Tenho cozinhado na ocupação.
Cozinhar tem me feito pensar sobre arte, ou melhor, sobre a maneira que tenho desejado vivê-la.
Quando cozinho sempre descubro alguma coisa que não sabia.
Também tenho certeza de que cozinhar só faz sentido para o outro.
Cozinhar não é sobre matar a fome.
Pelo menos pra mim não é mais.
Tem sido uma maneira de ser.
De me relacionar com o conhecimento, com a criação, com as pessoas.
Apesar de eu saber que preciso comer todos os dias, não é uma obrigação.
E no final das contas, até a fome mata.
Quando não sei alguma coisa, ela não vira um problema.
Eu tento descobrir.
Também não tem diferença entre pensamento e ação.
Penso e cozinho ao mesmo tempo.
Às vezes penso com a mão, com o nariz, com palavras. Simplesmente não faz diferença.
Quando cozinho nada é um problema, porque até o problema é uma possibilidade.
Nem tudo é agradável, mas ok
Não tem expectativa, ou pelo menos ela não é mais importante do que acontece de fato .
No início não era assim, tinha problema em cozinhar porque via como obrigação.
Agora, queria que a cozinha fosse um quadrado de vidro no meio da casa, cheia de sofás, livros, fotos, música, informação e pessoas. Um lugar pra ser.
Porque no fundo, é sempre sobre a relação que se tem com as coisas.
Ser, e pelo que é, fazer arte.