Estudo nos Espaços – Parte I

Por: às 17/03/2007 01:03:00

Enumerei uma lista de 30 lugares específicos dentro e nas proximidades do TJPII e mostrei para a turma de dança que lá funciona, e que é coordenada por mim. Cada um escolheu seu próprio espaço e a proposta era de: como posso me relacionar com esse espaço, que por si só já é um resultado de relações, já está carregado de significação. Bem, muitas questões foram geradas só no primeiro dia de exploração: mas por que não trabalhar essas questões em sala? Na sala de aula as possibilidades de trabalhar as relações espaciais são infinitas, mas sua arquitetura formada por quatro paredes brancas pontuadas por algumas tomadas, interruptores, porta e dois ar condicionados não estava dando conta da possibilidade de um aprofundamento nessa relação.
Fora da sala pode-se perceber a diversidade de espaços e as possibilidades de movimento que cada espaço proporciona só em estar inserido nele (no lugar em que estou, o vento que passa e balança meus cabelos já produz um movimento? nesse espaço em que estou – faixa de pedestre da avenida – nem sempre eu tomo a decisão de mover, nele eu posso ser morto?); vale ressaltar a importância do estranhamento, por parte de alguns, em processar o movimento fora da sala que acabou aguçando suas vontades (um dos meninos falou da importância de conhecer os lugares do teatro, seus nomes, suas funcionalidades. Ele disse: elielson, o que é fayer mesmo? – é assim que escreve, me ajuda ai lailinha!).
Está sendo muito importante fazer esse itinerante com a turma pelo TJPII, de caderno na mão, e de alguma forma ir aos poucos reconhecendo os focos de cada investigação, ou como falamos hoje de manhã, os seus princípios – conceito que arrisco aqui a usar sem saber ao certo se encaixa. Reconhecer que em alguns a exploração está mais preocupada em descrever o lugar; outros nmovimentam-se quase independente dele; já outros movimentam-se tão a partir daquele espaço que seria bem difícil reproduzir sua investigação em outro; alguns o transformam mais diretamente: esgarçando-o; alguns conseguem estar dentro dele mesmo estando com os pés fora; outros com os pés dentro mantém a atenção fortemente fora dele; outros não conseguem decidir o que fazer com tantas possibilidades; existe ainda aqueles que pantomimam sua relação; que dependendo da perspectiva somem do seu espaço, como se entrassem numa coxia; que falam; que constroem inusitadamente outros lugares… e daí não param de surgir rompimento de fronteiras a cada momento, a cada passo dado.
Bem, díficil agora está sendo pensar como posso trabalhar para que cada um reconheça esses seus focos de estudo, podendo discutir sobre eles abertamente e transformar em maior ou menor grau suas maneiras de perceber as coisas, seus conhecimentos, seus corpos.
Agora farei a proposta de um aprofundamento dessas relações. Mas como fazer esse aprofundamento? como propor isso à turma? … bem, talvez depois de experimentar com eles alguma maneira consiga falar sobre isso mais claramente… na continuação…
::Elielson Pacheco::Foto: Marcelo Evelin


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2 Comentários

  1. marcelo disse:
    17 de março de 2007 em 14:01

    foi uma otima ideia levar a turma para outros espacos. acho importante propor a eles a percepcao de como um espaco os modifica, e como eles podem modificar os espaco com o corpo, o movimento. o aprofundamento so vem com a pratica e a observacao detalhada do que se esta fazendo. tome o seu tempo, isso que ja esta acontecendo ja eh aprofundamento dessa relacao. tambem acho importante o registro escrito dessas experiencias, pra ajudar numa discussao geral nossa.


    Responder
  2. L.H. disse:
    17 de março de 2007 em 15:12

    Penso em como levar ou tornar mais simples essa “transmição” de novas informações que ainda se processam em mim. Tem sido dificil, talvez por estar pela primeira vez tendo que dar aulas a crianças de seis anos e jovens meninas de 14. Nessa fase o tebalho é meio direcionado mesmo pra aquela etapa mesmo, até porque o corpo é que dita isso. As pequenas tem tanta energia que não dá pra falar em coisas queo corpo delas só vão entender depois por mais que experimentem agora.

    Sei que a simples tomada de consciencia sobre o que é “dança” ou “dançar” já é um avanço, e dessa forma venho pelo menos tentando afastá-las da idéia de forma (os tais códigos) e fazendo com que aos poucos elas reconheçam em sua própria constiuição física, na exploração e uso do corpo um material expressivo, sem o uso do coque, da sapatilha, do rótulo de bailarina, da maquiagem….

    É um pouco dificil, praticamente impossível…tem horas que dá vontade de mandar elas pensarem de outra forma. Mas só a introdução dessa espécie de “postura” já direciona o trabalho pra um outro rumo…. que eu não consigo ainda prever, descrever ou controlar.

    Mas trabalhar alguns conceitos (como espaço) ainda é complicado. E acabo ficando com a impressão de que a garatoda se joga numa exploração aleatória e lúdica e fica por aí mesmo…. em muita coisa. E quandome peruntaram sobre que ´mesmo minha aula? é sobre teatro? dança? teatro físico? eu não sube responder…porque tenho tentado fazer uso de direcionamentos que são aplicados nauqelafaixa etária, seja uma brincdaeira, um alogamento, uma “sequencia” de movimentos que não pretende ser coreografia….e enfim….
    Tô recorrendo aos amigos sempre que posso. Mas o meu contexto elielson é bem diferente do teu. E no caso não é sobre minha turma….
    ai ai…. ms que bom que as oficinas tem funcionado aqui no jp2 e no boi. Que bom!!!


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Comentários

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  • Layane Holanda: pois é tem um tom meio “bacaninha” mas sabia que eu gosto da cara de pau, é meio...
  • L.H.: que lindasssssss……so peguei os vestigios, comentários e impressoes da tarde. Que lindo o...
  • Jell: o massa é que tem imagens que acho que por si só já me abrem outras imagens dentro delas(mesmo sem manipular no...

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