Ei, psiu – você aí

Por: às 05/10/2007 16:40:00

É, você mesmo, vc q não é integrante do NCD mas visita com freqüência este blog e que acompanha apenas como espectador as discussões levantadas aqui, é a vc mesmo que quero me dirigir. Sabe, essa fronteira entre palco e platéia já vem se dissolvendo há muito tempo, mas é compreensível que o público se sinta menos a vontade para tomar a iniciativa, no sentido de sair de um estado de passividade expectadora para se colocar mais dentro da coisa, para influenciar conscientemente o artista com a sua opinião.

Entretanto, ao acompanhar o trabalho de um artista ou comunidade artística através de uma mídia como um blog, vc já deixa transparecer a sua não-passividade, a sua atitude em termos de averiguar os motivos q desencadeiam o processo criador envolvido. O simples fato de vc estar lendo este texto agora é um fenômeno gerador de modificação no meu pensamento, não sei quem vc é mas sei q está lendo e isso faz com q eu queira me comunicar com vc, porém essa comunicação só pode ser efetivada se houver as réplicas, ou seja, se eu puder me fazer ouvir por vc mas também puder te ouvir. Quer um exemplo? Ok.

Recentemente comecei a postar aqui alguns textos sobre um trabalho que pretendo realizar em breve chamado MIL VEZES SIM. Como já é hábito meu, pedi que as pessoas se manifestassem, que dessem alguma opinião. Pois bem, no primeiro texto postado houve alguém q fez um comentário (por sinal, um amigo, que não é do núcleo mas já fez um trabalho com a gente e tudo, eu podia dizer teu nome bicho safado, rsrsrsrsr) mas logo em seguida apagou, sem perceber o quanto era importante deixar ali registrada sua impressão do q leu, porque fosse qual fosse a sua opinião com certeza iria repercutir em mim de alguma maneira. O espaço em branco com a nota de q alguém tinha escrito algo ali e apagado me fez refletir sobre essa questão da fronteira entre platéia e artista. O q teria levado a pessoa a desistir do que já tinha dito? A reavaliação da idéia ou a sensação de estar se metendo onde não devia. A primeira hipótese não me incomoda, acho mais do que natural e até necessário reavaliarmos sempre o q pensamos e dizemos, mas não sei porque fiquei com a sensação de que foi pela segunda hipótese e daí me nasceu a vontade de escrever este texto.

Tá vendo? Um texto q só surgiu pela interferência de alguém, mesmo q esse alguém tenha desistido de interferir. Estamos interligados de qualquer maneira, e se isso é verdade, por que não usufruirmos dessa interação, efetivando ela, fortalecendo ela, influindo intencionalmente um no outro. Dessa vez foi um texto muito simples, sem pretensões artísticas, mas quantas obras de arte já não vieram à luz a partir de um berro ouvido no meio da rua? O exemplo do berro é grosseiro, mas é só pra enfatizar. E o q quero enfatizar aqui é q vc pode participar muito mais do q imagina da vida deste blog e consequentemente dos processos criativos discutidos e divulgados nele, através da sua opinião, q não precisa ser a opinião de um intelectual ou de alguém com conhecimentos técnicos sobre teatro e dança, mas de alguém q vem ao teatro, vê os trabalhos e se emociona ou se deixa tocar de alguma maneira pelo q viu, q gosta ou detesta o q viu, q acha importante o q viu mesmo sem gostar, q gosta de ver mas não acha importante etc. E isso pode ser feito pela simples manifestação da sua opinião, usando o espaço para comentários dos posts ou até postando diretamente, para aqueles q possuem a senha.

Fica aí o convite. Escreve aí rapá, fala o q vc acha, do teu jeito, desde q a intenção seja contribuir, diz tudo q tu pensa, sem a preocupação de ser sempre algo elogioso, se o interesse é saudável, manda ver mesmo, ôxe, tem essa não.

Inté.

: eduardo prazeres :



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3 Comentários

  1. David Leão disse:
    7 de outubro de 2007 em 1:51

    Questionário interno realizado automáticamente em 28 de setembro de 2007 às 11:16 AM. por mim após ler o post “Mil vezes sim – post 1″ e transcrito o mais fielmente possível,nos momentos seguintes, na tentativa de exteriorização desse dialogo intimo, diante da ideia proposta. E apagado logo após a primeira leitura que fiz depois de posta-lo, pela sensação de estar nú.

    Por que mil pessoas tirariam a roupa em publico?
    Por que eu tiraria a roupa em público?
    Por que não tirar a roupa em público?
    Eu me sentiria nú se eu tirasse a roupa junto com mil pessoas nuas em público?
    Eu me sentiria nú se não tirasse a roupa junto com mil pessoas nuas em público?
    Por que eu me pergunto se me sentiria nú em púplico, nú em público, junto com mil pessoas nuas em público?
    Por que não estou sempre nú em público?
    Por que não estou nunca nú em público?
    É por causa do público que nunca estou nú?
    Por que não estar nú em público?
    Por que o público nú está nú?
    O público nú, nú, está nú?
    O que é estar nú?
    Mostar-se é estãr nú?
    Mostar-se diferente é estar nú?
    Quando é que eu estou nú?
    Eu posso estar nú, nú, com mil pessoas nuas?
    Eu posso estar nú?
    Eu estou nú?


    Responder
  2. Marcelo Evelin disse:
    8 de outubro de 2007 em 1:13

    Sabe que eu gostei do comentario do David!
    E acho bom que as ideias do Edurardo estejam deixando pessoas acordadas pensando em ficar (ou nao) nu em publico. Claro que ficar nu tem uma conotacao muito maior e abrangente aqui e em qualquer lugar. E me parece que questiona tbem essa coisa do privado x publico, que pelo menos a mim vem interessando muito.
    Eduardo, tvez as pessoas que nao conseguirem ir la no lugar ficar nu pra vc, possam estar nu online via webcam.
    Ai a gente vai alem de tudo isso que ja ta rolando aqui, para a relacao real X virtual, tbem outra perola.


    Responder
  3. eduardo disse:
    8 de outubro de 2007 em 11:34

    Sim Marcelo, te confesso q eu ainda não tnha me dado conta desse detalhe, de ir além até a relação real x virtual, q realmente parece já estar rolando aqui, e concordo q é mesmo uma pérola, até por ser um achado inesperado dentro disso tudo.
    E meu amigo Davi… rsrsrs, cê entendeu tudinho né. Q bom cara, puxa, super obrigado por postar o texto agora, tá vendo como reverberou? Tá vendo as palavras do Marcelo? É uma troca o tempo inteiro cara, daqui pra lá e de lá pra cá, e se a gente não bloquear o fluxo essa troca contínua pode nos levar a lugares inimagináveis no campo da criação e sobretudo da reflexão que por si só já é criação. grande abraço irmão!


    Responder

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Comentários

  • ju: Muito bonito! Tem muito caldo nessa idéia de baiar e exceder a individualidade a partir de um ambiente gerado por...
  • Kayoo': Muito Bom Muito Lindo e Muito “Estigador “
  • Layane Holanda: pois é tem um tom meio “bacaninha” mas sabia que eu gosto da cara de pau, é meio...
  • L.H.: que lindasssssss……so peguei os vestigios, comentários e impressoes da tarde. Que lindo o...
  • Jell: o massa é que tem imagens que acho que por si só já me abrem outras imagens dentro delas(mesmo sem manipular no...

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