceituais distintas. Uma não é melhor que a outra. São diferentes, apenas. Há excelentes trabalhos em ambas.(…)
Propiciar experiências e vivências significativas, que possam construir esquemas e provocar metáforas é a linha de ação da Cognição Imaginativa. A prática educacional na pedagogia do conhecimento imaginativo reconhece que ensinar envolve mediação interativa. Em arte envolve pensar, contextualizar, fazer arte e a habilidade de fruir obras de arte, focalizando na potencialidade que as obras de arte têm em suas estruturas metafóricas. Sua prática potencializa a vivência pessoal e/ou bagagem imagética do aluno, gerando maior capacidade cognitiva em quaisquer práticas do conhecimento. Esta linha não se aproxima da livre-expresão e não considera que arte seja comunicação, mas que há dois campos distintos aí. Arte pode comunicar e a comunicação se apropria de elementos artísticos. Mas para haver comunicação é preciso que as duas partes entendam a mensagem da mesma maneira. E não é isso que acontece em arte. Reduzir arte à comunicação é tirar-lhe sua essência de expressão.
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A L.H. tá lendo os tais capítulos dos livros e trazendo a discussão de lá até aqui!
7 de setembro de 2008 em 12:24
Oi, Gostei muito do post e fiquei curiosa sobre a bibliografia…
Você poderia postar também….
10 de setembro de 2008 em 13:49
Oi.
Bem…no momento estamos tomando como base para as discussões alguns artigos propostos pelos professores da plataforma e outros encontrados em: ARTE/EDUCAÇÃO CONTEMPORÂNEA, livro com organização de Ana Mae Barbosa.
E sobre o post, essa nova abordagem em ensino é nova pra mim. Tô lendo…
Vejamos o que nos dizem outros educadores de lá:
Lucia Gouvêa Pimentel
Estamos tentando escrever mais sobre Cognição Imaginativa, pois sabemos que ela é um importante estudo e necessário de ser feito no Brasil. O maior problema em relação a ela, para entendê-la, é ter que mudar o registro de pensamento já enraizado de que arte é linguagem, e isso não é fácil, pois estamos embutidos na comunicação como premissa para o pensamento. E comunicação é apenas uma das formas de liberar o pensamento, não sua totalidade.
Enfim, as contribuições são muito valiosas.
MARIA DA GLÓRIA WEISSHEIMER
Cognição imaginativa:
Defende a Arte como área de conhecimento autônomo, onde a imaginação é uma “função esquematizadora” das ferramentas ou estratégicas cognitivas envolvidas no processo de aprendizagem. Isso quer dizer que, não há apenas um caminho a ser seguido, sendo importante estimular os alunos para que encontrem seus próprios caminhos, no contato com as manifestações artísticas.
Segundo Efland (2002, 342) a imaginação é necessária para entender que a imagem visual ou expressão verbal não são literais, mais sim incorporações de significados a serem percebidos de outra perspectiva.
Compreender a arte através da estimulação do diálogo entre o sensível e o cognoscível, oportuniza mais uma maneira do sujeito se apropriar do mundo em que vive.
É isso.
Desculpe a demora na resposta.