Fórum Nacional 1 minuto para a dança: contaminação em todos os sentidos

Por: às 02/05/2010 22:13:52

Desde o dia 24 de abril, abertura  do CoLABoratório 2010 com Christine Greiner,  profissionais da dança, alunos, artistas e estudantes de teresina vivem dias de encontro, discussão e troca.  A tão falada instância de articulação  ACONTECE   desde então,  seguindo com a comemoração do  Dia Internacional da Dança – dia 29 último -  e com a abertura do Fórum Nacional 1 minuto para a Dança.

Sobre o  Fórum, pra não ficar me repetindo,  sugiro uma espiada na Cia Luzia Amélia.com e também no Idança. Lá estão disponiveis informações, fotos e detalhes do evento inédito promovido em conjunto com as Universidades Federais do Piauí (UFPI)  e da Bahia (UFBA) e apoio do SEBRAE/PI.

Eu falei evento inédito né?! E explico: primeiro, porque  pela primeira vez essa articulação é conjunta, isto é,  iniciativa de artistas e grupos diferentes  (que  convergem  coincidentemente até) e segundo, porque  as pessoas de fato estão se encontrando e reconhecendo o que há em comum  para além de suas  singularidades estéticas, escolhas ou visões de arte.  Esse interesse pelo “o que é comum entre nós”  me deu uma sensação mais consistente de um “cenário dança” em Teresina.  Apesar de detestar esses rótulos – porque eles segmentam  e separam – o  “cenário dança”  que se desenha aqui  de cara me pareceu  mais dilatado e aberto. Ele é  quase borrado se levarmos em conta  a presença de alunos de moda, professores do curso de artes visuais,  ou ainda,  o sincretismo de uma mesa de discussão composta por um delegado com medalhas, uma atriz geek, uma coreógrafa com uma pesquisa no folclore e na ancestralidade e bailarinos  com formação e trajetórias distintas.

Essa é a coisa mais  bacana,  o povo tá se misturando!! E os parâmetros não são mais técnica, escola ou estilo, e sim campo de atuação, linguagem, corpo. É um pontapé incicial super importante.

Falando mais  de dentro , do backstage,  pude sentir que esse primeiro momento foi essencialmente sobre isso: sobre se encontrar, sobre  estar junto e se conhecer. Sobre construir um  entendimento de que precisamos  ouvir o outro e abrir um espaço no HD pra instalar o que ele diz.     Para se ter uma idéia no primeiro dia  o que poderia ser um problema,  os assuntos se misturarem e a discussão perder o foco,  foi aos poucos se tornando o exercício legitimo do: “eu quero ter espaço pra falar, porque tenho o que dizer”.  A mesa redonda da qual fiz parte, Diagnosticando a Dança no Piauí, teve um diagnóstico claro: as pessoas QUEREM FALAR (olha que ótimo!),  mesmo que seja pra dividir o escândalo da passagem de nova york,  reclamar da lei A. Tito Filho, relembrar o Secretário de Cultura  do Municipio e a FUNDAC,  ou divulgar a premiação em fortaleza.   E nesse primeiro momento seria  um erro tentar estabelcer algum tipo de controle, ou direcionamento. Porque tudo ainda era meio eufórico,  todo mundo queria ser ouvido,  todo mundo queria aplaudir e gritar u-hu! pra fala  contundente do outro.

Mas adivinha?  Além dos u-huuu!  arrasou!! bravo!!! O que vi foi um monte de gente começando a tirar do teclado e dos releases  palavras como rede-conexão-troca-política pública-posicionamento-articulação  e começando a aplicá-las  tomando um café  no intervalo. As tais palavrinhas saindo da sintaxe e se transformando em AÇÃO. Fenômeno lindo, apesar de sutil.

Pra mim foi inevitável: o tempo todo relacionava esses discursos com o percursso/experiência do núcleo nesses  quatro anos em Teresina. Lembrei muito do  Mapas do Corpo em 2008 , uma iniciativa que não alcançou essa dimensão de articulação,  porque  era incrivelmente  dificil reunir as pessoas, os bailarinos e os grupos, mas que de alguma forma,  pontuou na cidade a importância de pararmos de reclamar e concentrar energia em fazer, em convidar outros profissionais, em discutir e trocar.  Na verdade, sem falsa modéstia,  eu pensei o tempo todo naquele termo cafona, mas super útil: REVERBERAÇÃO.   E falando em vocabulário,  COLETIVO era outra palavra comum nas falas.  E apesar de semanticamente, epistemológicamente coletivo ganhar outros sentidos e  sofrer algumas distorções quando aplicada, me deixa muito feliz o uso recorrente dela e de suas derivações (coletividade) . Porque  significa pra mais de um,  pra todos!

Penso que o grande ponto do Fórum é sem dúvida a necessidade de se pensar a formação  dos artistas no Piauí.   E não é a toa que esse é o assunto.  Ele é decorrente, porque essa lacuna vem se desenhando lá de trás…..  nas  gerações de  Lina , Lenora e  Marcelo  que foram buscar formação em outros lugares.  A articulação e a luta por uma graduação em dança na UFPI  se concretiza nas mãos de duas figuras  importantes e emblemáticas, Luzia Amélia e Valdemar Santos.  Os dois estiveram a frente das duas  únicas escolas públicas de dança da cidade,  mantidas pela prefeitura e pelo estado, logo, acho super  consequente e bacana que eles encampem a briga por uma formação acadêmica.    Outra coisa: mesmo sabendo que o Fórum  é feito por muitas mãos e muitas pessoas,  preciso  sublinhar que o engajamento e  a articulação que  Luzia  promove  diretamente nesse momento, ampliam  a importância  e a  responsbilidade do papel dela como artista nessa cidade.  Me parece,  agora,  que essa potência impetuosa que sempre existiu e sempre mexeu com essa cidade,  se direciona para uma atuação mais plural, consciente e generosa.  Achei massa isso!

Quê mais….

Enfim, ainda vai demorar, é um processo longo,  nao vamos de cara aprofundar questões. Mas  é empolgante perceber que elas começam a ser levantadas, e a tal articulação politica começa a se tornar  mais palpável por aqui.  Acho que isso tudo, é consequente e inevitável,  e gosto de pensar que Teresina pode ganhar tempo e economizar erros trocando experiência com outras capitais que já estão numa outra etapa de articulação. O Fórum segue, e tem muitos nomes que nao estao sendo citados nesse post, então pra  acompanhar detalhadamente  esse percurso é só clicar  aqui,    ficar atento a programação e se não foi,  dá  uma espiada nas fotos.

p.s.> Eu estou me mordendo pra saber como foi a mesa redonda sobre a graduação em dança na federal e se fizeram minhas perguntas , que deixei anotadas com o Valdemar. Alguém que foi pode dividir aí??



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2 Comentários

  1. elielson disse:
    16 de maio de 2010 em 14:19

    ta sendo bacana acompanhar o fórum de dança, com essas pessoas, artistas, professores, pesquisadores da UFBA.

    anteontem (14.05) teve a palestra com a Lenira Rangel sobre Laban, corponectividade e educação contemporânea no auditório da Casa da Cultura.

    -Ela citou pensamentos do linguista Geroge Lakoff quanto ao ensino de um gramática contextual, ou seja, que so tem realmente seus significados quando analisado tb o contexto. e algo que ela disse me chamou atenção:
    -Falou tb sobre a frase: “pegar uma idéia”. quando vc diz pegar, tem uma referência sensório-física na ação de “pegar uma idéia”. quando vc pega mesmo, se torna uma ação física.
    -ela mostrou um vídeo de José ângelo Gaiarsa, que weyla ate ja tinha nos mostrado numa discussão que tivemos sobre o ponto de cultura. e como está no you tube, deixo o link aqui pra vcs verem: http://www.youtube.com/watch?v=Peur4mGK-a0. nesse vídeo ele toca em pontos bem importantes da educação:
    1ele diz que educar alguém parece ser o mesmo que fazer a criança para de se mover, ou de mover-se pouco.
    2a educação restringe os movimentos
    3 obrigando as crianças a ficarem quietas vc está restringindo três processos importantíssimos no desenvolvimento delas: o próprio movimento, a inteligência, os sentimentos.

    acho imprtante acompanharmos o desenvolvimento desse Fórum, e não deixar pra reclamar so depois que a graduação de dança ja tiver instalada e funcionando.

    próximo encontro vai ter Lúcia Matos e Marcelo Evelin compartilhando a mesma mesa. dia 28 de maio às 9h no auditório do SEBRAE.


    Responder
  2. Layane Holanda disse:
    16 de maio de 2010 em 15:01

    massa eli! Brigada por dividir as informaçoes aqui, vamos sim nos revezando e consolidando essa aproximação tão importante.


    Responder

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Uma plataforma entre 17 e 20 artistas de produção e pesquisa em artes perfomáticas que opera dentro de um sistema colaborativo, atuando em diferentes linguagens. Temos o bairro Dirceu Arcoverde, maior periferia de Teresina, Piauí, como campo de interesse e lugar de referência urbana. O projeto tem se voltado principalmente para a criação de mercado e platéia para a arte contemporânea, formação de novos criadores e pesquisa de linguagem.

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