A vinda da helena katz trouxe muito ar para circular entre nos, em tempos de ares rarefeitos. De tudo o que nos contou, explicou, questionou e propôs, esta ficando a constatação mesmo do que ela defende: Uma modificação nos modos de pensar, o que afeta consideravelmente o corpo, a partir da feitura de novos mapas neste corpo.
E não seria isso o mapas do corpo?
Ir compreendendo esses mecanismos de escolha e armazenamento de material para nossas vidas, nossa maneira de estar no mundo?
Ir aprendendo como se aprende e dividindo com o outro o que ainda não se sabe?
A idéia de criar critérios para uma lógica de funcionamento acerta no ponto, porque critérios e lógica vem antes de funcionamento. São mapas criados a partir do que se quer e como se quer, antes de estar funcionando. E’ pré requisito para fazer funcionar e não se pode falar nisso sem um engajamento. Essa idéia de engajamento só existe no corpo – nos mapas que ele produz para si mesmo -, no corpo que se prepara para agir na projeção da felicidade desejada.
Me pergunto se o que a helena buscou fazer – com uma descrição elegante e silenciosa – não foi mediar, tornar meio para. Mediar impasses, duvidas, orgulhos e vaidades, mediar o que se vê confinado em nos enquanto vontade e potencia, mediar a possibilidade de tentar de novo uma comunicação, um engate do quê somos em nos mesmos e para os outros.
Mediar busca reconhecer o que se da ali no momento, fazer trabalho de parteira que apenas estimula mas não sente dor, que orienta procedimento para fazer nascer alguma coisa. Mediar não se parece com traduzir, nem orientar, não e’ ditatorial e nem anárquico, se parece com biruta de vento que apenas mostra que ha vento, constantemente oscilando entre pontos cardeias.
E o que nos faz caminhar, sentar, comer, tirar a roupa e se bater na parede de uma maneira que sabemos não e’ da mesma maneira que fazemos na vida?
E o que torna isso arte, produto que contamina, que se comercializa, pólvora explosiva de um traque?
Fico com as questões e a dificuldade delas…e os ventos que soprem, pra fazer dançar as birutas.
Marcelo.
2 de outubro de 2008 em 0:26
Macelo vejo que essa é uma palavra, certeira MEDIAR. agora temos que ver como essa mediação modificou todos nós. termos consiencia dessa modificação.