Começamos pelo velho e bom jogo de associação, uma palavra depois outra, livre, aleatório, apenas pro juízo começar o donwload. Sem um a priori, que palavras-cliques servem de entrada? Como sair de um quase padrão?
Nessa segunda o EU e o INDIVIDUO ainda foram assuntos. O começo foi difícil, uma certa indisponibilidade, uma atmosfera de começo de mês e “entre-safra”, uma letargia, uma indecisão e uma mão que bate na mesa no automático, enquanto a coluna fica enrrolada e enfiada na cadeira. Uma desmotivação sutil que parecia vir de uma batata quente. E aí a insistência. E a associação de palavras quebra a sequencialidade e a idéia de círculo, cada um diz sem regra, pode falar associando com o outro que nem tá tão perto…. e o silêncio dá lugar a metralhadas, uma mesma pessoa e uma sequência de palavras, moléculas de sentido que vão se juntando por sonoridade pra ocupar o silêncio do outro.
superação
superman
sinapse
sinopse
sinistro
símcope
suricate
sunga
sucesso
sússa
sangue
sumidouro
sucção
sinestesia
simple life
espaçonave > espaço saúde > espaguete > espinhaço
pico da neblina > pingo do meio dia > esquente o cú com rola quente não.
Foi o dia da Catita Baleada. Foi o dia das frases de efeito “vamos dar a mão um, dois, três, quem errar o passo perde a vez”… foi o dia do “quem tá na chuva, pois se molhe, ou então se cubra ou então se toque”.
Jacob traz: hoje o jogo foi uma espécie de afirmação maior da individualidade. Sabe quando eu vou dizer o que EU quero dizer? O que eu preciso dizer? O fluxo do jogo parecia ser levado pra onde CADA UM QUERIA. A questão é sempre vai existir o lugar do outro e o meu, mas como construir um outro lugar, o do NOSSO. Cipó provoca: como é mesmo esse lugar aí de diluição do individuo? Que outra utopia estamos nos inventando minha gente? Sim baby foi bom… fomos furando furando até nos tirar das cadeiras, nos deixar de pé em torno da mesa, até nos fazer espontaneamente ir trocando de lugar por uma perepção de que entre duas pessoas OUTRA precisava entrar, intervir, mudar. Já dizia aquela téorica famosa nos anos 80… “tudo pode ser, se quiser será…”
A imagem da noite é a do cachorro tentando fugir do portão…. uma manobra as vezes descarada, uma cara de pau, um desespero, e mesmo acuado dante do nosso NAO, o danado vai lá e passa por debaixo de nossas pernas e ganha a rua. Será que insistir não pode ser assim, leve, rápido, sem sofrimento. Que lugar queremos construir?
A Jana disse que antes tinha uma coisa assim nas aulas de dança que ela fazia “esqueça os problemas lá fora e vamos fazer aula, dançar”.
Jorge Albuquerque surgiu como isca e o papo sobre SISTEMAS serviu pra se falar do que se fala sempre, outras maneiras de falar a mesma coisa, nós = núcleo o acontecimento. E aí conversamos sobre os riscos dessa relação ficar autosuficiente, como uma ilha, descolada do resto do continente (ué mas a gente não quer ser plataforma? igual plataforma da petrobrás? tem riscos nessa imagem né! plataforma é outra cidade, lugar onde voce fica meses em imersão no meio do mar). A Soraya disse que tem horas que se sente aluno do Dom Barreto, isso aqui é quase irmandade. E no facebook a discussão sobre teatro com Jacob rendeu mais um comentário sobre “núcleo corpo isolado nessa cidade”.
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Enquanto isso no facebook: Iacob Jacob
E se eu disser que faço arte por uma futilidade?
E se eu disser que meu trabalho se chama disposição vulgar?
Hoje foi difícil tentar entender e colocar isso na oficina de pensamento,mas fico pensando nos pqs das coisas, acredito que isso é o que tenho de mais político como artista.
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Arte e futilidade. Arte como ganha pão. Art e funcionalidade. Arte como resposta a uma certa nulidade minha. Arte por quÊ?
E aí a oficina de pensamento encerrou porque já era 22:20.
pictures: bad girls M.I.A (youtube)
7 de fevereiro de 2012 em 18:33
nao entendi nada…me deu a impressao de que ficaram rodando que nem peru de vespera, nao consigo juntar os cacos dessa louça estracalhada.
se o EU ainda vem tao forte, e’ porque continua la soberano.
na proxima se vier o EU se misturem todos num bolo, pra suar junto, sentir o cheiro e o peso do outro, perder a fronteira. e’ o que estamos fazendo aqui e e’ muito bom.
huuum…viva as utopias, viva mesmo! prefiro a utopia fraquinha de um grupo de pessoas do que a ironia dissimulada da multidao europeia.
cada um acredita no que acredita.
beijos
8 de fevereiro de 2012 em 11:05
Peru de véspera? Ai Marcelo….se misturar num bolo, sentir o cheio e o peso do outro é também o que estamos fazendo por aqui. E também tem sido bom. Voce de longe as vezes traz uma acidez que corrói. Bjo.
8 de fevereiro de 2012 em 19:13
acho que o texto está muito organizado em tópicos e não aprofunda muito o que pode aparentar uma outra coisa. O ponto principal que foi discutido nas individualidades coletivas é que sinto que o se fazer misturar tá vindo antes mesmo das nescessidades, como uma meta e não como consequência dessas nescessidades. É quase como a lógica do produto a ser alcançado. Uma inversão que funciona muito na sociedade como é hoje. Tipo trabalhar pra ficar rico.
Não acredito muito nessa lógica, acho que a relação do artista é outra. Quando trago o individuo, jamais o vejo descolado do coletivo, mas quando trouxermos metáforas de bananas, bananada e misturas que sejamos capazes de nos identificar como frutas diferentes, e olhar elas em cima da mesa antes de misturar.
que borrar identidade seja consequência do trabalho e não meta.
9 de fevereiro de 2012 em 13:08
se eu fosse só no mundo, acho que eu não gostaria de ser artista ou banana na penca.
penso que tou mais pra salada de fruta, não sei se pq pra eu ser artista preciso de outros artistas
parecidos ou diferentes, sei que igual a mim nao vou encontrar… e quando falo artista, falo de morador, de empacotador, falo de gente… de EU já bastam as estrelas no céu da boca do globo…
fiquei pensando sobre a ideia de meta e consequencia,
acho que eu nao vejo nada de mal em existirem metas, seja na preparacao desse angoo ou como o que fazemos com relacao ao numero de casas visitadas no 1000casas, acredito que somos agentes responsáveis tanto pelas consequências intencionais de um ato, como pelas não, quando previsiveis… ter meta me parece um exercicio que pode ser tanto individual como comum de se tomar responsabilidade sobre como continuar, como queremos ser artista, cidadao, pai, seja lá o que quiser ser…só sei que o tal cara lá de cima que dizem nos ajudar, não passa de uma canção… pra mim pensar na mistura/gomoso/angoo como algo ancorado na consequencia do possivel encontro e das escolhas de que fruta eu sou e que suco quero ser, me soa um deja vu daquela experiencia que passamos como ‘artistas autonomos’ que trabalham seguindo o que seu EU ‘deseja’… onde metas meio rolaram e consequencias tambem ainda bem.
11 de fevereiro de 2012 em 1:25
o problema é que falamos muito através de metáforas e de exemplos que estão bem fora do que a coisa é de fato. Nem somos bananas e nem qualquer outra fruta, e borrar identidade do qual falmos está longe de ser algo objetivo, sujeito a metas. Entendo como sendo bem mais complexa toda essa proposição de mistura, pois se dá no campo da subjetividade. Nada impossivel porém. Mas traçar isso como algo a ser conquistado vislumbra um futuro que não existe. Uma empreitada que nos impede de estar aqui e agora e vivenciar essa subjetividade que já é presente nas diferêncas dessas relações em prol de uma projeção de como queremos ser e estar.