caderno de ensaio: matadouro

Por: às 22/10/2010 20:19:16

Um caderno de ensaio é assim:  rabisco, anotações  rápidas de algo que alguém disse, de uma imagem,  as vezes da sequencia de coisas que voce tá assistindo, as vezes de algo que você lembrou e quer  ver depois… não tem uma lógica.  Ele acontece assim sem a pretensão de ser outra coisa, ou uma “coisa” construída, enfim, é um registro, um exercício de apreensão.  Ele acontece no meio do café, da máscara que tem que ser costurada, do facão colado no corpo do outro,  no meio das notas fiscais separadas e planilhas de controle interno, entre uma foto que você faz  e um banho rápido (porque tá muito quente).

É um pouco assim que eu estou no Matadouro, não tem uma lógica, as vezes eu fico no paredão, as vezes eu uso uma máscara,  eu anoto uma necessidade, eu resolvo um pequeno problema, eu escuto, eu vejo, eu vejo, eu vejo…..   sim, eu assisto, assisto, assisto, muito, pra caralho. E as vezes eu corro e pulo porque ficar sentada, há lagumas semanas, algumas horas por dia,  também cansa.  E exercitar esse olhar  tem sido bom, dizer o que acontece, o que me parece, que sensação me trás… sem cair nos reducionismos de isso é bom, isso é ruim, tentando apenar ler e entrar nos possíveis significados-sentidos que  vão se construindo. Dizer “como foi”, “como é”.

Noted nessa última semana:

- Francis Bacon: corpo em camadas; corpo e espaço numa relação de circularidade; nem homem nem bicho;  não é sobre um grito, é sobre um grito que está no corpo;

- Será que o Shubert não tem que entrar como o amor?

-  Circularidade e o ralo presente na obra de Hitchcock. O ralo é a imagem do buraco por onde escorrem os degetos, aquilo que não queremos nos dar conta.

- O paredão é  como um painel branco, um convite pra eu ver aquilo que quero ver.

- Sair do torpor e da exaustão, essa experiência minha, particular de cansaço tem que se conectar com o todo. O que eu quero performar?

- Perversidade e decadência; Bebel segura nos peitos como uma figura mítica, histórica, como a mulher loba que alimentou os pequenos homens de roma.



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Uma plataforma entre 17 e 20 artistas de produção e pesquisa em artes perfomáticas que opera dentro de um sistema colaborativo, atuando em diferentes linguagens. Temos o bairro Dirceu Arcoverde, maior periferia de Teresina, Piauí, como campo de interesse e lugar de referência urbana. O projeto tem se voltado principalmente para a criação de mercado e platéia para a arte contemporânea, formação de novos criadores e pesquisa de linguagem.

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Comentários

  • César Costa: Marcelo, concordo contigo quando diz que só o fato de ser artista já não te coloca como medíocre. Se...
  • Danielle: Não dá pra não fazer conexões entre as coisas ditas, ouvidas, feitas, vistas e acontecidas. Acho que não...
  • weyla: Hoje conversando com minha avó ela me disse que não queria mais comprar roupas porque tava perto de...
  • elielson: de comer e se comer sim. opa!
  • marcelo evelin: super eli! obrigado por juntar tudo aqui pra que se possa ir mapeando. foi bom vc ter trazido a mesa...

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