arterias

Por: às 07/05/2011 13:05:30


+ no  debri.

o mapa do grande dirceu ampliado e afixado na parede do galpao thanks to google earth e os galopes da tecnologia. um mapa como micro fotos de todoos os detalhes desse gigante periferico. o grande dirceu e’ grande mesmo, e cartesiano, certinho, parece um corps de ballet a postos. as ruas tracadas retinhas por entre os aglomerados de casas que formam blocos quadrados e retangulares, as avenidas como arterias aortas no coracao do bairro que se distribui isolado e independente da cidade. o formato do mapa tem quase a forma de uma cabeca, um cranio hipotetico onde se alojam neuronios de um habitar que tambem faz suas sinapses nessa ideia de comunidade. o rio poty feito mancha disforme, anzol aguado que faz barrar o aumento pro lado sul e se mantem ali feito referencia liquida. as areas ocupadas no grito por necessidade de morada se desentranham das areas verdes que arrodeiam o volume dos blocos de casas organizadas em quase espiral, no fluxo de um povoamento planejado e ainda assim descontrolado. as poucas piscinas azuis destacando-se dos muitos telhados amarelos ao longo de muros que marcam fronteiras de propriedade. o campo de futebol mirado de cima parece uma cratera lunar, arena do tempo antigo ou um lugar para dancar.  as pracas urbanizadas sao playgrounds em anexo e o rasgo quase reto no meio do mapa contem o mercado, os correios, a praca principal, a delegacia de policia. uma fissura que  e’ menos coracao e mais figado desse corpo-lugar scaniado por satelite para ser  ficcionado na descoberta de mil enderecos e centenas de pessoas que vivem ali, fervilhando como formigas mas sabendo cantar e dancar feito cigarras insones, prontas para explodir feito bicho-bomba do reino animal. mi cuerpo es su casa. e porque nao mais uma subversao do tipo puxo a brasa pra minha sardinha e abano o fogo pra assar? o dirceu sangra pra fora nessa topografia organica, escorre pelas beiras como uma foto que escapa do papel, estilhaca o povoamento feito pele elastica. o dirceu transborda.



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Uma plataforma entre 17 e 20 artistas de produção e pesquisa em artes perfomáticas que opera dentro de um sistema colaborativo, atuando em diferentes linguagens. Temos o bairro Dirceu Arcoverde, maior periferia de Teresina, Piauí, como campo de interesse e lugar de referência urbana. O projeto tem se voltado principalmente para a criação de mercado e platéia para a arte contemporânea, formação de novos criadores e pesquisa de linguagem.

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Comentários

  • César Costa: Marcelo, concordo contigo quando diz que só o fato de ser artista já não te coloca como medíocre. Se...
  • Danielle: Não dá pra não fazer conexões entre as coisas ditas, ouvidas, feitas, vistas e acontecidas. Acho que não...
  • weyla: Hoje conversando com minha avó ela me disse que não queria mais comprar roupas porque tava perto de...
  • elielson: de comer e se comer sim. opa!
  • marcelo evelin: super eli! obrigado por juntar tudo aqui pra que se possa ir mapeando. foi bom vc ter trazido a mesa...

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