Como emburrecer?

Por: às 10/05/2011 01:34:05

Nas conversas sobre arte com a Juliana, notamos que tínhamos alguns interesses e algumas opiniões em comum sobre dança hoje, sobre como fazer, e chegamos ao ponto da importância do fazer, enquanto lugar de pesquisa e de performance. Daí a criarmos uma parceria foi rapidinho, dentro do projeto dela, o Interações Estéticas. A idéia era criar uma performance que se construísse a a cada dia e eu sugeri uma ação que fosse um desdobramento do meu solo como forma de aprofundar o trabalho por uma outra via.

Fomos trabalhar, eu e Ju, na idéia da cidade quadrada, quadrados que se repetem, pessoas quadradas. O quarteirão como metáfora de como emburrecer. Perder a visão panorâmica, seguir sempre pelo mesmo caminho, não como uma escolha mas por falta dela.

Como uma situação e uma condição deixam a pessoa burra?
A cidade quadrada que deixa as pessoas quadradas. Rigidez, dureza, cantos, racionalidade.
teresina cidade planejada.
Uma forma de aprofundar um aspecto que eu trabalho no solo fazendo uma outra coisa. Um outro jeito de aprofundar um estudo.

Uma ação que acontece todo dia, ininterruptamente, durante 1 mês, sábado, domingo e feriado. A importância da continuidade do trabalho é um dos pontos que concordamos e que é crucial para esta ação.
Como ser artista e agir no tempo que se tem? eu preciso sempre trabalhar 8 horas por dia para poder ser artista? O que eu faço com o tempo que tenho? Qual o tempo que ESTA ação necessita?
A ação/performance consiste em caminhar durante 25 minutos usando a cabeçada, aquele objeto que tapam a visão lateral dos cavalos para que eles só andem em linha reta.  Acontece no quarteirão do Armazém Paraíba da Avenida principal do Dirceu, durante a semana ás 8h e nos fins de semana em horário mais flexíveis. O importante e necessário é fazer todos os dias. 2 mulheres com bolsa e cabeçada andando de manhã pelo mesmo quarteirão do Dirceu.

No sábado véspera de dia das mães fomos as 5 da tarde. Foi a primeira vez em outro horário, foi totalmente diferente, outra energia. Por causa da cabeçada, não dá para ver a reação das pessoas, mas dá pra sentir por pequenas pistas como um comentário (o clássico: é promessa?), alguém que desvia ou dá espaço para vc passar.

Já achamos um “corpo’ para caminhar e estamos descobrindo agora como empacar. Em uma semana estamos conseguindo construir algo que exista em si mas que também está todo dia se modificando.

Hoje faz uma semana que começamos e não conseguimos manter a continuidade. A segunda semana me parece que vai ser mais difícil. O exercício então para mim foi escrever sobre, criar e pensar sobre de uma outra forma.



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4 Comentários

  1. Luiz Felipe disse:
    10 de maio de 2011 em 11:04

    Legal o texto. parabéns.


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  2. Jacob disse:
    11 de maio de 2011 em 16:06

    Parece muito com a pesquisa da Ana Cecilia do colaboratorio. Interessante.
    Tem alguma relação com o burrinho da Ana Cecília?


    Responder
  3. jana disse:
    11 de maio de 2011 em 16:59

    Na verdade jacob isso é uma forma de aprofundamento do Sotaque. Não tem relação direta com o burrinho da Ana, mas não tem como desconsiderá-lo também. Só que aqui muda o lugar do burro, não o burro artista, mas uma situação espacial e de contexto que “emburrece”, enrijece as pessoas. Elas ficam quadradas que nem os quarteirões da nossa cidade.


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  4. Jacob disse:
    11 de maio de 2011 em 19:30

    Acho amplo a ideia das pessoas enrijecidas. Enrijecidas em que sentido? Fechadas, sem aberturas, intransponíveis.
    Será se essa pessoas enrijecidas são as de dentro das casas. Nessas casas tem os homens que todo sábado estão no goodgalet rebolando até o chão, será se isso não um sintoma de não enrijecido, será se o oitavo batalhão é enrijecido ou a igreja da praça? Será se não tem um julgamento no discurso?
    Eu gosto do quadrarão do armazém Paraíba mas tem mais casa lá do que Paraíba. Gosoto da proposta, a idéia de circular uma área é marcar território, se um leão marca um território, aquele é um território de leão …


    Responder

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Uma plataforma entre 17 e 20 artistas de produção e pesquisa em artes perfomáticas que opera dentro de um sistema colaborativo, atuando em diferentes linguagens. Temos o bairro Dirceu Arcoverde, maior periferia de Teresina, Piauí, como campo de interesse e lugar de referência urbana. O projeto tem se voltado principalmente para a criação de mercado e platéia para a arte contemporânea, formação de novos criadores e pesquisa de linguagem.

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  • César Costa: Marcelo, concordo contigo quando diz que só o fato de ser artista já não te coloca como medíocre. Se...
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