F de: fundac, facebook e FINALMENTE!

Por: às 17/02/2011 22:05:38

Se um dia, numa situação hipotética, você precisar fazer um pdf  chamado “manual da imprensa piauiense” não esqueça de mencionar o uso recorrente do termo “com certeza”  e , claro, inserir dois tópicos importantes: 1 > a pergunta padrão para qualquer situação é  ” quais são suas expectativas?” . 2> a resposta padrão para esta pergunta (e outras) sempre será “minhas expectativas são as melhores possíveis” .

Onde quero chegar com essa constatação? Hmmm… simples. É que pela primeira vez na história recente da cena cultural piauiense  (ultimos 20 anos) nunca, veja bem, NUNCA essa pergunta e essa resposta pareceram tão apropriadas,  ou fizeram tanto sentido. Realmente as expectativas são as melhores possíveis.

Exagero? Não.  É unânime a empolgação, a torcida e a aposta no nome que esta atualmente a frente da Fundação Cultural do Estado: Bid Lima.   E por mais que nos bastidores políticos esse nome não seja um conscenso, nos lugares realmente importantes -  nas ruas, nas redes socias, nas reuniões de grupo, nos quintais, nos estúdios,nos ensaios, etc – esse assunto ainda não “é velho” e ainda rende conversas empolgadas.

Bid assumiu. Já é, está no cargo. E nesse um mês e meio a moça tem sido cautelosa, tem falado pausadamente e na maioria das vezes tem feito uso de declarações generalizantes (principalmente ao se referir aos débitos da FUNDAC). Mas  convenhamos, é o que me parece mais apropriado pra um começo tão dificil,  com pressão de todos os lados, com trocentos abacaxis sérios pra descascar, com um corpo administrativo viciado  e, o pior, diante de um cenário político que mais parece Gotham City,  onde o pinguim Mendes quer tomar o poder de Wilson Wayne e ninguém sabe mais quem é vilão ou herói.

Mesmo não tendo um histórico em cargos de gestão  a moça  tem uma atuação contudente e ininterrupta como artista na cidade,  e ao contrário do que a maioria das pessoas sabe,   não apenas no palco ou a frente de alguns espetáulos, mas  também na produção/articulação de projetos.  Tenho a sensação que já há algum tempo essa transição  palco -gabinete vem se desenhando, porque o envolvimento dela com a coisa política já acontece há algum tempo.

Bem, eu andei lendo Gestão Cultural – profissão em fromação ( DUO editorial) – livro da Maria Helena Cunha.  Nele a autora entrevista uma série de gestores e traça uma espécie de diagnóstico dessa profissão. Apesar de ser um olhar construído a partir do contexto Minas Gerais,  beeem diferente do nosso, o livro toca em pontos muito bons. Ela diz:

” No caso da gestão cultural, o reconhecimento de cursos voltados especificamente para formação desse profissional encontra-se em estágio inicial. Com raras exceções, ainda existem poucos cursos contínuos e reconhecidos no Brasil. Portanto, ainda é prematura e problemática a discussão em torno da exigência de uma credencial própria para a atuação desse profissional” (…). Assim, a realidade tem demonstrado que as habilidades profissionais em gestão cultural têm sido consolidadas com base em experiências no cotidiano do trabalho, como “saberes em ação” durante o próprio processo de constituição da profissão.(…)

Seguindo nas entrevistas, no final do livro,  a autora se arrisca num delineamento do perfil profissional de um gestor cultural,  apontando um conjunto de habilidades e saberes em torno desse trabalho. (algumas que eu até acho exageradas mas ok). Ela destaca que esse delineamento  surgiu espontaneamente durante os relatos dos entrevistados  a partir das seguintes questões: O que eles pensam sobre as características principais para se tornar um gestor? De quais saberes eles precisam entender? Para tanto, é preciso desenvolver que habilidades específicas? E quais são os processos de formação para que, enfim, sejam gestores culturais?

características essenciais: ser generalista; ter perfil flexível; ter uma postura crítica, treinando o olhar para analisar espetáculos artísticos-culturais; ser ligado a desafios (ao encarar uma profissão nova); ter jogo de cintura; ser dinâmico; ser um profissional que articula e agrega;

precisa entender: questões específicas sobre o campo cultural e gestão propiamente dita; dominar mecanismos técnicos da captação de recursos( da produção; dos valores da arte; do processo de fazer arte; do processo de produção cultural; dos processos essencialmente políticos, econômicos, logísticos, que são essencialmente estruturais do ponto de vista da gestão das cidades) ; dominar diversas linguagens (artística, que é subjetiva e informal; empresarial que é objetiva; do poder público, que  é formal); ter domínio das ferramentas de planejamento de computação das leis de incentivo à cultura, de marketing e, por fim, de questões técnicas relacionadas às atividades artísticas: teatro, dança, música, dentre outras.

e o mais importante: ter capacidade de interferir no discurso das poíticas públicas de cultura; definir os caminhos junto com o artista; gostar de resolver problemas; discutir os processos de produção; dominar ferramentas da administração; planejar; elaborar projetos; criar mecanismos de controle; buscar conhecimento sobre áreas afins e correlatas; ter visão mais macro da sociedade onde atua; saber decidir a todo momento; fazer necessariamente essa ponte entre o artista, a iniciativa privada e o poder público; enfim pensar em tudo (como público, como artista, como empreendedor);

por fim um gestor tem que: articular, mobilizar, sensibilizar e convencer.  (ufa!!!)

Bem,  eu corro o risco de parecer nada nada parcial ao falar desse assunto e dizer que consigo enxergar  SIM grande parte dessas características na atual presidente.   E acho que essas tais habilidades podem sim ser construídas/adquiridas num curriculo multifacetado que possua inclusive paródias e espetáculos de humor escrachado. (né!) Agora é aperfeiçoar, aprender e conseguir uma equipe bacana né! Porque sozinho  não se consegue mesmo. E sim,  é dificil  ser imparcial escrevendo sobre esse assunto, até porque, muita gente sabe que numa trajetória não tão distante,  eu e Bid fomos mais do que Heloisa Pérrisé e Ingrid Guimarães (pra citar um exemplo de parceria profissional e pessoal). Nós fomos durante muitos anos muito próximas.  E como eu nunca consegui entender o porquê de ter que escrever a ultima frase usando o verbo no passado,   gosto de  pensar que hoje,  além de mim, tem um monte de gente que por razões distintas pode, quer e  está (com o verbo assim no presente) disposto a colaborar com a gestão atual da FUNDAC . No fundo, confesso que é tão ruim e estranho imaginar que fotos como essa (daí de baixo) não vão nunca mais acontecer entre eu e a sra. presidente, que só me resta formalmente dizer:  boa sorte! estarei de longe torcendo.

Bem, é melhor acabar  esse post de tom mega pessoal. Afinal, segundo os atuais protocolos sociais, qualquer movimento ou declaração nesse momento podem  ser tomados – equivocadamente por sei lá quem-  como puxasaquismo.

(crianças pictures : ziza.com, azaroseuquerida.com.br, chongas.com;> preguiça de linkar)



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7 Comentários

  1. Danielle Soares disse:
    17 de fevereiro de 2011 em 23:13

    :)


    Responder
  2. Alisson Matheus disse:
    17 de fevereiro de 2011 em 23:41

    Oh… Meigo, como você mesmo analisou ” Afinal, segundo os atuais protocolos sociais, qualquer movimento ou declaração nesse momento pode ser tomada – equivocadamente por sei lá quem- como puxasaquismo.” Belíssima a ideia de ter como auxílio o livro da Maria Helena Cunha para reforçar a sessão de, como é mesmo?, ‘puxasaquismo’. Desculpe-me, não não pude evitar. Para evitar maiores atritos( ‘segundo os atuais protocolos sociais’me vejo obrigado a cair no mesmo ostracismo de suas palavras e dizer, assim de passagem: Bom texto…! Abraços!


    Responder
  3. L.H. disse:
    18 de fevereiro de 2011 em 2:04

    Oi Alisson,
    aahhh sério que você achou “sessão de puxasaquismo” ? (rs)
    Tô com a sensação que o assunto até ficou um pouco velho, porque o texto entrou com atraso. Na verdade é só uma maneira de dividir minha empolgação com a coisa toda. Obrigada pela visita. Abraços!


    Responder
  4. cleber moura fe disse:
    20 de fevereiro de 2011 em 10:45

    Muito legal o texto Lay!


    Responder
  5. elielson disse:
    20 de fevereiro de 2011 em 17:02

    lay, maravilhoso texto.

    depois de lê-lo pensei em algumas perguntas:

    até que ponto é possível que os artistas possam contribuir com uma gestão pública cultural?
    resposta: fazer o seu trabalho acontecer, realizar os projetos a que se propõe, ser avaliado artisticamente, etc. sim, essa seria uma resposta.

    mas, pensei mesmo em como contribuir para a gestão? para o antes do trabalho, para a programação das ações da fundação?

    como manter uma comunicação, que não seja dentro da lógica de pedinte( que não reconhece nem valoriza o próprio trabalho), num extremo, e de reclamação por cima de reclamação (como se estivesse falando de fora da realidade, acima do bem e do mal), num outro extremo?

    tenho me feito questões como essa, antes de ter um posicionamento com uma das gestões que me representa. e, por enquanto, sigo pensando…

    obrigado pelo seu texto, lay.


    Responder
  6. Francisco Pellé disse:
    20 de fevereiro de 2011 em 19:02

    Gostei do post Lay,não está atrasado nunca, sempre atual sua visão e ainda tendo como base a maravilhosa Maria Helena Cunha( este é meu livro de cabeceira).


    Responder
  7. Layane Holanda disse:
    21 de fevereiro de 2011 em 12:30

    Eli, será que essa comunicação e contribuição não podia acontecer da maneira mais simples? que é reunindo a galera.

    Penso que o segredo está na condução disso. Porque do contrário caímos nesses extremos aí, que usar esses espaços de encontro pra reclamar, pra cobrar, pra ficar no discurso do pedinte. E aí não se faz mapeamento, não se discute, não se chega a planos de ação.

    Cara eu fico pesando que a gente por aqui (sem falsa modéstia) tá bem treinado nisso, sabe! Porque estamos nesse exercicio de discutir, de conversar em grupo há um tempo…

    Fico lembrando que cheguei a organizar uma semana de discussões em um arquivo powerpoint, com mesas, grupos locais, tempos, e sugestões de temas. Tinha um espaço interativo de inscrição, com computador e tal. Menino eu podia vender esse pacote para secretarias de cultura, grupos e sindicatos de artistas.(hahahah) Apresentei essa proposta para o festival de teatro?? Cê lembra disso?
    Pois é, todo mundo achou ótimo, mas a galera queria mesmo era apresentar e aí isso ficou no vácuo. Mais uma vez fiquei frustada, puta e me afastei dessa coisa de articulação.

    Eu sei que Bid tem um plano de apenas 180 dias, mas acho que enquanto isso podia se pensar em discutir um plano mais amplo para a sua gestão. E falo isso sem arrogancia alguma, mas realmente reconhecendo que existem artistas sim, que podem contribuir com isso. De boa. O foda é que na pressa de apagar incêndios, parece que não dá tempo planejar e discutir.

    Enfim.
    ps.Pelé, obrigada pela visita, o livro é realmente bom. Bjão.


    Responder

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