Segunda fase do Projeto 1000 casas, onde a pegada é misturar, apoderar-se do que é do outro, mesclar para que não exista um dono. Afinar o discurso não só no fazer performático, mas principalmente na documentalidade. O desafio é deixar de ser singular e virar plural.
Nos Dividimos em grupos baseados na abordagem das ações, usando a metáfora de visita e assalto, mas principalmente porque algumas ações que aconteciam separadas poderiam juntas reforçar ainda mais o que desejamos discutir.
Criar um Espaço associativo e simbólico do que é uma casa, de uma privacidade. A casa a ser visitada. Um espaço que reforce a ação, um lugar de apresentar ou representar, dentro de um lugar de estudo, de misturar reflexões, de beber e comer das relações com o outro.
Embrulhar o corpo pra que? Pra proteger? Pra conservar? Pra deixar de ser e/ou passar a ser o que você não se sabe dizer? O que vem a ser a performatividade de um corpo simbólico? De um corpo feito na lembrança e na informalidade privada? Quais as regras ou etiquetas?
O canto da casa, registrada, ocupada pelo registro de quem vive lá, com as paredes segurando um tempo decorrido, onde o corpo é o elemento propositor e construtor da obra, ou a obra já é o próprio corpo, vivo que se embrulha e que não é morto, encapado a olho nu, que se cobre pra se transformar, ritualizado, compondo e agenciando novas configurações a partir de uma condição, estado há que é colocado, acondicionado para preservar ou acomodar uma nova presença, maleando dentro das impossibilidades que se propõe e se desfaz da forma, pra beirar e se apresentar na feiúra, na monstrificação, que cria um tempo comum, um vinculo apoiado numa intimidade revelada, na presença do espectador que também é artista e o artista que mostra o que está ruminando.
O Ritual Antropofágico dos Tupinambás, nos parece uma boa referência, pois nesse ritual existia uma lógica de troca entre o inimigo capturado e a comunidade que o capturou, onde essa antropofagia não passava apenas pela prisão, morte e canibalismo, o inimigo era levado a familiarizar-se com a tribo, a fazer parte daquela dinâmica social, mesmo sendo o outro, incorporava os hábitos daquele lugar, nunca deixava de ser reconhecido como inimigo. E no devorar o outro, o inimigo, se tornava outro ser.
http://www.youtube.com/watch?v=BIg7BgGtD1Y&feature=youtu.be