
White Horse e o nome do coletivo formado pela criadora Julia Jadkowski e mais 2 estudantes da School for New Dance Development – Chris Leuenberger e Lea Martini – seu ultimo trabalho TRIP, uma armadilha sensorial mecanica hipnotica, onde nos primeiros minutos voce esta completamente absorvido, quer seja agradavel ou nao, quer voce goste ou nao.A performance apresenta 3 corpos mecanizados, que dentro de uma estrutura espacial limitada, acrescentam camada a camada um novo elemento fisico a coreografia.As bocas abertas sempre, escapam-lhe saliva o tempo todo.3 robos de carne, traduzindo nos corpos sensacoes de violencia consciente extrema, o braco estendido de Hitler, a comemoracao do gol de placa que me fara quebrar com mais impeto a cara do torcedor adversario, quer seja vasco, quer seja flamengo.A musica hipnotica claustrofobica dos vagoes de trens cheio de judeus amontoados com frio e em pe ate morrer…e a baba desce, a saliva molha o peito. A essa altura do campeonato os hooligans passeiam entre o nazi facismo e o fanatismo. Nao tenho tempo pra pensar ou analisar, nao sei se gosto ou se nao gosto por que minha capacidade analitica de alguem que tem um parco conhecimento de danca ja foi jogada de volta a sarjeta do espectador comum. Dou por mim experienciando e os 3 continuam suando, pulando, caindo, vibrando e saudando com as bocas assustadoramente escancaradas. A musica para, os 3 corpos tambem, dai a fragilidade e o cansaco se tornam visiveis. Eu respiro…Tudo de novo, como um thriller neurotico tudo volta no mesmo nivel e dinamica. Eu sorrio com a reacao de susto da plateia pra disfarcar que eu tambem me assustei. No final a provocacao: ” Do you want to say, or ask something ? ” .Pergunto e digo a mim mesmo enquanto a luz do palco se apaga.Porra Artie Spiegel, eu havia dito que depois de teu MAUS, nao haveria mais nada tao relevante sobre o holocausto, e o cavalo branco me coiceou pra eu acordar…ainda bem que existem aqueles que nos fazem mudar as opinioes!
Fabio Crazy da Silva