o mapa do grande dirceu ampliado e afixado na parede do galpao thanks to google earth e os galopes da tecnologia. um mapa como micro fotos de todoos os detalhes desse gigante periferico. o grande dirceu e’ grande mesmo, e cartesiano, certinho, parece um corps de ballet a postos. as ruas tracadas retinhas por entre os aglomerados de casas que formam blocos quadrados e retangulares, as avenidas como arterias aortas no coracao do bairro que se distribui isolado e independente da cidade. o formato do mapa tem quase a forma de uma cabeca, um cranio hipotetico onde se alojam neuronios de um habitar que tambem faz suas sinapses nessa ideia de comunidade. o rio poty feito mancha disforme, anzol aguado que faz barrar o aumento pro lado sul e se mantem ali feito referencia liquida. as areas ocupadas no grito por necessidade de morada se desentranham das areas verdes que arrodeiam o volume dos blocos de casas organizadas em quase espiral, no fluxo de um povoamento planejado e ainda assim descontrolado. as poucas piscinas azuis destacando-se dos muitos telhados amarelos ao longo de muros que marcam fronteiras de propriedade. o campo de futebol mirado de cima parece uma cratera lunar, arena do tempo antigo ou um lugar para dancar. as pracas urbanizadas sao playgrounds em anexo e o rasgo quase reto no meio do mapa contem o mercado, os correios, a praca principal, a delegacia de policia. uma fissura que e’ menos coracao e mais figado desse corpo-lugar scaniado por satelite para ser ficcionado na descoberta de mil enderecos e centenas de pessoas que vivem ali, fervilhando como formigas mas sabendo cantar e dancar feito cigarras insones, prontas para explodir feito bicho-bomba do reino animal. mi cuerpo es su casa. e porque nao mais uma subversao do tipo puxo a brasa pra minha sardinha e abano o fogo pra assar? o dirceu sangra pra fora nessa topografia organica, escorre pelas beiras como uma foto que escapa do papel, estilhaca o povoamento feito pele elastica. o dirceu transborda.