discrepancias

Por: às 25/02/2012 21:17:19

Discrepancia nos dicionarios de portugues significa basicamente divergencia e disparidade. Essa palavra foi sem duvida a mais trazida na reuniao do nucleo do dirceu hoje cedo. E significa ainda desigualdade, desproporção, des­se­me­lhan-ça, diversidade, disparate, despropósito, absurdo. O que fazer quando tal palavra e’ trazida sorrateira, quase casual e acaba por determinar uma situacao momentanea e um impasse estanque? ou seria um dilema sem saida?

Big-bang. Cosmological constant. Einstein. Teoria da relatividade. Gravidade. Contracao e expansao do universo. O design do mundo. Para existir design tem que existir um designer? Lambda, a letra grega como um V de cabeca para baixo. O universo sem principio nem fim. Aglomerado e dispersao de moleculas de atomos. As galaxias enfileiradas a distancias mutaveis. Tudo isso se refere a cosmologia, pelas teorias da fisica que apontam para a expansao do universo em que estamos inseridos.

Na antropologia social, cosmologia se refere ao universo de simbolos, ao entendimento de um mundo particular e ao compartilhamento de uma linguagem objetiva e subjetiva comum entre um grupo de pessoas. Seria o tal angu de gente, gente misturada nos espacos urbanos perifericos, nas oscilacoes do jogo social, nos mecanismos de poder acessiveis a um poder maior, na artificialidade fake da midia de massa. gente arrastada junta pela correnteza do capitalismo feroz e inevitavel.

Esse universo em expansao podera ser compreendido como sendo uma discrepancia em si? Um disparate, um absurdo, algo desproporcional ou desigual? Poderiamos aplicar aqui a palavra que nos chegou tao emblematica para tentar subverter a logica dual do positivo versus negativo, e ampliar a discussao para a complexidade maior e real que e’ a nossa existencia nesse mundo.

E o que fazemos nos os artistas no meio de tantas discrepancias e misturados a elas e camuflados nelas?  Poderiamos propor de passar a chamar diversidade cultural de discrepancia cultural, pelo mesmo ai teriamos o fator atrito para mexer o angu. E essas casas todas que se vem adentrando, nao estariam ai as discrepancias culturais, sociais, politicas e economicas que teremos que lidar em nosso trabalho?

Bem vindos ao deserto das descrepancias incondicionais, muchachos. O angu e’ seco e aspero e as intensidades pereciveis como os tempos e os corpos. O universo se expande impassivel e chacoalhante pelos intermedios do fim, enquanto o vento sopra as tempestades que nada mais sao que as discrepancias entre a massa e o ar, a atracao e  a dispersao do que somos, o eterno disparate entre existir e no proximo instante nao mais existir.

 

 



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1 Comentário

  1. Caio disse:
    26 de fevereiro de 2012 em 14:26

    Discrepância?
    Diversidade?
    Discordo.
    O dicionário pode ter razão, mas eu tenho licença poética.
    Eu sou poeta
    Desconfio que há uma diferença nessas palavras-ideias.
    A discrepância ao meu ver nos joga no aprisionamento das polaridades!
    Reconhecemos nela dois ou mais objetos com uma diferença que impossibilita a mistura e contaminação entre eles, pois a única relação que há meu bem é a de afirmação da distancia entre esse objetos.

    Assim é assim.
    Assado é assado.
    Como assim?
    É preciso ser assim-assado.
    É preciso ser assim
    Assado.
    Como angoo.
    Misturado.
    Melecado.

    Como acredito na minha razão irracional de poeta convido meu amigo Aurélio para dizer que alguns dos sinônimos de diversidade são: flutuação, heterogeneidade, inconstância, multiplicidade, pluralidade, variação, variedade.
    A diversidade se atrai.
    Reconhecemos nela que existe outro, mas esse outro não serve apenas para me reconhecer como individuo. Sugere que existem diversos caminhos para se relacionar com o outro

    EUOUTRO

    Sugere-nos um entre-lugar, terceira margem do riu, ou melhor, é como se fosse a farinha do angoo que faz com que os diversos pedaços de carne façam parte de um mesmo prato.
    Devore, mas cuidado para não ter cuidado, pois nesse caldo tem muita adversidade.
    A panela é de preção, a pimenta é malagueta e o contingente humano pulsa.

    O organismo quer perdurar, mas é muito difícil não se saber quem é.

    Como é?
    Como se misturar?
    A perda é condição da liberdade?


    Responder

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