De manhã, aula/trabalho de “construção do corpo” com Marcelo e toda a galera do Núcleo, de noite, retomada dos ensaios do “Telefone” junto com Elielson. Cada dia da semana ocupamo- nos de uma parte específica do corpo, trabalhamos, pesquisamos as possibilidades, e questões naturalmente vão surgindo. Acaba que o tempo nunca é suficiente para tantas questões e descobertas. Pois agora, depois de um ano de trabalho, está tudo mais sedimentado, as informações recebidas agora estão mais claras e mais linkadas umas com as outras. É como se fosse uma teia que vai se formando. E entender que a dança tem uma forma específica de organização do pensamento própria, que não é racional, ainda é fascinante.
Estou realmente curiosa em ver como vai ser criar agora, entrar em estúdio, pesquisar, ou até mesmo como vai ser retomar meu solo, com esta clareza maior de tudo. Pois agora, coincidentemente voltando a trabalhar em cima do duo com Elielson, foi extremamente necessário todo o que se estava falando de manhã. A sala de aula, pra mim, virou uma laboratório, no sentido de descobrir e reconhecer realmente num trabalho já pronto – um produto – tudo o que estudamos: consciência da totalidade do corpo e das partes (de onde vem cada movimento), a dramaturgia da dança, improvisação como método de pesquisa e como forma de espetáculo… Tava tudo lá. Ou aqui.
E como acrescentar estas novas informações num trabalho que foi feito antes mesmo da criação do Núcleo? Estes nossos ensaios, que nunca foram apenas para relembrar uma coreografia, mas sempre foram uma nova busca de relações, uma limpada nos excessos, um espaço aberto para propor novas coisas, um novo olhar, uma forma de refinamento e o mais importante: procurar trazer e manter sempre o frescor da primeira vez, do primeiro ensaio. Uma coisa de ter espaço para surpreender o outro mesmo já sabendo o que vem depois. Mesmo depois de um ano e meio. O trabalho mudou, nós 2 mudamos, pois o corpo está sempre se atualizando de informações e a parte boa disso é que podemos enxergar sob outro ângulo e ver relações onde antes não havia, o que só enriquece a nossa dança, as nossas questões. Mas, calma, a maioria das questões ainda está sem resposta. Ainda bem.
::Janaína Lobo::
25 de março de 2007 em 17:03
Parabéns pelo blog, abraços!