
“Nossa vida não vale um chevrolet”
A dramaturgia ganha reforço no palco do Teatro Municipal João Paulo II através do projeto Leituras Dramáticas realizado pelo Centro de Criação do Dirceu e que acontece uma vez por mês com entrada gratuita. Nesta sexta, 03 de agosto, acontece mais uma sessão com a leitura do texto “Nossa vida não vale um chevrolet” de Mário Bortolloto, pelos atores da Cia. Renascer de Teatro.
O projeto foi idealizado pelo diretor do TMJPII, Marcelo Evelin e tem a curadoria do ator da Cia Renascer (grupo residente do Centro de Criação), Eraldo Maia que, a cada mês, convida um diretor teatral da cidade para participar do projeto. O diretor, por sua vez, tem a liberdade de selecionar o elenco e criar em cima do texto escolhido pelo curador. Os textos são selecionados intercalando um autor nacional e um clássico universal.
Ainda de acordo com Marcelo Evelin a intenção do projeto é estimular os artistas locais com mais uma atividade na área de teatro, lançando à diretores e atores o desafio da experimentação através de leituras dirigidas como exercício das artes cênicas. “Além disso, queremos integrar o público apresentando os textos de uma maneira diferente, inovadora”, finaliza.
Já foram lidos autores como Moliere e Tchekov, dirigidos por Moisés Chaves, Avelar Amorim e Maneco Nascimento. Em setembro será apresentado “Princesa do mar-do-sem-fim”, um texto infantil do autor Piauiense Benjamim Santos que será dirigido por Arimatan Martins.
“Nossa Vida não vale um chevrolet” foi agraciado com o prêmio Shell de dramaturgia 2002. Mário Bortolloto é diretor de teatro, dramaturgo, romancista, poeta, nascido em Londrina. Dirige, em São Paulo, a Cia Cemitério de Automóveis, na qual atua também como ator. Não negando a “linha” de construção do autor, o texto fala de personagens “out siders” e de seu mundo, representados por uma família de ladrões (puxadores de carro), um gogo boy, um “atravessador” e uma jovem solitária a procura do seu príncipe encantado. Com uma linguagem “pesada”, ágil e diálogos bem construídos, Bortolloto traduz o sub-mundo e a marginalização em que vivem seus personagens.