Desenvolvido por mim e por L.Vascons,cinemo tem como proposta a exibição de filmes longa metragem direcionado ao público infantil,que a nosso ver,ainda é um público distante dessa casa.Além da intenção de formar uma platéia infantil,cinemo desenvolveu uma forma alternativa de trazer público a esse projeto,que vemos também como uma estratégia politica de atuação artistica como integrantes do NCD,junto a comunidade.Sempre algumas horas antes da exibição,existe uma visita casa a casa na comunidade ao redor do teatro,um convite formal,explicando o projeto,a gratuidade do ingresso e a importancia da presença daquela criança num local de socialização cultural,e acreditem.Funciona!
Na primeira exibição,visitamos casas situadas apenas ao redor do teatro.Público:22 pessoas pra ver As bicicletas de belleville.Na segunda exibição a visita foi maior:58 pessoas pra ver Perséfoles.E assim tivemos na terceira e quarta exibição 63 pessoas e 58 pessoas respectivamente.A conclusão que chegamos atavés dessa ação é que culturalmente as pessoas da comunidade estão distantes,e muito distantes de uma idéia de teatro como um orgão vital e necessário na sociedade.Foi muito interessante ver alguns pais completamente perdidos na frente do teatro e perguntando:Onde é o teatro hein?!.Não sabiam sequer reconhecer a arquitetura do local,e distinguir o local de entrada.Acredito eu,resultado dessa distância cultural,e cabe a nós artistas rotulados conscientes politicamente(e espero que sejamos mesmo!)começar a pensar,mais do que trazer pessoas pra encher a platéia do teatro, procurar compreender o que faz exatamente que eles não venham ao teatro,por que o que me parece teatro sequer existe na realidade em que eles vivem.Depois dessa experiência,compreendo por que na época das eleições os politicos saem a pé,de casa em casa no tão necessário corpo a corpo.Por que funciona!
Fábio Crazy da Silva
23 de outubro de 2008 em 19:55
Hei Fabio, precisamos repetir esse método no ML também! Corpo a corpo. Tão óbvio…
24 de outubro de 2008 em 15:23
sim sergio…vamos conversar como podemos estender esse metodo ao musica logo…flw!
26 de outubro de 2008 em 14:14
Sérgio, na sexta-feira, durante o grupo de estudos, falamos sobre esse exemplo do cinemo> e a discussão abriu para os outros projetos que nós temos.
É difícil dizer se a estratégia de comunicação de um projeto é eficiente em outro, mesmo que eles se assemelhem em muitos aspectos. O ideal é que cada projeto encontre dentro da própria pesquisa, seu público e a maneira de alcançá-lo, adaptando outras estratégias, criando as próprias, etc.
Por exemplo, não sei se o boca-a-boca do cinemo>, da maneira que é feito, funciona no caso do músicalogo!. Claro, o cinemo> é para crianças, assim como o músicalogo!, porém o horário de início é às 17h (talvez agora comece às 15h). Mesmo começando às 15h, saímos uma ou duas horas antes pela casa das pessoas, convidando para as sessões.
Você tem que checar se, às 8h ou 9h da manhã de um domingo, as pessoas que moram no Dirceu estão acordadas.
Talvez você possa tentar convidar as pessoas em outros horários (também através do boca-a-boca) que no domingo de manhã acontece um projeto de música para crianças.
Outra estratégia para o músicalogo!, assim como para o cinemo>, é a da visita durante a semana às escolas próximas ao teatro.
Podemos tentar fazer uma conexão entre os dois projetos também, já que o público-alvo é o mesmo.
Na sexta fomos de cinemo> à Mediatriz, discutindo as particularidades de cada um. Nas mínimas diferenças, elas existem e, enquanto artistas, podemos pensar em pedir até uma ajudinha de Nelson Rodrigues para fazê-las escapar das lentes do tal óbvio ululante, não?