Instantâneo 10 de setembro.

Por: às 10/09/2008 19:31:00

O que o seu corpo não aguenta mais? Um corpo que não aguenta mais.

Este oportunista reconhecimento do que outros artistas tem discutido e a apropriação desse novo-velho assunto é o dilema das últimas reuniões e discussões do projeto instantâneo. Antes de discutir poder, biopoder, ou refletir sobre a condição do corpo na contemporaineidade, ou mesmo escolher uma direção: Kafka – Focault – Roland Barthes – Giorgio Agamben -David Lapoujade – Artaud – Nietzsche – Deleuze … pois bem, antes, e até mesmo agora, estamos tomando o tempo necessário para perceber “o que não nos damos conta”.

O interesse comum pela frase em voga surgiu do reconhecimento de um estado de desgaste e cansaço. Essa palavra desgaste pode nos trazer algumas imagens, a metáfora que faço, é a da trama de um tecido, que com o tempo vai se desgastando, esgarçando, ficando poroso, na real vai se transformando em outra trama onde os fios se comportam de tal maneira que passamos a ter um outro tecido.

Conseguimos identificar lugares que nos interessavam investigar: violência – ausência – desorientação – impotência – sensação: mistura onde não acontece decantação.

Experimentamos um “excesso de contemporâneo”!

Em algum lugar aqui li, que (…)”seria preciso retomar o corpo naquilo que lhe é mais próprio, sua dor no encontro com a exterioridade, sua condição de corpo afetado pelas forças do mundo(…) da alteridade que o atinge, da multidão de estímulos e excitações, que cabe a ele selecionar, evitar, escolher, acolher… CONDIÇÃO DE CORPO: EXPOSTO AO FORA.

Em setembro começamos por decantação: processo fundamentado nas diferentes densidades dos componentes de uma mistura e permite separar misturas heterogêneas. No processo de decantação a força da gravidade é utilizada para separar as partículas de densidade maior que a da água, depositando-as em uma superfície ou zona de armazenamento. Decantar uma coisa? Submeter-se a um processo de decantação?

Repetição foi adotado como procedimento, e por um mês cada quarta-feira dará prosseguimento a outra, partindo do(s) ponto(s) investigados, do espaço proposto, das relações construídas E identificadas, do material papel, figurino escolhido, etc.Como quando se altera os elementos de uma experiência a medida que ela se repete.

>Fazer – estar
>Corpo – pedaço de corpo
>Pausa – nota para silêncio /silêncio como partitura
[quarta-feira passada 3 de set]

L.H.



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2 Comentários

  1. Anonymous disse:
    11 de setembro de 2008 em 18:33

    o mesmo corpo que “nao aguenta mais”, que vive a vida nua, a sobrevida, que esta sob os mecanismos de poder, na mira da biopolitica e´ o corpo que resiste, que se liberta, o corpo da biopotencia.
    quer dizer, a coisa toda funciona dubiamente: o corpo que e´excluido, jogado de lado na sociedade atual e´o mesmo corpo que tem o poder de virar o jogo, que tem em si a força da potencia, pra ir contra tudo o que lhe foi feito.
    pensem nisso e leiam peter pal pelbart, de preferencia “vida capital”. essencial!


    Responder
  2. wilena weronez disse:
    15 de setembro de 2008 em 15:03

    Anônimo..adorei seu comentário! E esse lance de biopotencia, acho q é algo a ser mais pensando e praticado pelo NCD, vou ler sobre o assunto, mas meu primeiro entendimento foi sobre uma coisa bem rala, como não deixar ser engolido por essa sociedade q vc citou, e o livro do rapaz aí vc tem? gostaria de enprestar? se sim e quizer continuar anônimo dah um jeito de ele chegar as minhas mãos, sei lá coloque em cima da mesa do NCD, e deixe um recado aqui no blog..ultimamente tenho recebido coisas assim..até o sapatinho da minha filha q uso como capa de celular q passou uma semana sumido apareceu misteriosamente em cima da mesa do núcleo..sei lá é só uma sugestão..estou falando sério se puder emprestar ficarei bem feliz..mas se ñ quiser emprestar tudo bem..


    Responder

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Uma plataforma entre 17 e 20 artistas de produção e pesquisa em artes perfomáticas que opera dentro de um sistema colaborativo, atuando em diferentes linguagens. Temos o bairro Dirceu Arcoverde, maior periferia de Teresina, Piauí, como campo de interesse e lugar de referência urbana. O projeto tem se voltado principalmente para a criação de mercado e platéia para a arte contemporânea, formação de novos criadores e pesquisa de linguagem.

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