Nesta última quarta-feira recebemos a visita de Helena Katz e parte da Cia Luzia Amélia no Galpão. Helena, veio a Teresina a convite do Fórum Nacional 1minuto para a Dança. Aproveitamos a passagem rápida dela para uma conversa mais intíma, fazendo um city tour pelo nosso espaço, repetindo abraços, se atualizando sobre o CED, e ao mesmo tempo, pretextualmente afinando o dialogo com os realizadores do Fórum. Aliás, esse foi um ponto que Helena puxou na conversa informal, como “anda a articulação de vocês aqui?”, reforçando a importância das parcerias mesmo em ações e iniciativas distintas, que aconteçam originalmente em um grupo ou outro.
Passamos por alguns pontos nesse papo rápido, a graduação em dança, o atual funcionamento do núcleo, o projeto Mil Casas, algumas referências. Mas em função do tempo não foi possível se aprofundar em questões específicas. Helena falava num tom baixo, calmo, com aquele sorriso tranquilo, como quem administra sua energia para o que é realmente necessário, sem ansiedade, sem entrecortar o outro, sem arrebatamentos. Lembrei muito das nossas utimas rodas de conversa e fiquei pensando em como chegar ali, numa prosa respirada, num relaxamento que acaba dilatando os poros, os ouvidos, que inevitavelmente te deixa mais aberto ao outro.
10 de junho de 2011 em 11:01
Ei pessoas, compartilhem aí como foi o Fórum aqui em Teresina, em função da agenda, não estive lá. bjo. (lay).
10 de junho de 2011 em 12:41
Ei lay. Muito boa sua observação sobre a calma na fala da helena. Realmente é outra coisa, queria perder 90 por cento da minha ansiedade pra chegar nesse ritmo, de escuta, de precisão, de dizer o necessário, de dizer o que serve pro outro ouvir.
O encontro no fórum foi muito bom, embora com muito pouco quorum. Fica difícil acreditar que tão poucas pessoas na cidade se interessam. Mas tinha um povo lá, uns dois do roque moreira, companhias de dança, socióloga, gente envolvida com cultura africana-brasileira, gente de práticas e teorias diversas, sutilmente alinhavadas por uma fala complexa, mas simples, direta, sem afetação, e extremamente comprometida com um entendimento de cada um ali.
É muito grande a força política de uma visão de mundo incutida nessa teoria do corpo-mídia. Tem muito ainda pra ser discutida e espalhada por todos os cantos.
11 de junho de 2011 em 1:36
hoje estivemos, alguns do nucleo, na reuniao semanal do CED na PUC. a helena continua falando calmamente e com essa precisao que faz dela uma pessoa realmente pra se ouvir. nao por ela, pela inteligencia dela, pela certeza nas palavras, mas pelo que ela traz para a discussao, o que coloca na roda para nos fazer pensar.
helena discute com o grupo o livro “how to cooperate” (como cooperar) e insiste na questao de afastar o trabalho de uma pessoalidade e considera-lo um bem de todos, para dai realmente se tornar linguagem.
muito pra rever e discutir, reavaliar maneiras de cooperacao e articulacao direta e dinamica, mas sem ter que ser amigos, sem ter que concordar ou gostar, sem precisar ser do mesmo grupo. cooperar como um traco da especie, que segundo ela, nos da danca ainda nao podemos nos considerar. especie, como ajuntamento nao apenas biologico, mas sobretudo cultural e humano.
11 de junho de 2011 em 8:56
Olá! Estive no Fórum. Fui ver Helena. Gostei muito dela e de sua fala. Tinha estudado livros dela e da Greiner e aproveitei para elucidar questões importantes sobre o corpo e sobre o seu natural cultural. Lá encontrei Janaina, Lucivando (aluno de pedagogia, da UFPI), Darlane (aluna pedagogia UFPI), Ceiça (mestranda em Educação) e sua amiga Luciane (mestranda em Letras, da UESPI), Andreia (dançarina), o meu amigo Norval (da dança afro, de Fortaleza, ONG Tempo Livre), e tantos outros interessantes e interessados na teoria do corpomídia.
Enfim, fiquei com vontade de estudar mais… kkk. E, nesse sentido, caros artistas do NÚCLEO, abro espaço na minha humilde seara academica (kkk) paraa aprofundar estudos sobre corpo e movimento, corpomídia, corpo e educação, corpo estranho, o corpo enfim. Proximo semestre, em 2011.2, estaremos, eu e o prof. Francisco Jr., ofertando novamente pelo mestrado em antropologia a disciplina Antropologia do corpo e da saúde, e se quiserem estudar comigo e entre nós estou aberta!
BREVE ESTAREI LEVANDO O RESULTADO DE NOSSA PESQUISA (ANTES TARDE DO QUE NUNCA!).
No mais um abraço em Layanne, Marcelo e toda a galera do núcleo, SHARA JANE.
11 de junho de 2011 em 11:20
Léo, massa! Brigada.
Marcelo essa visita rápida aqui na PUC merece um post. Eu fiquei bem interessada na coisa que é “cognitiva”, anterior a linguagem, que tem uma estrutura antes lá na infância, no cerébro, que a gente precisa desenvolver e que é complicada, pra poder a partir dela entender o que é comum, coletivo, pra só aí conseguir cooperar. Acho que o livro, e toda a discussão, são ótimos ganchos pro Mil Casas e pro Núcleo, muito bom. Me fez pensar numa coisa que falamos certa vez sobre IM-possobilidade.
Olá Shara, bom revê-la por aqui. Estamos em São Paulo e acho que Marcelo ja havia comentado sobre essa retomada, seria no segundo semestre não é isso? Vamos conversando. Um abraço.
13 de junho de 2011 em 12:24
Sobre o que parcialmente vimos ser discutido no CED/PUC, mentalizei um marca-texto sobre os pontos:
De que o compartilhamento é algo próprio da espécie humana e que passa portanto por um processo cognitivo para manifestar-se, o qual demanda tempo e experiências para ser desenvolvido.
De que a “mufinice”–ou hipersensibilidade a feedbacks–tão frequente em Teresina também está fortemente presente em outros contextos, como em São Paulo. Infelizmente.
E vimos que de fato não é preciso ser amigo de alguém para trabalhar com. Nem deixar de ser amigo para trabalhar com. Apenas saber separar, ouvir e agir sem levar pro pessoal o que for profissional.
{{ Faço uma pequena retificação no nome do livro, Marcelo: é “Why we cooperate” >> Porque cooperamos}}
Tive uma sensação de confirmação de que o Núcleo é um estudo prático permanente sobre Cooperação, e de que seria/será bom nos dedicarmos mais a teorias que cruzem com nossa prática.
13 de junho de 2011 em 17:18
otimos pontos regina, obrigado.
acho muito certeiro o que vc disse depois do encontro:
o CED hoje foi sobre mufinice! bom demais pensar nisso.
obrigado por corrigir o nome do livro, sorry about that.
to com o livro em pdf em ingles, se alguem se interessar.
14 de junho de 2011 em 10:03
Domingo eu tava falando isso com a cleydinha, que me parece que o grande projeto artístico do núcleo, efetivamente, é (vir a) ser o núcleo; aprimorar, desenvolver, testar, quebrar a cara, tentar de outro jeito, mudar um pouco ali, ajustar acolá, repensar e por em prática o desafio – eternamente em processo – de estar junto.
Quero demais o .pdf
Manda por email marcelo?
14 de junho de 2011 em 12:43
Está no ar a possível retomada da Oficina de Pensamento… será que não seria o pdf deste livro um bom ponto de partida? Fica a sugestão.