corpordinário

Por: às 25/01/2010 20:44:00

Estou aqui depois de uma semana de trabalho com o Cris no processo do corpo radiografado. Uma semana intensa e deliciosa, que passou voando. Cabeça borbulhando, um ar novo no processo. Em uma semana fizemos muita coisa: nadamos, identificamos questões presentes e caminhos para se seguir, inventamos e testamos alguns procedimentos físicos, pensamos em criar um planeta, listamos ações simples, fizemos café e macarrão.

Muitas coisas estão na cabeça ainda para assentar e entender cada vez um pouco mais…mas é muito bom poder fazer e ver a transformação das coisas, como os tubos de ensaio em um laboratório explodindo e mudando de cor.

Como um trabalho não é sobre algo, mas é algo em si.

Colocar o corpo em um lugar onde ele gera informação, sentido e leituras e não precisa de artifícios externos. Tira os objetos, as amarras, tudo. Pra mim é extremamente inspirador pensar nisso, ir por este caminho. Um novo jeito de acessar talvez as mesmas coisas, mas o COMO faz toda a diferença no material produzido.


:: berçário de super-heróis::

Nascer, criar um planeta. Instalar um lugar e não um mecanismo.

reconhecer as regars e lógicas que regem este “lugar”

executar ações concretas. Essas ações são um híbrido entre a disfunção e o super poder.

um olhar cientifico pro corpo, que executa ações concretas e simples. Luz fria!

o corpo totalmente engajado e comprometido com ações banais.

desenho do movimento e da ação. Lembra os princípios de Laban!

pedaços concretos de corpo.

Pensar em coreografia como as regras e a lógica de funcionamento de um comportamento – onde daí a coreografia “aparece” e não somente como uma ordem fixa das ações.

Alterar a percepção – pra gente e pra quem assiste – fazendo coisas ordinárias. Manipulando o tempo?

Dínamo – transformar energia mecânica em energia elétrica. Tranformar ações simples e concretas em “coisas especiais”.

Universo sintético – estamos criando novos materias, mas que são totalmente consequentes dos materias que já existiam anteriormente.

Montar um quebra cabeça onde cada peça se encaixe e traga uma informação diferente. Camadas diferentes, mas sem criar legendas.

Grama sintética, ventiladores, picadeiro de circo, luz fria, tapete de EVA.

Questões que surgem a partir da idéia de um corpo fracassado, looser, limitado, mas que tem super poder, que tem que conseguir. Ordinário.

E se eu fosse um souvenir? souvenir de quê?



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1 Comentário

  1. Cipó disse:
    27 de janeiro de 2010 em 2:02

    Movimento concreto, entender ação como um trabalho que tem que ser feito.

    A simplicidade desse fato e o COMO, tem me feito ver esse trabalho de uma outra forma, onde mesmo na ação direta e praticamente definida é esse COMO que transforma e traz um espaço que distorce a forma e possibilita ficarmos mais um pouco pra não morrer de tédio.

    E amanhã tem natAÇÃO!


    Responder

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Comentários

  • ju: Muito bonito! Tem muito caldo nessa idéia de baiar e exceder a individualidade a partir de um ambiente gerado por...
  • Kayoo': Muito Bom Muito Lindo e Muito “Estigador “
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