EIRA!

Por: às 25/05/2011 17:45:36

O coreógrafo e performer português Rafael Alvarez está organizando um evento de 25 à 29 de maio de 2011, em Lisboa, chamado EIRA.

Trata-se de um festival onde ele apresenta suas obras solo, projetos em colaboração com outros artistas e obras de outros artistas que se conectam com o universo das criações dele.

Na página do EIRA:

“Rafael Alvarez  tem vindo a desenvolver e dirigir os seus próprios projetos desde 1997. Um dos aspectos recorrentes no seu trabalho é o uso e a exploração de elementos visuais e de uma dimensão objectual no discurso coreográfico (…)”

Mais informações sobre EIRA, aqui: http://www.facebook.com/event.php?eid=111668198914822

Outra camada das criações do Rafael é uma certa atmosfera gay, que se instaura de uma maneira a não recorrer aos clichês habituais.

Rafael veio a Teresina a convite de Marcelo Evelin para apresentação do solo “Última Chamada” em 2008, no projeto Mapas do Corpo:

http://nucleododirceu.com.br/solo-portugues-%E2%80%9Cultima-chamada%E2%80%9D-no-projeto-mapas-do-corpo/

Ele também fez um workshop com o Núcleo do Dirceu, onde ele compartilhou o processo criativo do solo acima:

http://nucleododirceu.com.br/mapas-do-corpoworkshoprafael-alvarezncd/

Achei esse solo muito interessante!  Uma das coisas que me marcou nele é o ambiente que ele cria. O Rafael se integra ao espaço e aos objetos sem parecer que os mesmos estão sendo manipulados por ele, ao mesmo tempo em que ele não se utiliza de uma suposta neutralidade teatral. Ele se integra manipulando meticulosamente  uma antena de TV, uma bolsa da “Chanel” (visivelmente falsificada), uma garrafa de água, fone ouvido, triângulo de sinalização de trânsito, microfone, globo espelhado de boite, capacete de motociclista e um barulho de avião que é a música contínua de todo o solo. O que está em jogo ali é um eu-objeto, um eu-objetificado que fala do/no mundo atual, que transforma os objetos em poesia. Fábio Crazy escreveu sobre esse trabalho:

http://nucleododirceu.com.br/asimovmatrix-and-discotech/

Em outro solo “Fatigués” ele vem questionar o estereótipo do masculino associado a uma imagem que carrega a idéia de poder, dominação, força e autoridade. Esse solo eu pude assistir no Festival Contemporâneo de Dança de São Paulo em 2009. Nesse solo achei mais difícil identificar o “ponto”, perceber o que estava em questão. Vi mais o masculino esteriotipado do que o questionamento desse “masculino”, realizando ações militares, como a marcha, num tempo dilatado…

Aqui tem um escrito sobre esse trabalho: http://idanca.net/lang/pt-br/2009/12/17/7×7-a-bandeira-que-nao-e-branca/13512

Bom, em contato com o projeto TTA ele programou dois dos vídeos para a noite de convidados do EIRA. Os vídeos exibidos escolhidos por ele são o “Terússia”,  um pas de deux que mistura a coreografia de balé criada por George Balanchine, com a coreografia de patinação de gelo criada por Jonh Curry, para a música de Piotr Tchaikovsky, dançado no patins por dois homens na quadra de futsal militar do 25º Batalhão de Caçadores Leonardo das Dores de Carvalho Castelo Branco,  com uma ironia sutil colacada não como quem critica os padrões clássicos de dança, mas como quem se vê neles e quer deslizar, flutuar, borboletar, brincar com isso.

O outro vídeo escolhido por ele é o “Sayara 1º trailer”, onde a travesqueen Sayara dança com o bboy Alexandre Santos. Neste trailer a Sayara faz confusão dançando com um bboy, depois ela se torna bboy, o bboy vira Sayara, os dois viram Sayara, ao som da música Unchined Melody, trilha romântica do filme “Ghost, do outro lado da vida”.



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Uma plataforma entre 17 e 20 artistas de produção e pesquisa em artes perfomáticas que opera dentro de um sistema colaborativo, atuando em diferentes linguagens. Temos o bairro Dirceu Arcoverde, maior periferia de Teresina, Piauí, como campo de interesse e lugar de referência urbana. O projeto tem se voltado principalmente para a criação de mercado e platéia para a arte contemporânea, formação de novos criadores e pesquisa de linguagem.

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Comentários

  • Elielson Pacheco: Me sinto meio idiota no momento. E fico pensando qual é o ponto do desmoronamento que tem que ir...
  • César Costa: Marcelo, concordo contigo quando diz que só o fato de ser artista já não te coloca como medíocre. Se...
  • Danielle: Não dá pra não fazer conexões entre as coisas ditas, ouvidas, feitas, vistas e acontecidas. Acho que não...
  • weyla: Hoje conversando com minha avó ela me disse que não queria mais comprar roupas porque tava perto de...
  • elielson: de comer e se comer sim. opa!

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