
bafo by mirton de paula e esse agosto que vem se consumindo no bafo dos novos ventos e do trabalho que definitivamente nao da tregua. a imagem amplia o que nao se da por inteiro, apenas perfura devagar a fachada da casa branca desbotada com janela de grades. dias mal dormidos e noites insones mas um trabalho que insiste como uma mao colocada na porta na hora de fechar. o lugar de uma utopia cega que esquadrilha o espaco com os sentidos restantes. e teve solos de mulheres e me pergunto o que ainda se pode dizer sobre ser mulher que ainda nao tenha sido dito. repousemos as armas para ouvir a banda quarterao – assim mesmo faltando o i, codigo de identificacao – tocando no espaco do entre o dentro e o fora do galpao. musica entre portas? nao se trata mais de abrir ou fechar mas habitar o entre, fotografado por mil flashes disparados na busca pela razao do instante. e teve a bolha e a rua no outro dia, e esse espaco plastico, meio umbigal, meio sideral, em um movimento geral de tomada e posse, me arrastou pela rua e me trouxe um entendimento peculiar do que seria o entorno, o ambiente com o qual trocamos o ar dos nossos pulmoes. o bafo e’ o dia a dia seguinte e os ensaios puxados pela madrugada. bafo de visita, atraso, surpresa, encontro, conversa, risada, abraço. bafo de questoes que silenciam a mesa e nos deixam encasquetados. bafo de vizinho, criança e pai de crianca, gente assidua e gente que passa, para, olha, pergunta mas ainda nao entra. tem um ceu que se despedaça em cores antes de escurecer, e tem o mavi e o andrez, e réstias de luz dos sucos enigmaticos todas as manhas. e tem ainda os cadernos de ensaio – viagem de volta, parênteses aberto – os emails pra responder, as contas pra pagar, a vida pra pensar se faz sentido, e o trafego transversal e disforme na complexidade dessas mil casas, mil ossos duros de roer .