IBGES

Por: às 07/02/2011 12:52:03

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística do Sentimento

Geografia é a ciência que estuda a superfície da Terra. Ela descreve e analisa como os fenômenos físicos, biológicos e humanos variam no espaço. Para dar conta de tudo isso, é necessário percorrer, medir e estudar o território – como faz o IBGE no Brasil.

Estatística é uma ciência que cuida da coleta de dados, que são organizados, estudados e então utilizados para um determinado objetivo. No caso do IBGE, a estatística é importante para informar sobre a realidade do Brasil através de números.

Sentimento, de forma genérica, é uma informação que seres biológicos são capazes de sentir nas situações que vivenciam. Por exemplo, medo é uma informação de que há risco, ameaça ou perigo direto para o próprio ser ou para interesses correlatos.

>>>>> Estou pensando em elaborar um questionário objetivo que avalie como as pessoas sentem o mundo em que vivem <<<<<

>>>>> Como avaliar algo subjetivo de maneira objetiva é o que eu ainda não sei <<<<<

>>>>> Quero conhecer melhor as estatísticas do IBGE <<<<<

>>>>> Conhecer o formal e o oficial para entender e digerir seus motivos <<<<<

>>>>> Já sei que as tags do IBGE são: características da população (quantidade de população urbana e rural, grupos de idade, cor ou raça, religião, pessoas portadoras de deficiência), educação (que mede a taxa de alfabetização), famílias e domicílios (que mede famílias formadas com grau de parentesco, sem grau de parentesco, e as famílias formadas somente por uma pessoa, mede quantas casas tem geladeira, ar-condicionado, televisão), migração e deslocamento (para medir quem é brasileiro e quem não é, etc), nupcialidade e fecundidade (para medir quem é casado e quem não é, mortalidade infantil etc), trabalho e rendimento (para medir quem trabalha e quem não trabalha etc) <<<<<

>>>>> Quero saber se é possível ter acesso ao Senso 2000 (Brasil-Piauí-Teresina-Grande Dirceu), que é o último que tivemos (o mais recente é de 2010, mas ainda não foi concluído) <<<<<

>>>>> Na minha opinião o senso não corresponde à realidade, é apenas uma aproximação e representação dela, MESMO se for um “senso subjetivo”. Por exemplo, os índices de educação que mede quem é alfabetizado e quem não é, são medidos através dos dados fornecido pelas escolas. No entanto, sabemos que estar numa escola, principalmente pública, não significa estar alfabetizado, porque escrever o próprio nome não significa estar alfabetizado, ler um texto em voz alta não significa estar alfabetizado. Saber interpretar um texto e dar opinião sobre ele é estar alfabetizado, ter “autonomia lingüística” que pode formar um cidadão e pessoa politizada que sente o que vive. A escola é as vezes um ambiente que não faz isso,  não faz conexão com a realidade e por isso que muitas crianças e jovens não gostam de estar nela, porque não vêem função alguma. Outro exemplo, o que as pessoas respondem sobre cor e raça? O que as pessoas respondem sobre religião corresponde a realidade, ou corresponde a projeção, ou corresponde a se encaixar em algo moralmente mais aceito? <<<<<

>>>>> O lugar que gostaria de percorrer com o IBGES talvez fosse o lugar que o Senso oficial não toca. Meu objetivo é nebuloso ainda. Não quero criar uma contrapartida crítica do IBGE oficial do tipo “ajeitar o Senso oficial”, muito menos reafirmar as condições insustentáveis brasileiras. O Senso feito pelo IBGE tem objetivo de fornecer números para auxiliar as áreas de medicina (prevenção de doenças), ciências sociais/ educação (elaboração de cotas para ingresso na universidade por exemplo) e muitas outras. Acho que quero mais colher dados que sirvam pra a arte, talvez se aproxime mais disso. Mas que dados os artistas desejam saber das pessoas?? Eu acredito que a função, beleza e mérito da arte é justamente mostrar que as coisas não tem função, ou não tem o menor sentido, que a vida vai acabar um dia pra cada um e que por isso é importante vivê-la plenamente em todos os sentidos, mas ao mesmo tempo não se vive só, cada um é diferente, mas vivemos numa sociedade com regras e culturas específicas e não da pra ignorá-las completamente, como elaborar questões a partir disso <<<<<


>>>>> A priori gostaria de iniciar o trabalho sozinho, para entender melhor o conteúdo dele. Mas a Weyla e a Juliana já mostraram interesse. De qualquer maneira acho importante ter momentos de encontro com os artistas que possuem outras propostas <<<<<

>>>>> Pensei também que depois de visitar cada casa poderia voltar nas mesmas casas para DAÍ realizar uma “ação artística”, depois de ter conhecido as pessoas e condição das mesmas. MAS desisti disso porque estou querendo estudar a elaboração desse questionário, como chegar na casa, como me vestir, como falar, como escutar as pessoas num contexto artístico. Vi que estava separando as coisas e não quero isso <<<<<

>>>>> Não sei quantas casas quero visitar exatamente. Imagino 100 casas para ter um percentual redondo e para o caso de fazer: eu e mais uma pessoa. Se forem mais pessoas ai aumenta o número proporcionalmente <<<<<

>>>>> Pensei também que poderia ir mudando as perguntas a medida que fosse visitando as casas e percebendo a repercussão das mesmas. Em conversa com a Weyla  ela me levantou uma questão interessante. Ela disse: Se tu quiser ter dados objetivos, não vai poder ir mudando as perguntas, tem que trabalhar bastante antes, talvez aplicar o questionário a todos do núcleo, e outras pessoas, pra já ir pra casa com um questionário bem elaborado e finalizado <<<<<

>>>> Meu planejamento de trabalho em fevereiro está em coletar os dados do IBGE 2000, estudar teóricos pós-colonialistas (como Edouadr Glissant), psicanálise (sem referência), fazer enquete com artistas pra saber que tipo de perguntas o IBGES poderia fazer para coletar dados sobre o “interesse artístico” das pessoas <<<<<

>>>>> Pensei também que IBGES pode parecer que é mais de um IBGE e não uma nova proposta para o mesmo. Mas gostei da ambiguidade porque justamente não se trata de refazer totalmente a idéia de senso.  Seria equivalente a pensar que cada pessoa não possui uma identidade e sim identidadeS. Dessa maneira ficaria mais infiltrado na lógica oficial <<<<<

Por enquanto é isso.

Um Beijo em Todos



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7 Comentários

  1. Leo Nabuco disse:
    7 de fevereiro de 2011 em 22:22

    ah deixa eu fazer umas visitas também, please!!


    Responder
  2. Weyla disse:
    9 de fevereiro de 2011 em 0:15

    Me encanta demais essa abordagem.

    Como traduzir esses dados? Como acontecerá na casa das pessoas (no corpo)? Como ser subjetivo com os números (no resultado)?

    Eli:Estou DISPONÍVEL.

    Bju


    Responder
  3. elielson disse:
    9 de fevereiro de 2011 em 9:37

    deixo sim leo. haha
    weyla, vamo conversar mais.


    Responder
  4. cleyde silva disse:
    11 de fevereiro de 2011 em 15:22

    Também me interesso e me disponho pra essa estapa inicial fazer parte dessa pesquisa, quero saber como é transformar esse lado objetivo do IBGES em subjetivo.


    Responder
  5. leyr disse:
    14 de fevereiro de 2011 em 15:13

    Você é foda!!!


    Responder
  6. Juliana disse:
    16 de fevereiro de 2011 em 0:22

    Eli.
    Tenho pensado um monte na sua proposta e devendo um comentario por aqui!
    A sua idéia traz um conflito interessante, se propõem a uma missão quase impossível. Mas a impossibilidade dessa missão me leva diretamente a entendê-la como arte, porque afasta a idéia de função.Se tivesse que cumprir uma função, seria ineficiente, mas ufa!, aqui isso não importa absolutamente. Como vc muito bem falou, também acho que “a função, beleza e mérito da arte é justamente mostrar que as coisas não tem função, ou não tem o menor sentido…”
    Então, penso que essa dificuldade beirando a impossibilidade deve funcionar como um motor de invenção pra vc… Com certeza já funciona pra mim…
    Acho que tá funcionando também pra Weyla. Acho bemmm interessante essa informação que ela traz da matemática, isso pode ser ótimo pra esse projeto e parece totalmente coerente com o caminho de vida dela, bem massa.
    Uma coisa me agrada muito no seu projeto que é a vontade de receber… de ouvir…
    Me identifico muitíssimo com isso. Dá espaço para se criar um sentido mútuo da existência do trabalho.
    Acho que essa pergunta é crucial- Que tipo de innformação interessaria a um artista?
    Interessante esse seu desejo de não separar a sua colocação de artista da própria visita às casas. Esse caminho é mais difícil, mas acredito que bem mais interessante.
    Apesar disso fico pensando naqueles gráficos criados como resultado das pesquisas estatatísticas. Me interesso um monte em pensar sobre – Que tipo de gráfico interessaria a um artista, ou melhor, a vc como artista, em resposta aos dados obtidos nas casas?
    Bem instigante e ainda me parece uma ótima forma de entrada do projeto no bairro.
    Quero acompanhar bem de perto com certeza!
    Bonito trabalho!


    Responder
  7. elielson disse:
    16 de fevereiro de 2011 em 2:39

    1leyr, quem é você?

    2Ju obrigado por tuas palavras.
    To bem confrontado com esse projeto IBGES.
    Mas tem me ocupado tb como pensar nas outras idéias propostas como uma rede para esse Mil Casas. Ou melhor o que significa esse projeto como um todo.
    Penso que quanto mais diferentes forem as abordagens e idéias melhor, porque será mais conectado com o nosso contexto.
    Ainda não consegui criar vículo com a minha idéia totalmente, muito menos preciosismo. To aproveitando e me deliciando nessa fase onde todos estão mostrando suas idéias, pensamentos, conectados ou não aos seus trabalhos mais atuais.

    outro ponto que venho pensando é como não consegui relacionar o IBGES com o TTA, ou porque não pensei na Sayara entrando nessas casas de alguma forma.

    talvez porque ache que esses projetos ja tem uma vida e articulação próprias?
    as coisas tb não precisam estar ligadas concretamente e visivelmente, ne?
    venho pensando em como achar essa conexão, ou continuidade do IBGES com minhas outras criações.
    Pq sinto que não faz sentido pra mim criar uma nova e sim uma que esteja conectada com essas outras.
    Estou pensando…. to pesnando….

    se chegar em algo venho aqui.


    Responder

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Uma plataforma entre 17 e 20 artistas de produção e pesquisa em artes perfomáticas que opera dentro de um sistema colaborativo, atuando em diferentes linguagens. Temos o bairro Dirceu Arcoverde, maior periferia de Teresina, Piauí, como campo de interesse e lugar de referência urbana. O projeto tem se voltado principalmente para a criação de mercado e platéia para a arte contemporânea, formação de novos criadores e pesquisa de linguagem.

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Comentários

  • Elielson Pacheco: Me sinto meio idiota no momento. E fico pensando qual é o ponto do desmoronamento que tem que ir...
  • César Costa: Marcelo, concordo contigo quando diz que só o fato de ser artista já não te coloca como medíocre. Se...
  • Danielle: Não dá pra não fazer conexões entre as coisas ditas, ouvidas, feitas, vistas e acontecidas. Acho que não...
  • weyla: Hoje conversando com minha avó ela me disse que não queria mais comprar roupas porque tava perto de...
  • elielson: de comer e se comer sim. opa!

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