Delicadeza pra Mandar e Obedecer

Por: às 11/02/2008 18:44:00

[foto: Aline Neves]

No primeiro dia de Vapor eu entrei quando as cadeiras já estavam ocupadas e vi o espetáculo um pouco de longe. Foi engraçado, porque quando fui dar por mim, os intérpretes já estavam no palco com aquela luz de pino (o que me deixou um pouco confusa). A primeira coisa que passou pela minha cabeça foi um homem gigante segurando uma boneca. Isso já fez com que eu visse tudo dessa forma, um homem que manipula uma mulher como se fosse uma boneca, ponto.

No segundo dia foi outra coisa. Consegui ver uma delicadeza que não vi da primeira vez. Há delicadeza num corpo que está pronto para “obedecer” e há delicadeza num corpo que escuta para “mandar”. Mas também pude ver o quanto um corpo aberto pode inquietar e incomodar. E isso me interessa. Eu pude ouvi-la. Ouvia os suspiros dela enquanto era jogada de um lado pro outro. Foi angustiante porque eu tinha mais certeza de que ela era uma mulher e não uma boneca, mas mesmo viva e sentindo, parada. Também foi bonito porque o Raul vinha e tapava a boca dela, como se aquilo incomodasse. E ali, para mim, o controle era dela. Assim como quando eu via o corpo dele chamando o dela de alguma forma e e largando-o de novo, meio decepcionado, incapacitado.

Ele tinha o corpo dela completamente aberto aos seus estímulos, mas eu podia ver que às vezes ele não sabia muito bem o que fazer com aquilo ou não podia fazer muita coisa ou não queria. Mas, aparentemente, o controle era dele então ele tinha que fazer alguma coisa. Quer dizer, você aparenta ter todo o controle de uma situação, mas parece que isso não é o que realmente interessa. Por que será? Será que quando Helena vai até Raul e coloca sua cabeça nas mãos dele, num ato voluntário, ela está sendo manipulada? Será que não é ela que controla a situação o tempo inteiro até cansar, resolver levantar e ir embora? E será que não é ele o controlado que não tem outra opção senão continuar jogando ela de um lado para o outro, arrastando, levantando, derrubando, abraçando, empurrando, puxando atéééé ela resolver que chega?

Ariane Pirajá



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8 Comentários

  1. Anonymous disse:
    11 de fevereiro de 2008 em 19:04

    Fica mais facil de ver depois que te dizem como vc deve ver né? manipulação tb se dá for a do palco.


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  2. Farias disse:
    11 de fevereiro de 2008 em 20:10

    Sim senhor Marcelo é uma pena você não conhecer meu trabalho. Sei eu não lhe interesso por que sou de Teresina, e sei muito bem que nada do que acontece aqui lhe interessa, e é essa a educação que você passa como formação de seus pupilos, pois eles também não gostam de nada que não seja oferecido a eles por você e que venha de fora.

    Quanto ao seu trabalho eu conheço e sei que desde cedo, seus trabalhos você tem uma porção de coisas que giram em torno das temáticas: sexo X homo afetividade X seus desejos X prazeres íntimos.

    Ou seja, um duo com Marcelo em Antena, uma lambida ou beijo de realização no Bull Dancing, do musico, um nu do punk rock, uma dança sensual para o violonista em Nossa Senhora das Flores ou mesmo sua realização fatal no solo ai ai ai. Até um duo criado especialmente par ir para Amsterdam com bboy dessa performance.

    Todos escondidos por trás da arte. Procure analise e não é pouca não. Resolva-se sexualmente assim terá dado um passo além do sexo e atingido a arte. E não o aproveitamento próprio.

    Paro por aqui. Mas paro mesmo, nem venho mais no blog é o q quero dizer. É só te dar espaço pra tu vir com tuas questões educadinhas (hipócritas), do tipo: Acho importantes as tuas colocações e não se trata aqui de justificativa, mas me assusta um artista solto por ai com noções como certo e errado, padrões fixos e “valores ate mesmo artísticos”.

    Quando vocês vão parar de se esconder com os termos de frases feitas? Tipo: são as minhas opções, são as minhas escolhas. Quando?

    Poderiam pelo menos uma vez dizer, que fizeram algo por que diverge ou concorda com algo. Com argumentos. Difícil isso para os nucleotídeos, pois argumentos têm que serem dados por ti né?! Vai longe pense por eles assim eles alcançaram o nirvana da bolsa que recebem.

    PS: Quem é portelinha? não deve ser nem artista.


    Responder
  3. L Vascons disse:
    11 de fevereiro de 2008 em 20:29

    Caro ‘anônimo’,

    colocar nos outros a [ir]responsabilidade de nossa incompetência sensorial (no sentido de enxergar e perceber as variadas possibilidades de algo que nos foi exposto) é bastante fácil, indolor, diria até mesmo que anestésico.
    Caso você tenha visto o espetáculo em questão, provavelmente tenha percebido que nas conversas posteriores à Vapor, utilizou-se por várias vezes a palavra verticalização (palavra que gerou todo um debate em torno de seu universo-significativo). Se você participou, talvez tenha idéia do assunto em questão. Caso não o tenha feito, pare essa leitura por aqui mesmo e seja feliz em seus comentários infelizes.
    Do meu modo de ver as coisas, o que Arianne Pirajá está se dispondo a fazer quando escreve um texto como esse e posta no página em questão, é abrir ainda mais esse leque de possibilidades…e não no sentido de horizontalizá-las (o que também não é ruim – aliás, me diga uma coisa que o seja), e sim no sentido de expor aos outros o processo de verticalização dela quanto ao espetáculo de Helena, Raul e Vera. Esse é o Vapor de Vera, Raul, Helena e agora de Arianne. Quando se apresenta algo há alguém, ou seja, quando há comunicação, a informação é automaticamente horizontalizada, espalhada, distribuida e a partir desse ‘start’, cada receptor atribui a ela os pontos de conexões de significado e sensações específicas, pontos de convergência entre o universo-receptor e o universo-transmissor e é então, nesse meio invisível, nesse canal de troca, que ambos saem com possibilidades ainda mais apliadas em seus, digamos, recipientes pessoais. Arianne Pirajá informou (no sentido de dar forma, de inserir conteúdo em uma forma) a quem por acaso venha a visitar e ler o blog, a respeito de uma pequena amostra do que está sendo gerado no corpo da mesma, após o evento Vapor neste corpo em específico. Arianne disponibilizou suas lentes de captação, deu um zoom, aprofundou, sintetizou.
    Não tenho certeza se você acompanha os textos do blog, isso também não me interessa, mas caso não acompanhe, volte algumas páginas e leia um texto escrito por um rapaz de nome Marcelo Evelin sobre ANONIMATO. Anonimato como forma de revelar-se ainda mais, anonimato como reafirmação do ser, que agora já não precisa de um nome, de um rótulo, porque já é simplesmente o que é, e consegue ser percebido pelos outros corpos como tal. Esse não é um espaço para hienas covardes (tente abstrair um pouco…sugiro que pense no Rei Leão II), estagnação da hipocrisia, mas sim de aceitação de si e dos outros, e de como esses corpos unitários e múltiplos podem gerar novas informações e repensar velhas. Se lhe incomoda o fato de que as impressões da escritora não batem com as suas, tente aliviar essa dor, escreva uma crônica, mande uma resenha para o e-mail de Marcelo ou de Layane Holanda, peça para publicarem algo seu em um Jornal local, assim você fica ‘famoso’ e ganha admiradores (que loucura, que maravilha, não é mesmo?). Se lhe incomoda o fato de que outra pessoa tenha essa abertura de colocar as impressões dela para quem quiser ler e acrescentar algo a si mesmo e de si mesmo, coisa que você visivelmente não possui, adquira, se mate, vá comprar um MacLancheFeliz (é assim que escreve?). Faça tudo isso, menos colocar SUAS expectativas no corpo de outra pessoa. Se não existe competência no seu para utilizar a mídia escrita com a mesma qualidade de corpo da autora do texto, procure outro modo, procure, procure.
    Arianne, teus textos são muito bonitos de se ler, não necessariamente pela fala ou pelo modo como você organiza seus pensamentos ( que aliás também é muito bonito), mas pela atitude que eles pressupõe, por simplesmente saber que eles existem. Esse em particular ampliou ainda mais o meu mundo-vapor.

    Que as pessoas que frequentam os espaços físico e virtual TMJP2 revejam seus olhares. Ainda existe muito julgamento a la certo/errado, direita/esquerda, bonito/feio, amigo/inimigo, simpático/rude, proibido/tolarável, católico/satanista, em um ambiente no qual a proposta é a mais simples das possibilidades, a de percepção, aceitação e exposição do que simplesmente é, de como as coisas são, independente do que elas ‘queiram ser’. Falo isso inclusive pra mim, é externo e interno. E como me disse uma pessoa ontem após alguns instantes de conversa: só quero finalizar dizendo que tudo o que eu acabei de falar aqui é mentira.

    Obrigada pelo texto, Arianne.


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  4. OZÉ disse:
    11 de fevereiro de 2008 em 20:50

    Caro ‘farias…’,

    acabei de escrever um texto muito extenso a outro vocacionado a funcionalismo público ineficiente, seu amigo ‘anônimo’. Por tanto vou ser breve: temo muito que Marcelo não durma hoje por causa de seu texto de conteúdo A-V-A-S-S-A-L-A-D-O-R. Pensando bem, talvez nem eu durma, porque é muita verticalização para um corpo só, em um texto só (visualize o debate sobre verticalização como o seu corpo em cima de um prédio pulando e descendo em direção ao asfalto, porque a impressão de que a sua verticalização particular, exposta em seu ensaio, é essa).
    Sugiro que você procure estudar um pouco de retórica. Não vá em Sócrates e Platão…pegue da prateleira um outro tipo de livro, desses feitos para pessoas REALMENTE ESPERTAS…sabe? Pessoas jovens, rebeldes, taltaltal, como quando se tem 15 anos e uma PUTA necessidade de auto afirmação…que ao tomarem a decisão de nunCa mais escrever em um blog, tenham que ir ao referido blog e ficar repetindo: Olha, eu não gosto desse blog. Vocês são feios, vocês são feios, vocês são feios. Eu não venho mais nesse blog. Nem adianta insistir, eu não venho mais. Eu juro. Eu juro pela minha mãe. Eu vou contar pra ela que não venho mais nesse blog e se vocês ainda ficarem me chamando ela vai contar pra tia da 2ª série.

    Ora, se você não quer mais vir, então…NÃO VENHA, CUZÃO.
    (desculpas aos cús do mundo pela ‘licensa poética’).

    Ps.: MOMENTO EDUCATIVO DA REVISTA SUUUUUPER INTERESSANTE: SEGUNDO O WIKIPÉDIA BRASIL, PORTELINHA É UM NOME FICTÍCIO (FRICTÍCIO-HU) DADO A UMA COMUNIDADE PERIFÉRICA CARIOCA POR ALGUM ROTEIRISTA DA REDE GLOBO. VOCÊ PODE SABER MAIS SOBRE A PORTELINHA ACESSANDO http://WWW.GOOGLE.COM E DIGITANDO “PORTELINHA”, OU LIGANDO SUA TV ÀS 21 HRS DE SEGUNDA À SÁBADO NO CANAL REDE GLOBO. É…PORTELINHA EU ACHAVA QUE ERA O SOBRENOME DE ALGUMA PESSOA (ALIÁS, DE VÁRIAS NÉ?), MAS REALMENTE…TENHO QUE DAR O BRAÇO A TORCER…VOCÊ ESTÁ CERTO…VOU BOTAR UMA ESTRELINHA AO LADO DO SEU NOME NA SALA, PORQUE ESSA TAL DE PORTELINHA NÃO É MESMO NENHUMA ARTISTA (mas váaaaarios globais moral lá =) ).

    Tchau, Farias.
    Beijos, e no dia em que você começar a usar seu outro sobrenome, aquele que não está no futuro do pretérito do indicativo, me liga.


    Responder
  5. L.H. disse:
    12 de fevereiro de 2008 em 9:43

    Ok.Farias?
    artistas plástico?Quem é você afinal, por favor? Confesso a curiosidade: pode me deixar pelo menos conhecer o seu trabalho? Porque o anonimato exercido por você nesse blog beira o terrorismo.E esse tipo de estratégia ou de espetacularização gera apenas ibope.

    A idéia é trocar e não atacar. E poderíamos ate entrar num debate sobre o que vem a ser o exercício crítico. Mas eu realmente não consigo encontrar motivos suficientemente fortes pra retomar uma discussão com alguém que simplesmente profere sentenças. Uma pena!

    Não pretendo tornar esse espaço do blog, uma arena, onde motivações politicas, sexuais, pessoais, religiosas e que não se aproximam de uma discussão artística (sobretudo)ocupem meu tempo.

    Boa sorte!
    p.s.: O que faz de alguem um artista? Um título que confere “exelência”? O virtuosismo? Um cargo? a sua “obra”?

    Pra mim é antes de tudo sobre como vemos o mundo. E minha visão de mundo não se organiza numa estrutura dual ou hierarquica: o “lado do bem” e o “lado do mau”. o certo e o errado. O amigo e o inimigo. O bom e o ruim. Corpo e Mente. Sexo e Arte. este blog e a cidade. Piaui e o resto do mundo.


    Responder
  6. iacob alves disse:
    12 de fevereiro de 2008 em 16:50

    Haaaaa, os lírios do campo conduzem meu espírito a calmaria e paz…

    Obrigado Ariane pelo texto,sinto muito por esse espaço ter sido poluído,mas teu texto me esclarece muita coisa


    Responder
  7. elielson disse:
    13 de fevereiro de 2008 em 5:11

    quando você não consegue enxergar nada de positivo nas coisas, no que viveu é porque não há nada de positivo para ser trocado. já que não se vive sem trocar nem que seja luz do sol.
    Não da pra ver nem busca por ibope. é sistema fechado, encerrado, como um tipo de morte, de suicídio, é quando finda a esperança. não estou falando de resistência, de incapacidade mas de desistência. foi tiro pra todo lado, inclusive em si mesmo.
    estamos dispondo aqui de um espaço para se compartilhar e discutir visões de mundo, experiências distintas, contrárias até, não para autodestruição.


    Responder
  8. Platéia disse:
    13 de fevereiro de 2008 em 13:07

    feiofeiofeio.


    Responder

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Uma plataforma entre 17 e 20 artistas de produção e pesquisa em artes perfomáticas que opera dentro de um sistema colaborativo, atuando em diferentes linguagens. Temos o bairro Dirceu Arcoverde, maior periferia de Teresina, Piauí, como campo de interesse e lugar de referência urbana. O projeto tem se voltado principalmente para a criação de mercado e platéia para a arte contemporânea, formação de novos criadores e pesquisa de linguagem.

Comentários

  • ju: Muito bonito! Tem muito caldo nessa idéia de baiar e exceder a individualidade a partir de um ambiente gerado por...
  • Kayoo': Muito Bom Muito Lindo e Muito “Estigador “
  • Layane Holanda: pois é tem um tom meio “bacaninha” mas sabia que eu gosto da cara de pau, é meio...
  • L.H.: que lindasssssss……so peguei os vestigios, comentários e impressoes da tarde. Que lindo o...
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