Era uma casa muito engraçada… não tinha teto… não tinha nada…
Como quem chega de mudança começamos a construir esse espaço.
Demarcadas com giz todas as fronteiras se tonam uma ficção.
Nomeados e renomeados, os elementos que compõem essa casa são metáforas da imobilidade.
Sem paredes, propõe um raio x da situação, aberta e visível a todos.
Numa relação simplória mas recorrente de dominação, um corpo tripé que registra tudo que acontece é testemunha do interior, de outro corpo engessado, calado e ainda assim faceiro na pose.
26 de julho de 2011 em 10:13
O que é um Corpo-tripé? Aquele que só segura uma estrutura? Aquele que sustenta um olhar do outro, ou o olhar de um outro? Um corpo-andaime, que acompanha a informação “dita importante”, editada, selecionada por outra pessoa? Essa expressão traz uma grande força dentro da proposta como é apresentada aqui. O corpo-tripé de Elielson, ao se colocar nessa posição, com a câmera fixa em sua cabeça e manipulado pela Cleyde, consegue ter um olhar próprio meio subversivo, como se procurasse de lado alguma coisa que escapasse ao campo de alcance da lente, uma prótese que aparentemente é mais importante que ele.
Que tipo de diálogo se estabelece entre esse corpo-tripé e o corpo-estátua? Que tipo de engessamento há em um e em outro? Parece que o Cipó está preso em suas próprias certezas, imobilizado em sua visão de mundo. Elielson está sem sua visão própria, sempre mudando de visão, mas numa mobilidade ditada pelo pensamento dos outros. O vídeo que foi postado é bem menos interessante do que as fotos na documentalidade. O que ele nos mostra que já não vimos? A metalinguagem de como ele foi feito é bem mais sedutora.
E a maneira do tripé se rebelar não seria justamente ver as coisas que a câmera não está vendo? Discutimos para que caminhos essa ação iria e como essa pretensa subversão seria acentuada se ao invés de Elielson, a Sayara estivsse ali, levando a câmera, sendo levada por Cleyde, mas escapando a esse esquema com seus cílios postiços inquietos e o sorriso tímido vasculhando o espaço daquela casa procurando por outras coisas: uma foto de família? Uma lembrança de viagem na estante? A teia de aranha no cantinho da parede? Nesse momento do 1000 casas parece que a ação se torna mais rica quanto mais ela nos revela daquelas pessoas que acolhem os artistas em suas casas. Ali está justamente o que mais nos interessa.