
Quando um artista começa uma pesquisa pressupõe-se que ele parte de uma necessidade que pode ser pessoal ou universal. Quando essa necessidade é pessoal surge no meio do caminho outra necessidade, a necessidade de transformar aquele interesse pessoal em algo de interesse comum, em algo que seja importante pra alguém. Na busca desse interesse comum agente às vezes acaba “inventando” demais e fugindo do nosso ponto de partida, do nosso interesse pessoal. Por exemplo, eu tenho necessidade de falar sobre a minha relação com as mulheres da minha família e no decorrer do trabalho eu descubro que o interesse comum é a guerra do Iraque. Mas até que ponto é importante discutir uma coisa pessoal? Até o ponto em que essa discussão deixa de ser só pessoal e passa a englobar um interesse mais comum? E como chegar nesse interesse comum? E digamos que encontre um interesse universal qual o risco desse interesse divergir com o meu interesse pessoal? Mas será que esse interesse pessoal não pode servir apenas como um ponto de partida que pode me levar a outros interesses universais? Ou seria mais interessante pra mim realmente discutir oque me levou a discutir? Isso pra mim é confuso demais às vezes e eu realmente não consigo encontrar o ponto, não consigo saber se é importante pra mim manter na minha discussão oque me levou a uma necessidade ou se isso me prende e fecha meus olhos pra os outros caminhos que o trabalho pode tomar.
izabelle frota.
19 de julho de 2008 em 22:02
muito boa essa foto…
20 de julho de 2008 em 11:33
Muito interessante. Só não acredito que o artista seja movido por necessidades universais. Se ele toma como ponto de partida um estudo cujo tema é universal, e esse tema desperta interesses comuns, ele usou esse tema por interesses próprios. Tentarei ser mais clara:
Se você usa interesses pessoais, como família, mas termina falando da guerra do Iraque, é porque esse segundo tema mexe contigo. É, com certeza, universal, mas a necessidade de falar dele é pura e simplesmente pessoal.
Existe na obra de arte a sublimação, e é ela que dita o que o artista deve fazer. Ele não escolhe seus temas, quando o artista sente uma necessidade de produzir uma obra que trata da guerra do Iraque ou das suas relações pessoais ele faz isso porque sua necessidade pessoal é urgente, independente de ser universal ou não.
O certo é que todo artista tem necessidade de sublimação, e é essa sublimação que mantém a cabeça produzindo e a saúde mental. Por mais que o artista se diga dono de sua obra e ache que o que ele faz é fruto de seu raciocínio, das suas escolhas, é o seu inconsciente (visão bem psicanalítica) quem está impondo aquela produção. Imagine-se possuído por uma espécie de demônio que comanda todos os seus atos. Falando de forma bem grosseira, é isso que acontece com quem faz arte.
É por isso que o artista “acaba ‘inventando’ demais e fugindo do nosso ponto de partida, do nosso interesse pessoal.”
Quanto à resposta da sua pergunta “até que ponto é importante discutir uma coisa pessoal?”, eu acredito que é de extrema importância para você, já para p público, ele se mete porque quer, porque também tem necessidade de sublimação e encontra na sua obra a cartase que o faz permanecer controlado dentro de sua mente, caso contrária, a sociedade organizada deixaria de existir e tudo seria caos (Aristóteles).
Vica Lemos
21 de julho de 2008 em 13:06
Bom vc por aqui Vica! Mas ainda tá me devendo a colaboração né (rs).
Eu também nao entendo muito essa coisa de interesse “universal” bebel. è quase como se existeissem assuntos que interessam ao mundo e outros que só me dizem respeito… e esses sao pontos de partidas que podem tornar minha “obra” mais ou menos relevante.
Mas só acho que o trabalho sempre ultrapassa os pretextos e pontos de partida.é sempre uma co-autoria sua e de quem vê.
Nao sei bem o que é esse negocio aí de universal não!
ah! Jana a foto é minha blé… rs.
21 de julho de 2008 em 16:28
é estranho mesmo esses tais interesses universais…pq a obra artítica não é algo que só é interessante pra quem faz e nem o contrário, agradar a todos, ser universal…
talvez seja tranformar aquilo que é importante pra vc de uma forma que vc seduza a todos, que mostre q aquilo tem um porquE^…
(são só divagações…)
22 de julho de 2008 em 14:54
Como expectadora entendo o que Bebel quis dizer, e acho válida sua preocupação. Pois me lembrou alguns trabalhos que vi e tratavam de pontos que ficavam excessivamente “ali”, numa necessidade muito especifica do próprio artista. Claro que pode ter faltado abertura ou entendimento (mesmo!) de minha parte, mas entendo q os trabalhos ganham em buscar pontos de ligação (coerentes, sem forçar a barra) com interesses mais “universais” sim, mesmo q o ponto de partida sempre seja uma necessidade particular.
29 de julho de 2008 em 0:27
de quem é essa obra da foto Bebel?
beijos, sheila
1 de agosto de 2008 em 9:15
sheila, fuieu que coloquei,mas eu tambem queria muito saber. (rs)
tenho um arquivo de imagens, coisa de cinco anos que vou pegando na net.
Alguns nao tem nome.
beijos, saudade de bater um papo.
l.h.