input: Sotaque e Protetor Solar

Por: às 19/09/2010 14:52:53

Mostra de processo do Sotaque e Protetor Solar (que algumas pessoas tão chamando de Sotaque e Sundow, porque é  mais sonoro). Jana participa da V Mostra de Interpretes Criadores Metafóras Espacias com o trabalho.  Esta semana ele foi nosso imput na oficina de pensamento-encontro de fedback .  Estamos dissecando o que vemos a partir de tópicos.  Um panorama do que foi dito:

ASSUNTO = A questão

Weyla:  Tem iscas muito claras, a saia, o paninho da saia, a música, o jeito que ela olha, é sobre a relação dela com esse lugar.

Jacob: Legitimidade e lugar. Discutir um lugar nela,  no corpo dela.     O assunto tá claro, mas o desenvolvimento não.  O que jana quer dizer com isso? Sobre viver aqui, sobre um reconhecimento de ser daqui. O que ela quer falar com isso? Ela não diz exatamente o que ela quer  com isso.. isso é o desenvolvimento. Outra palavra: pertencimento.

Marcelo: Um lugar não é so um espaço físico, é uma condição. Pra mim não tem nada a ver com ser daqui.  Matadouro tem shubert mas nao trata de Viena. Marcelo pergunta: e  como desenvolver? por elementos, por uma dramaturgia mais rebuscada e complexa, por mais materiais e elementos…? Quando olhamos o trabalho do outro não estamos as vezes num lugar de  expectativa? Pra mim expectativa  é um lugar de pouca ação, é um lugar de ilusão, de projeção (eu vou conseguir, vai ser, eu vou ser feliz). Algum dia isso vai acontecer, poderia ser assim….

Juliana:  Pra mim ela mais apresenta uma questão,  mas não se coloca de maneira mais firme dentro….sinto falta de ver ela se posicionando mais claramente. Me parece que ela mais levanta a coisa…. e eu queria  entender qual que é a dela com isso. Isso não tem a ver com forma e formato. É mais conceitual talvez.

Marcelo: A forma que ela usa, já me diz de antemão que algumas coisas vão ser ditas dentro dessa linguagem.   ( a maneira como ela apresenta tudo)

Ana C:  Ela fica muito envolvida com ela, numa relação dela com ela mesmo. Penso muito em distância…idéia de longe, um lugar longe. Como se ela estivesse longe de tudo, da gente… quando ela entra molhada é como se ela estivesse permeável  e estabelece uma relação de inversao, todos nos com calor e ela molhada. Isso é positivo.

Izaká: Molhado, quente, frio, distante, andar muito, pingar ficar com a roupa colada. As imagens são claras,  o movimento que surge a partir dessas imagens também ( ex: chão quente).

Leo: Eu não vejo muito o assunto no corpo,  no movimento, eu vejo mais nos materiais.  Eu não vejo na coreografia.

Alguém:  Molhar  o corpo é colocar a discussão no corpo. Leo:

Marcelo: Mas será que se não está no movimento, isso não  é mais positivo?  Porque aí pode desencadear uma representação e uma narrativa, o assunto coreografado. No movimento esse lugar nordeste, regional, é muito condicionado, existe quase um design de movimento… é  bem reconhecível. Nesse sentido ela foi cuidadosa. O movimento não ilustra.

Val:  Qual é essa cara do Piauí?

A linguagem

Marcelo:  A jana instala uma linguagem e a  questão é também  discutida dentro dessa linguagem.

Elielson: A forma como ela tira o pé do chão (calor) é uma tentaitva de quinta posição. Parece não um cisne mas um pinto molhado em quinta. Isso tem a ver com a linguagem que ela escolhe,  em como ela dá a ver essa linguagem. O jeito que ela escolhe caminhar, ou recortar o espaço…. tá no mesmo lugar da linguagem , ou ” estilo” que ela tá usando.

Marcelo:  É balé, pronto falei! Tem um código.  Só que de uma maneira distante, num outro lugar no corpo. Será que o balé, aí no caso, não é também um lugar?  Que talvez  já seja distanciado no corpo dela,  e nos dias de hoje pra nossa realdiade, que talvez tenha que ser molhado pra tirar o excesso de maquiagem e felicidade que o balé  insiste em ter.  Tomar banho não  é também uma ação de tirar… metaforicamente essa máscara do balé.  Isso não precisa ser uma  critica…. é só pensar onde está pra ela essa informação do balé, que é no caso da Jana, uma zona de conforto.

Leo: As vezes a movimentação, pra mim tem uma mecanização do movimento. Pela própria maneira meio dura, quase uma boneca….

Marcelo: Tem uma coerência  com uma maneira de criar da Jana, uma certa abstração de dança. A linguagem aqui é a maneira como ela faz, como ela se coloca no espaço, como ela se relaciona com o público.  E isso é bem claro desde o começo, quando ela apenas entra e nos olha da parede. Ali já fica claro… é a partir do corpo. Isso é importante, tem que pensar se o que eu prometo ao público,  é o lugar que eu dou ao público. Ou se eu  apenas prometo  uma coisa e depois nem eu mesmo sei onde eu chego…

Juliana> O caminho  que ela faz para quinta posição, chega  de um lugar de quadril que é regional.  Achei bonito ver esses esteirotipos num outro lugar…

Marcelo:  Coexiste o balé e o regional dentro de um formato de dança contemporânea… e aqui  não entra num repertório de dança contemporânea.  Porque  vamos combinar, tem dança contemporânea que é sobre dança contemporânea…. aí vira só um solo de dança contemporânea sobre dança contemporânea. Com códigos bem claro, não tem trilha, não tem cenário,  tem uma roupa casual.

Cipó: Empurrar o espaço com a cabeça, existe aí uma metáfora. Bater com a cabeça com a parede.  Esgarçar o espaço… a jana é uma furadeira.

O contexto

É o vaso onde se coloca a planta (questão)

Weyla: Título e música me direcionam pra um contexto.Clara a relação com o lugar e o calor. Aridez.  Teresina e o sol daqui. Maria da Inglaterra, os códigos, eu reconheço. São iscas.

A jana fica aí ou ela passa disso? Aqui tem um risco muito grande de levantar (adotar) uma regionalidade e só ficar nisso… não dá só pra dizer que  se tem  essa regionalidade apenas como um dado de riqueza. Eu estaria aplicando um juízo de valor, eu talvez ache isso uma iqueza entende??  Não pode ficar só nesse levantamento.

Imagem da jana (nada a ver com nordeste) = corpo.

Marcelo> Uma idéia de restrição pode ser adotada desde o inicio, botar o dedo no lugar de regionalidade mais com um recorte claro,  isso  pode ser uma restrição.

A música do  Pedro Tapajó ( link com Brasília)

A saia- nordeste-sofisiticada . Paninho de mulher que fica em porta, de uma velha. A roupa fica seca muito rápido, corpo que  evapora como uma cidade.

Perfomatividade

Jacob : Começar completamente vulnerável. (pinto molhado). Marcelo: Está molhada parece desprotegido. Você tá  de cara molhada, aconteceu um acidente, ou passou um carro, ou ficou do lado de fora de casa;

Marcelo:  As mãos da Jana.  Ainda são muletas de tensão, e não estão definidas.  Deformações, uma coisa que foi deixada no sol e mudou de forma. Não é uma tensão escolhida….a mão claramente não foi escolhida.

Elielson/ Marcelo: As deformações  vem de um impulso coreográfico,  como um pulo de balarino, tem um ranso… o começo formal…. que é lugar é esse? de onde vem cada movimento?…..poderia ser de um lugar mais árido mais ermo..mais distante…que vai pra um  outro lugar que distorce.

Elielson/ Marcelo/ Izaká: Nas curvas tem uma estética diferente…

Layane/ Leo: A música vai se construindo formalmente..como uma trilha. Repensar. Modernosa,  assumir que é trilha??

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Os encontros prosseguem, se você ficou interessado, entra em contato, aparece, manda um email, mostra alguma coisa… próxima semana coLABoratório na mesa.



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5 Comentários

  1. jana disse:
    20 de setembro de 2010 em 14:26

    foi muito bom conversar, sair um pouco da solidão do solo! ver que estou num caminho que é o que eu quero.
    adorei os pontos levantados e com certeza ja estão me ajudando…
    tenho pensado ate na sonoridade do título, sundown… posso usar, léo Nabuco??

    bom o texto, pensei que era da lay, mas ta no nome da Bebel.
    quando voltar quero fazer aqui!


    Responder
  2. elielson disse:
    21 de setembro de 2010 em 11:30

    jana, fazendo o do contra.
    acho que “sotaque e sondown” me leva pra um lugar que encaixa fácil demais, um lugar pop, ou de rima engraçadinha, abre concessão. apesar de ter a coisa boa que é situar no tempo.
    acho que “sotaque e protetor solar” tem uma estranheza que não encaixa tão facilmente, é estranho e nem paraece nome que se daria a alguma coisa, muito menos uma peça de dança. isso pra mim fala mais de um desejo, uma vontade de fazer e o nome ter que ser mesmo nao parecendo fazer sentido. você ja entra com um nó pra desfazer. e acho isso mais coerente pro trabalho que vc esta fazendo que profundamente parece tentar encaixar coisas nao encaixáveis como balé e o remelexo do quadril.
    so pra tu pensar…..


    Responder
  3. Leonardo disse:
    22 de setembro de 2010 em 0:34

    O Mais bacana das coisas que vejo , e quando entro aqui nesse espaço do Núcleo do Dirceu e percebo que o grupo continua com sua efervecência a todo vapor , e sempre trazendo coisas maravilhosas pra quem vê , se degustar .É Importante além do coletivo , cria seus trabalhos e dividir seus pensamentos e suas “intrigas “adorei esse trabalho da Jana e gostei mais ainda da forma com que foi escrito aqui no site , as discurssões , as duvidas e os conselhos sobre o trabalho . Muito Muito bacana .


    Responder
  4. jana disse:
    25 de setembro de 2010 em 14:43

    oi Eli

    de certa forma concordo contigo e acho que me expressei mal.
    quero usar, mas não pra mudar o nome do solo, mas como apelido carinhoso!
    tipo miniatriz, mediatrix.

    beijos e saudades


    Responder
  5. elielson disse:
    26 de setembro de 2010 em 19:42

    kkkkk
    ahhhhh!


    Responder

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