Conversatório: Marcelo e Peter Pal Pelbart

Por: às 08/09/2011 12:13:41

Encontros Provocativos, Bienal SESC de Dança (Santos). Peter traz: o corpo do informe. Gesto é um meio sem finalidade… sabe dança? O mundo tá ficando por demais categórico, e você só se mantém permeável se conseguir se manter numa condição de fragilidade. É preciso se manter inacabado. Um corpo saudável, pronto, finalizado, um corpo otimizado, produzível (que produz) é um corpo blindado.

Ser afetado pelo mundo é a condição primeira de todo corpo, é aquilo que lhe é mais próprio. Todo sujeito vivo é um sujeito afetado, que “sofre”e seleciona aquilo que lhe atravessa. Selecionar o que nos atravessa é a maneira de poder continuar sendo afetado.

Como um corpo tem a força de estar a altura de sua fraqueza, ao invés, de permanecer na fraqueza de cultivar sua força? Todo corpo é também impotência.

Será preciso construir um corpo morto para que outras forças nos atrevessem? Um corpo que não aguenta mais. O que ele não aguenta mais? Tudo que o coage por dentro e por fora.

E a tal utopia pós-orgânica? Uma síndrome meio platônica ressucitada, uma ceta obsessão por uma existência não-corpórea, fluída, idealizada? O corpo virtual e imaterial, digitalizado, reduzido a combinatória de elementos simbólicos que pertencem a um sistema finito. Nós estamos num processo de se anexar ao mundo.

Exercício de incorporar idéias (teoria X dança) mas sem uma relação hierarquica de dentro e fora, de algo que preciso ir buscar para… um a priori que legitima meu fazer. Não nesse sentido. Será que essas idéias, que toda essa teoria não poderia funcionar como ferramenta, como um processo de ativação desse corpo. Se minha prática precisa ser legitimada, bem isso é uma distorção terrível.

Indio Kroá, vida besta, comida por quilo. É preciso entrar em estados de suspensão, de uma certa desconexão com o mundo, talvez isso seja um tipo de resistência.

Máquina de indiferenciação. O quê eu preferia…não?



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2 Comentários

  1. Soraya disse:
    9 de setembro de 2011 em 12:24

    Tudo ao nosso redor gira em torno da eficiencia e produção,do corpo pronto,do estado de prontidão,das propagandas do coma legumes pra durar mais estando as prateleiras e nosssos armarios cheios de comida rapidas,da vida da gente nunca dar tempo de fazer nada…daí um dos Homens da filosofia chaga e sugere:vc é fragil,aqui no sentido de fragil no se permear,que a condição primeira é ser afetado,isso todo e qualquer individuo…agora eu pergunto minha gente:porque diabo é que a gente se blinda?Em que consdições isso se afirma?Se manter inacabado?Se vc tem que ser claro,definido e coerente all the time?
    O que fazer com o espeço do que não sabemos no meio dos posicionamentos claros?Da morte declarada do outro?
    Ieihhhhh!!!
    Mas num estudo pra concurso,embora eu morra!!!


    Responder
  2. L.H. disse:
    10 de setembro de 2011 em 12:41

    “Se manter inacabado? …se você tem que ser claro, definido e coerente all the time? ”
    Você tá dizendo que isso nos é exigido não apenas na vida, no mundo, mas também aqui né….? numa escala mais micro, nesse lugar de trabalho.

    É foda! Porque eu sinto que a maneira de lidar com aquilo que não sabemos, por aqui é assim: a gente estipula um tempo. E de preferência
    Tipo uma prova sabe. Você pode até não saber, mas nao demore muito, saiba logo, encontre logo essa clareza…. e isso é muitoooo sutil e diferente em cada um. E eu entendo quefaz sentido, porque não dá pra experimentar a vida toda, tentar a vida toda, não saber a vida toda. Então essa temporalidade vai mudando. É tipo assim: “Dane, você já teve esse tempo aí de ver qual era esses dilemas, e aí qual é”? , ou ainda, “Gente, a layane pediu quatro meses de afastamento” que é tipo uma licença-prêmio (conhece esse termo?) para eu nao saber. A gente até institucionaliza o não saber como um afastamento, um descolamento para fora, porque é quase insurpotável aguentar a pressão de não saber estando-se dentro.

    A maneira como lidamos com essa condição de se manter frágil, inacabado ainda é impregnada dessa funcionalidade, dessa produtibilidade capitalista. Essa temporalidade, quase como uma permissão ainda é muito conectada com esse mundo do resultado, que nos diz o tempo todo não render, nao produzir, nao fazer é um excessão….é uma lacuna. É uma chance que te dou, mas por favor, nao demore, volte logo, tem data de validade muito clara. Lembro do Guga me explicando em mesa de bar que o capitalismo nao é apenas um sistema econômico, ele é algo que opera simbólicamente nas nossas células, na nossa percepção, que distorce nossos entendimentos. Que em muitos níveis determina o que somos, como somos.

    É paradoxal mesmo.


    Responder

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