o estado sitiado do nucleo do dirceu tem se configurado para alguns como uma ocupacao. Ocupacao em um sentido literal e emergencial, como uma temporalidade embutida conscientemente no espaco-do-corpo de forma concreta. Essa ocupacao embora apenas de alguns poucos, tem reverberado na grande maioria, senao em todos, como um estado de resistencia limite, algo quase ritualistico de maneira arcaica, quando o individuo representa o coletivo e o coletivo passa a ser o individuo.
Essa ocupacao tem sido como um dedo que nao para de apertar um botao e se pensarmos pelo vies da performatividade - a que estamos buscando e me parece ser isso uma prioridade – uma ocupacao e’ato performatico estendido ao maximo. Ocupacao performatizada no extremo da individualidade borrada pelo ato, a vida pessoal tornada publica, o corpo agindo como sujeito politico engajado em um manter-se, em um enunciar-se, na obstinacao cruel de segurar-com-os-dentes uma temporalidade imposta em uma certa espacialidade.
O fato de alguns estarem vivendo no galpao, sem sair de la para nada, deve ser visto como um dispositivo performatico que independe de qualquer convencao performativa para acontecer, que nao determina apresentacao ou resultado, que nao demarca linhas exclusivistas entre o que e’ ou nao arte, entre o que eu gosto e o que eu nao gosto , e isso e’ muito potente.
Esse nao-arredar-o-pe-do-lugar reflete a nossa situacao geral nao apenas politica e economica mas principalmente artistica, porque acaba por se configurar como ato de insistencia, para alem de qualquer proposito e entendimento artistico formal, quando nos dizem o que vamos ver, o que devemos sentir e a que horas vai acabar.
Ainda me surpreende o fato de artistas ainda precisarem “entender” de uma maneira cifrada, normativa e organizada por um sentido que se aproxima demais de uma ideia absolutamente gasta e patetica de normalidade. Digo isso na tentativa de deslocar ainda mais a ideia de estetica como algo construido apenas na forma e no conceito, e entendido de maneira logica, para propor performatividade como acao estetica engajada e rigorosamente etica, sem a necessidade de explicacoes conceituais e entendimentos que satisfazem intelectualmente.
Talvez seja esse um lugar de performatividade real, embora ficticia como o e’ no tecido social do qual fazemos parte, salvo pelas pequenas centelhas de uma verdade quase inumana que fazem por merecer a existencia.
Performatividade no tempo real, o simbolico, o subjetivo, o cronologico. Performatividade como um arranjo de corpos agregados a um tempo-espaco tensionado de questoes. Performatividade como ato de agir antes de entender, apenas considerando o fato de que pensamento e movimento acontecem juntos, um determinando o outro continuamente. Performatividade como desejo de nao abandonar o mundo real, o mundo das complexidades e simultaneidades que funcionam caleidoscopicamente sem parar. Performatividade como birra, insistencia do corpo todo por alguma coisa, birra instalada, resoluta, decidida.
+ no debri