Para começar, gostaria de dividir um pouco como foram as primeiras 5 semanas da especialização em dança que estou fazendo em salvador, na UFBA. O Nome inteiro é Estudos Contemporãneos em Dança. Foi um período bem intenso, delicioso, aulas ótimas e uma turma bem heterogênea, gente de todo lugar do Brasil, e com uma boa química. Além da experiência de ir para uma cidade que eu não conhecia, cheia de paisagens, lugares e jeitos de viver diferentes, reencontrar alguns amigos, passar quase 2 meses acordando, morrendo de calor e olhando para o mar – a gente fica em outro ritmo, que não é o axé…A única coisa que não mudou foi a minha aparência de turista.
(quase todo mundo, no último dia de aula, no parque do pituaçu)
A forma como é pensada a dança lá é muito próxima do que eu trabalho aqui e o que fiz mesmo foi aprofundar muita coisa, entender outras conexões, me reapaixonar sem ter desapaixonado dos estudos. E fazer uma monografia no final, depois de 5 anos de formada e de lá pra cá sem fazer textos acadêmicos. Mas depois de escrever tanto projeto chato, acho que vai ser gostoso.
Alguns tópicos de cada semana:
A primeira semana começou com a Fabiana Brito, introduzindo a teoria do conhecimento. como a gente conhece as coisas? era o ponto de partida.
- pensamento se dá em fluxo contínuo
- dança como produto e ato de cognição
- processo, configuração, relacionamento
- concretude da dança é no tempo
- efeito catraca
- processo – relações diferentes acontecendo ao mesmo tempo.
- entender as lógicas que regem cada coisa
- evolução = mudança, não ter a ver necessariamente com progresso.
- a natureza não tem moral
Segunda semana, Lenira Rengel, aulas práticas e teóricas – questões contemporâneas do corpo
- dança como área de conhecimento
- corponectividade, corponectivo, mentecorpo
- contemporaneidade como forma de pensar e não período histórico
- Estudo do movimento de Laban – cinesfera – Forsythe
- entender fazendo os conceitos que eram trazidos – isso foi muito rico
- A instrução e as imagens que vc dá quando dá aula. Exemplo da coluna ereta, ela nunca vai ser reta.
- ações pedagógicas não se dão somente na escola.
- unwelt
- semoise – ícone, indice, símbolo
3a semana, metodologia da pesquisa com a Jussara Setenta.
um pouco chatinho, aprender a escrever academicamente, dar referências, citação, normas e regras. Blá blá blá.
Lemos muitos textos interessantes para fazer resumos e discutir rapidamente, mas que falavam do que estava sendo estudado nas outras aulas. Outro exercício bom foi ter que ler textos enormes, saber que não daria tempo, aprender a lidar com isso, já que sempre tem mais texto para ler do que tempo suficiente na vida. Isso principalmente para quem quer seguir carreira acadêmica.
4 semana, intensivão Heleninha Katz. Cultura e contemporaneidade
- epistemologias do Sul e conceito de linhas abissais- Boaventura
- entender a dança no brasil tem que entender o processo de colonização
- teoria corpomídia – corpo é sempre um estado transitório, ele não recusa informação e a qualidade da informação afeta ele em tempo real.
- espectador emancipado – de Raciére
- qual a técnica do dançarino hoje? o que é tecnica? Qual o papel da universidade?
- arte contemporânea
- exercício de assitir trechos de obras e tirar delas alguma questão pertinente.
- auto avaliação no final
E para fechar, novas abordagens do corpo, com a Gilsamara Moura. Uma surpresa pra mim como professora e pessoa.
- abordagem – quando um navio encosta no outro
- matematizar não é eliminar o sensível
- conceitos de hibridismo e mestiçagem na dança
- o que é um corpo atual?
- aula no museu Rodin, lugar inesquecível de salvador, entender movimento e corpo pelas obras de rodin. escolher algumas obras, analisar, descrever, incorporar, relacionar
- aulas práticas, discussão a partir de vídeos
Muita coisa pra praticar e compartilhar. Por favor podem me explorar!! To com muita vontade de achar meios de compartilhar tanta coisa interessante, seja numa conversa, vendo um vídeo, dando uma pequena aula, não sei.
Aqui tem o blog da turma, feito por mim (!) mas toda a galera entra e escreve. É um espaço para a continuação das discussões das aulas, como isso cruza na trajetória de cada um, uma forma de continuar trocando, tirando dúvidas, produzindo conhecimento. porque na verdade quando a gente gosta de determinado assunto, não acaba nunca. sempre tem o que falar.
