De singular para plural

Por: às 26/07/2011 12:48:06

Segunda fase do Projeto 1000 casas, onde a pegada é misturar, apoderar-se do que é do outro, mesclar para que não exista um dono. Afinar o discurso não só no fazer performático, mas principalmente na documentalidade. O desafio é deixar de ser singular e virar plural.

Nos Dividimos em grupos baseados na abordagem das ações, usando a metáfora de visita e assalto, mas principalmente porque algumas ações que aconteciam separadas poderiam juntas reforçar ainda mais o que desejamos discutir.

Criar um Espaço associativo e simbólico do que é uma casa, de uma privacidade. A casa a ser visitada. Um espaço que reforce a ação, um lugar de apresentar ou representar, dentro de um lugar de estudo, de misturar reflexões, de beber e comer das relações com o outro.

Embrulhar o corpo pra que? Pra proteger? Pra conservar? Pra deixar de ser e/ou passar a ser o que você não se sabe dizer? O que vem a ser a performatividade de um corpo simbólico? De um corpo feito na lembrança e na informalidade privada? Quais as regras ou etiquetas?

O canto da casa, registrada, ocupada pelo registro de quem vive lá, com as paredes segurando um tempo decorrido, onde o corpo é o elemento propositor e construtor da obra, ou a obra já é o próprio corpo, vivo que se embrulha e que não é morto, encapado a olho nu, que se cobre pra se transformar, ritualizado, compondo e agenciando novas configurações a partir de uma condição, estado há que é colocado, acondicionado para preservar ou acomodar uma nova presença, maleando dentro das impossibilidades que se propõe e se desfaz da forma, pra beirar e se apresentar na feiúra, na monstrificação, que cria um tempo comum, um vinculo apoiado numa intimidade revelada, na presença do espectador que também é artista e o artista que mostra o que está ruminando.

O Ritual Antropofágico dos Tupinambás, nos parece uma boa referência, pois nesse ritual existia uma lógica de troca entre o inimigo capturado e a comunidade que o capturou, onde essa antropofagia não passava apenas pela prisão, morte e canibalismo, o inimigo era levado a familiarizar-se com a tribo, a fazer parte daquela dinâmica social, mesmo sendo o outro, incorporava os hábitos daquele lugar, nunca deixava de ser reconhecido como inimigo. E no devorar o outro, o inimigo, se tornava outro ser.

http://www.youtube.com/watch?v=BIg7BgGtD1Y&feature=youtu.be



Compartilhe:





Você também pode gostar de:


Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*


7 − 6 =

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Quem Somos:

Uma plataforma entre 17 e 20 artistas de produção e pesquisa em artes perfomáticas que opera dentro de um sistema colaborativo, atuando em diferentes linguagens. Temos o bairro Dirceu Arcoverde, maior periferia de Teresina, Piauí, como campo de interesse e lugar de referência urbana. O projeto tem se voltado principalmente para a criação de mercado e platéia para a arte contemporânea, formação de novos criadores e pesquisa de linguagem.

Categorias

Comentários

  • Elielson Pacheco: Me sinto meio idiota no momento. E fico pensando qual é o ponto do desmoronamento que tem que ir...
  • César Costa: Marcelo, concordo contigo quando diz que só o fato de ser artista já não te coloca como medíocre. Se...
  • Danielle: Não dá pra não fazer conexões entre as coisas ditas, ouvidas, feitas, vistas e acontecidas. Acho que não...
  • weyla: Hoje conversando com minha avó ela me disse que não queria mais comprar roupas porque tava perto de...
  • elielson: de comer e se comer sim. opa!

arquivo