E Quando o Telefone Finalmente Toca, o Deserto da Espera já Cortou os Fios…
A investigação do antes e depois dos desentendimentos de uma relação foi o ponto de partida para a concepção deste trabalho, que também teve como base as impressões e sensações obtidas na leitura do conto “Por Não Estarem Distraídos”, de Clarice Lispector.
Este duo é o resultado de uma pesquisa corporal dos dois intérpretes-criadores na busca de uma linguagem própria de dança, caracterizada por um movimento puro, orgânico e repleto de significado.
O espetáculo trata dos relacionamentos contemporâneos, e a sua partitura corporal foi criada a partir da observação e reflexão de como as pessoas vivem juntas hoje em dia, suas inquietações, como e quais são os conflitos presentes e suas possíveis soluções. Um relato contemporâneo das relações amorosas não concretizadas ou já finalizadas.
O desencontro é uma constante no trabalho. Ele se confirma na música, nos movimentos e dinâmicas presentes. São 2 pessoas que ocupam o mesmo espaço físico e suas possíveis interações, mas a proximidade destas pessoas não as faz necessariamente cúmplices. Ou são 2 pessoas que por algum motivo, talvez imperceptível a eles, não conseguem ultrapassar certas barreiras diárias? A dramaturgia aberta oferece a oportunidade ao público de construir a sua própria verdade.
O tempo é mostrado com ações que podem ocorrer em instantes ou sugerir a duração de anos. Os intérpretes criadores se colocam como corpos que se movimentam em constantes tentativas ou não de entendimento entre si.
Este espetáculo, do Núcleo de Criação do Dirceu, é o primeiro trabalho de autoria e interpretação de Janaína Lobo e Elielson Pachêco. O trabalho estreou em setembro de 2005 no Teatro João Paulo II, em Teresina, e já se apresentou em todos os teatros da cidade, contabilizando 8 apresentações.
[Por Janaína Lobo]