


Rafael Alvarez é Intérprete e coreógrafo,além de Pós-Graduado em Ciências da Comunicação – Cultura Contemporânea e Novas Tecnologias pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Formado em Estudos Superiores Especializados em Teatro e Educação e Realização Plástica do Espectáculo pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Formação regular em Dança Contemporânea.De passagem por Teresina,Rafael ministrou uma oficina de uma semana para o NCD do TMJP2,dentro do projeto Mapas do Corpo, também apresentou o solo “Last Call”,que reflete bastante o background de Rafael ligado a cinema,artes visuais e novas tecnologias.
Apesar de não usar equipamentos eletrônicos high-tech em seu solo,Rafael consegue com muita clareza e sutileza apresentar o pensamento do homem contemporâneo abraçado pela sua segunda natureza,a natureza das novas tecnologias que regem a escalada do progresso humano.A música contínua do espetáculo traz a imagem da co-habitação entre homem e grandes geradores de energia,como se esse homem vivesse ao lado de um enorme gerador atômico ou ainda, morasse numa pista de contínuos pousos e decolagens de naves intergalácticas.A garrafa d’água, símbolo da raridade e da escassez de elementos naturais em lugar dos novos equipamentos de alta tecnologia,o ultra potente Red Bull em vez do caldo-de-cana.A fusão de uma antena,instrumento de transmissão de informação e/ou impulsos sonoros ao corpo,a robótica do sentido sexual que arromba o ânus da existência humana como ser da carne ainda íntegra.Há também espaço para o orgânico,a banana da pop art como resistência de uma estética que persiste em viver assim como a carne o quer mas não pode,então Rafael mastiga e engole a banana e revela Duchamp, fundido a Asimov de mãos dadas com um ambiente sujo na sua assepsia estética da chanel,e da adidas.E tudo vira Duchamp quando Rafael transforma os objetos num grande foguete feito de capacetes,fios,bolsas,sinais de trânsito , garrafas d’água e sacolas de plástico,as mesmas que demoram anos e anos para se decomporem no solo.E enquanto ainda convivo com as moléculas dançantes de luz do globo disco que girava Rafael pela cabeça,descubro que prefiro o Blade Runner descontruído dele à Matrix dublado na tv.
Twilightzoneando o próprio pensamento,
Fábio Crazy de la Silva.
27 de setembro de 2008 em 2:28
Grande texto Fabio, a visao do ser humano e suas camadas de reconhecimento no mundo, extrapolando a realidade banal.
A percepcao da tecnologia no organico e’ uma grande sacada. Pra mim a tua nave e’ um corpo, mas pode se dizer um corpo-nave-intergalatico.
Seria interessante corrigir que o Rafael nao esta de passagem por Teresina, mas veio para Teresina convidado pelo Mapas do Corpo. Assim tentariamos combater a ideia colonialista e colonizada de que as pessoas so estao aqui de passagem, como se fosse um acidente da tam que deixou os passageiros aqui antes de prosseguir. Essa mentalidade acaba por se infiltrar sutilmente, como tao sutis sao as geracoes de conhecimento, as referencias adquiridas, que e’ realmente o que vai nos transformando.
Pode a danca gerar sentido, e esses sentidos serem considerados (quase) informacao cientifica?
Existe e como e’ um pensamento de danca independente do corpo esta dancando?
E’ possivel transformar (propria) identidade em obra artistica?
Viva a da boa!
27 de setembro de 2008 em 12:06
Querido anônimo,
Foi medonho esquecer de por o mapas do corpo no texto,talvez seja reflexo de algum equívoco interno cultural inconsciente…ou então vacilo mesmo!
brigado aê!
27 de setembro de 2008 em 12:48
Viva a da Boa Total!
A própria identidade em obra artística….sim sim sim sim uma pessoalidade que é catapulta, que te arremessa, te transfere pro ciber, pra um high tech pop…que é metafora pra um zilhão de outras pessoalidades urbanas de listras, de pumas, de correntes de metais.
É seco, espacial, desenhado…mas te hipnotiza porque vibra. Ações que surgem num outro sutil ritmo e te surpreendem com uma lógica de construção que é sim dança.
Camadas e sobreposição de sentidos.O clichê da discoteca ampliado e subvertido, e o pino no globo que é efeito de luz, me fala de espaço, de galáxia, de proteína e enzima, de corpo, de muita gente convivendo junto = multidão, de células (automia X dependencia).
Quase um jogo onde o sentido é o de reordenação dessas imagens. Gerar novos sentidos e o olho do outro (público) constrói o que vê, lê e re-significa junto, elabora… como num game.
Não é “casual”…casualidadezinha metrosexual. É gay, muito gay! Mas é também muitooo mais… Uhu….QUE BOM!
dança -informação- cientifica – helena – rafael- mapas do corpo –
eita eita…
29 de setembro de 2008 em 20:46
muito obrigado pelas vossas impressões e leituras sobre o meu trabalho, fico muito satisfeito por saber que ele pode fazer eco assim ao longe do meu espaço de segurança.
´
como a helena dizia há dias é dificil enxergar ao longe, mas é possivel sentir ao longe os olhos dos outros. espero voltar/ficar em breve porque o vosso projecto deixou marcas no meu corpo!
até amanhã. rafael
P.S: fica prometido escrever mais sobre esta experiencia e sobre o desejo de continuar esta contaminação/colaboração com o NCD.