Desde o dia 24 de abril, abertura do CoLABoratório 2010 com Christine Greiner, profissionais da dança, alunos, artistas e estudantes de teresina vivem dias de encontro, discussão e troca. A tão falada instância de articulação ACONTECE desde então, seguindo com a comemoração do Dia Internacional da Dança – dia 29 último - e com a abertura do Fórum Nacional 1 minuto para a Dança.
Sobre o Fórum, pra não ficar me repetindo, sugiro uma espiada na Cia Luzia Amélia.com e também no Idança. Lá estão disponiveis informações, fotos e detalhes do evento inédito promovido em conjunto com as Universidades Federais do Piauí (UFPI) e da Bahia (UFBA) e apoio do SEBRAE/PI.
Eu falei evento inédito né?! E explico: primeiro, porque pela primeira vez essa articulação é conjunta, isto é, iniciativa de artistas e grupos diferentes (que convergem coincidentemente até) e segundo, porque as pessoas de fato estão se encontrando e reconhecendo o que há em comum para além de suas singularidades estéticas, escolhas ou visões de arte. Esse interesse pelo “o que é comum entre nós” me deu uma sensação mais consistente de um “cenário dança” em Teresina. Apesar de detestar esses rótulos – porque eles segmentam e separam – o “cenário dança” que se desenha aqui de cara me pareceu mais dilatado e aberto. Ele é quase borrado se levarmos em conta a presença de alunos de moda, professores do curso de artes visuais, ou ainda, o sincretismo de uma mesa de discussão composta por um delegado com medalhas, uma atriz geek, uma coreógrafa com uma pesquisa no folclore e na ancestralidade e bailarinos com formação e trajetórias distintas.
Essa é a coisa mais bacana, o povo tá se misturando!! E os parâmetros não são mais técnica, escola ou estilo, e sim campo de atuação, linguagem, corpo. É um pontapé incicial super importante.
Falando mais de dentro , do backstage, pude sentir que esse primeiro momento foi essencialmente sobre isso: sobre se encontrar, sobre estar junto e se conhecer. Sobre construir um entendimento de que precisamos ouvir o outro e abrir um espaço no HD pra instalar o que ele diz. Para se ter uma idéia no primeiro dia o que poderia ser um problema, os assuntos se misturarem e a discussão perder o foco, foi aos poucos se tornando o exercício legitimo do: “eu quero ter espaço pra falar, porque tenho o que dizer”. A mesa redonda da qual fiz parte, Diagnosticando a Dança no Piauí, teve um diagnóstico claro: as pessoas QUEREM FALAR (olha que ótimo!), mesmo que seja pra dividir o escândalo da passagem de nova york, reclamar da lei A. Tito Filho, relembrar o Secretário de Cultura do Municipio e a FUNDAC, ou divulgar a premiação em fortaleza. E nesse primeiro momento seria um erro tentar estabelcer algum tipo de controle, ou direcionamento. Porque tudo ainda era meio eufórico, todo mundo queria ser ouvido, todo mundo queria aplaudir e gritar u-hu! pra fala contundente do outro.
Mas adivinha? Além dos u-huuu! arrasou!! bravo!!! O que vi foi um monte de gente começando a tirar do teclado e dos releases palavras como rede-conexão-troca-política pública-posicionamento-articulação e começando a aplicá-las tomando um café no intervalo. As tais palavrinhas saindo da sintaxe e se transformando em AÇÃO. Fenômeno lindo, apesar de sutil.
Pra mim foi inevitável: o tempo todo relacionava esses discursos com o percursso/experiência do núcleo nesses quatro anos em Teresina. Lembrei muito do Mapas do Corpo em 2008 , uma iniciativa que não alcançou essa dimensão de articulação, porque era incrivelmente dificil reunir as pessoas, os bailarinos e os grupos, mas que de alguma forma, pontuou na cidade a importância de pararmos de reclamar e concentrar energia em fazer, em convidar outros profissionais, em discutir e trocar. Na verdade, sem falsa modéstia, eu pensei o tempo todo naquele termo cafona, mas super útil: REVERBERAÇÃO. E falando em vocabulário, COLETIVO era outra palavra comum nas falas. E apesar de semanticamente, epistemológicamente coletivo ganhar outros sentidos e sofrer algumas distorções quando aplicada, me deixa muito feliz o uso recorrente dela e de suas derivações (coletividade) . Porque significa pra mais de um, pra todos!
Penso que o grande ponto do Fórum é sem dúvida a necessidade de se pensar a formação dos artistas no Piauí. E não é a toa que esse é o assunto. Ele é decorrente, porque essa lacuna vem se desenhando lá de trás….. nas gerações de Lina , Lenora e Marcelo que foram buscar formação em outros lugares. A articulação e a luta por uma graduação em dança na UFPI se concretiza nas mãos de duas figuras importantes e emblemáticas, Luzia Amélia e Valdemar Santos. Os dois estiveram a frente das duas únicas escolas públicas de dança da cidade, mantidas pela prefeitura e pelo estado, logo, acho super consequente e bacana que eles encampem a briga por uma formação acadêmica. Outra coisa: mesmo sabendo que o Fórum é feito por muitas mãos e muitas pessoas, preciso sublinhar que o engajamento e a articulação que Luzia promove diretamente nesse momento, ampliam a importância e a responsbilidade do papel dela como artista nessa cidade. Me parece, agora, que essa potência impetuosa que sempre existiu e sempre mexeu com essa cidade, se direciona para uma atuação mais plural, consciente e generosa. Achei massa isso!
Quê mais….
Enfim, ainda vai demorar, é um processo longo, nao vamos de cara aprofundar questões. Mas é empolgante perceber que elas começam a ser levantadas, e a tal articulação politica começa a se tornar mais palpável por aqui. Acho que isso tudo, é consequente e inevitável, e gosto de pensar que Teresina pode ganhar tempo e economizar erros trocando experiência com outras capitais que já estão numa outra etapa de articulação. O Fórum segue, e tem muitos nomes que nao estao sendo citados nesse post, então pra acompanhar detalhadamente esse percurso é só clicar aqui, ficar atento a programação e se não foi, dá uma espiada nas fotos.
p.s.> Eu estou me mordendo pra saber como foi a mesa redonda sobre a graduação em dança na federal e se fizeram minhas perguntas , que deixei anotadas com o Valdemar. Alguém que foi pode dividir aí??
16 de maio de 2010 em 14:19
ta sendo bacana acompanhar o fórum de dança, com essas pessoas, artistas, professores, pesquisadores da UFBA.
anteontem (14.05) teve a palestra com a Lenira Rangel sobre Laban, corponectividade e educação contemporânea no auditório da Casa da Cultura.
-Ela citou pensamentos do linguista Geroge Lakoff quanto ao ensino de um gramática contextual, ou seja, que so tem realmente seus significados quando analisado tb o contexto. e algo que ela disse me chamou atenção:
-Falou tb sobre a frase: “pegar uma idéia”. quando vc diz pegar, tem uma referência sensório-física na ação de “pegar uma idéia”. quando vc pega mesmo, se torna uma ação física.
-ela mostrou um vídeo de José ângelo Gaiarsa, que weyla ate ja tinha nos mostrado numa discussão que tivemos sobre o ponto de cultura. e como está no you tube, deixo o link aqui pra vcs verem: http://www.youtube.com/watch?v=Peur4mGK-a0. nesse vídeo ele toca em pontos bem importantes da educação:
1ele diz que educar alguém parece ser o mesmo que fazer a criança para de se mover, ou de mover-se pouco.
2a educação restringe os movimentos
3 obrigando as crianças a ficarem quietas vc está restringindo três processos importantíssimos no desenvolvimento delas: o próprio movimento, a inteligência, os sentimentos.
acho imprtante acompanharmos o desenvolvimento desse Fórum, e não deixar pra reclamar so depois que a graduação de dança ja tiver instalada e funcionando.
próximo encontro vai ter Lúcia Matos e Marcelo Evelin compartilhando a mesma mesa. dia 28 de maio às 9h no auditório do SEBRAE.
16 de maio de 2010 em 15:01
massa eli! Brigada por dividir as informaçoes aqui, vamos sim nos revezando e consolidando essa aproximação tão importante.