O Teatro Municipal João Paulo II recebe mais um grupo residente para estudos e produções junto ao Centro de Criação do Dirceu. Desta vez quem está em Teresina para uma temporada de três semanas é o coletivo Couve-flor Minicomunidade Artística Mundial, de Curitiba, que começa a mostrar seu trabalho a partir de amanhã, dia 15, numa edição especial do projeto Instantâneo, às 20h. A parceria entre Núcleo de Criação do Dirceu e Couve-Flor teve inicio em junho nos frios ares do Paraná e esquenta durante o mês de agosto com o sol de Teresina. Os dois grupos vêm gestando esse projeto de intercâmbio de forma independente desde o início do ano, e agora com o apoio da Fundação Cultural de Curitiba, da Prefeitura de Teresina, da Fundação Monsenhor Chaves e do Ministério da Cultura a residência se finaliza com a vinda dos seis artistas curitibanos à Teresina. Michele Moura, Neto Machado, Elizabete Finger, Ricardo Marinelli, Gustavo Bitencourt e Sthefhani Matanó trabalham durante três semanas nos estúdios do TMJP2 e encerram a programação de aniversário do Centro de Criação do Dirceu com uma mostra de processos.
A residência artística é uma novidade proposta pelo diretor do Teatro, Marcelo Evelin, que se baseia no intercâmbio entre artistas de diferentes regiões trabalhando por um período determinado no espaço físico do Teatro, e o inverso, profissionais do Centro de Criação tendo essa experiência em outros locais do país e do mundo. “O projeto visa aproximar diferentes realidades através de uma troca direta entre artistas, proporcionando a eles mais autonomia e ampliação de suas possibilidades artísticas“, comenta Evelin. A vinda dos artistas curitibanos é um desdobramento das experiências, informações e processos trocados em Curitiba inicialmente entre quatro integrantes do Núcleo de Criação , Bide Lima, Janaína Lobo, Layane Holanda e Elielson Pacheco que puderam conhecer na prática os questionamentos, similaridades, diferenças e soluções encontrados para a gestão de um coletivo independente de artistas. Em Teresina a possibilidade de troca se expande aos 18 “Dirceus” e a idéia é trabalhar junto com os “Couves” em estúdio e nesse cruzamento diário abordar procedimentos e metodologias adotados nos processos de criação dos respectivos grupos. De acordo com Gustavo Bitencourt, do Couve-flor, “ainda são poucas as oportunidades de intercâmbio artístico dentro do Brasil, e às vezes unir forças em iniciativas independentes é o único jeito de viabilizar as coisas“.
O Couve-flor Minicomunidade Artística Mundial é um coletivo de artistas independentes que vem se destacando por sua forte atuação artística e política e pela sua organização: “todos se responsabilizam por cada aspecto da realização de um trabalho e colaboram de diversas formas, tanto na realização de propostas individuais como em criações coletivas“, explica Ricardo Marinelli, integrante do grupo .Todos os integrantes do coletivo foram bolsistas do Centro de Estudos do Movimento da Casa Hoffmann em 2003 e 2004, onde puderam participar de workshops e compartilharam processos de trabalho com artistas e teóricos de reconhecida importância na produção contemporânea em dança e performance art, tais como: La Ribot, Juan Domingues, Xavier Le Roy, Tere O’Connor, John Jaspers, entre outros.
Nesse espaço, participaram da construção, organização e curadoria do Ciclo de Ações Performáticas, uma iniciativa independente que consistia em eventos semanais gratuitos. Em 2006, receberam o prêmio Klauss Vianna de Fomento à dança pelo projeto Couve-flor Tronco e Membros. Outros projetos individuais renderam prêmios aos integrantes do coletivo. É o caso de Amarelo, de Elisabete Finger (Prêmio Rumos Itaú Cultural, 2006), O que me move a me mover, de Michelle Moura, com Elisabete Finger e Gustavo Bitencourt (Prêmio Klauss Vianna de Fomento à Dança, 2006); Mais uma peça selecta, de Michelle Moura e Ricardo Marinelli, e Eu tenho autorização da polícia para ficar pelado aqui, de Ricardo Marinelli (selecionados para o Festival Move Berlim, 2007).
A convivência dentro desse novo espaço e contexto vai se estender também ao palco do instantâneo desta quarta-feira, que será ocupado pelos seis intérpretes da Minicomunidade Artística Mundial. O projeto de improvisação toma como ponto de partida uma questão específica que se transforma em “mote” num jogo que combina escolhas e decisões. A questão é formulada pelo NCD e será lançada aos jogadores convidados. O Instantâneo vem sendo apresentado gratuitamente no palco do tmjp2 todas as quartas-feiras desde janeiro de 2006, como treinamento para intérpretes-criadores, como exercício de elaboração cênica e dramatúrgica constantemente atualizado e ainda como projeto permanente de formação de platéia. Até julho deste foram 8.500 pessoas presentes no Projeto entre crianças e idosos, em sua maioria da comunidade do Grande Dirceu.
[foto:cafofo couve-flor por elizabete finger]