por Joubert Arrais
A vibração do encontro-residência 01, em Luís Correia, litoral do Piauí, permanece forte.
Lá eu sempre me perguntava: “onde é que estou mesmo?”. Isso foi bom, principalmente, porque me/nos colocou em uma situação outra onde tínhamos de refletir sobre como estar juntos, colaborativamente.
Imersão é isso, sinto. Um quase batismo. Corpos nas frestas e sombras de outros corpos. Mergulhos metafóricos e reais no mar outro de cada um. Para ver e sentir uns aos outros no cotidiano quase suspenso do mundo.
Das empatias, um primeiro esboço colaborativo que se iniciou com cinco pessoas e agora está com três: eu, Agnaldo Martins e Vitor D’Olive. Daí surgiu a vivência nomeada “Quarto 13” que tem mobilizado questões, sensibilizando-nos para estímulos do que pode vir a ser, de fato, uma proposta artística sobre afetos, remontagem performativa e instalação/desinstalação.
Das orientações, cumplicidades emergiram da casualidade do dia-a-dia. Christine Greiner buscou detectar eixos temáticos nas entrevistas para aproximar interesses individuais e, assim, esboçar alguns primeiros encontros. Jorge Alencar colocou-nos em situações de exercitar a ficção de nós mesmos, relacionando laboratórios práticos e discussão sobre Performatividade. Ambos passearam por referencias teóricas importantes, relacionado-as às demonstrações feitas por nós, ao vivo e em vídeo. Já Marcelo Evelin encerrou o encontro com a proposta de situações de grupo, e ainda discorrendo sobre o que é se posicionar sobre o outro quando há afetos – ou seja, como exercitar a criticidade entendendo os afetos como intelectualidades, e não como pretextos para um isentar-se.
Agora, já na segunda residência, em Teresina, depois de uma semana de “férias”, uma outra ambiência investigativa se forma e se forja segundo um cotidiano mais urbano, mais quente, com menos vento, com moradas incertas e em processo, lidando com a ausência de alguns bons colegas (amigos recentes, como disse Vitor), transformando esta ausência em presenças criativas, revisitando questões individuais para outros novos encontros de colaboração etc.
E, para lembrar, também encontros de laboratório. Até porque nem só da idéia de colaboração vive (pode viver) o Colaboratório. Fiquemos atentos a isso.
Foto L.H.: galpão núcleo > etapa 2 coLABoatório | coLABoratório no movimiento.org