

DIAS 7 E 13 DE AGOSTO – NO TMJP2.
O KNeecpntcaccc partiu de uma proposta lançada e de uma necessidade pungente. Quando começamos o projeto, (inicialmente visando essa única apresentação na programação de aniversário do JPII) ele não tinha forma, não tinha ‘tema’, não tinha delimitação – no limits!
Nós, os integrantes da ‘coisa’, já estávamos tentando encontrar um ponto de confluência entre nossas linguagens, mas nunca havíamos esboçado algo tão ‘concreto’ (o que contradiz certo ponto do título – digamos que então seja a concretização de algo não tão concreto e tangível à primeira vista).
Ponto 1.
Adler Murad, meu amigo de outras conversas, o qual vi migrar das resenhas musicais ao universo da produção imagética, sugeriu então, um arranjo ainda desconhecido (no sentido de que ainda não sabíamos o universo a ser abordado) de plataformas midiáticas que nos fizesse novamente misturar as coisas – ele trabalharia grafismos, Samir Melo agregaria iluminação, e eu, base conceitual e vídeos.Depois daí, comecei a pensar em outra experiência feita por nós, o projeto Subúrbio, (Sub – inferior; urb – de urbano; e bio – de vida: a vida inferiorizada das cidades de concreto) no qual realizávamos construções não planejadas com lixo, caixas de papelão e tinta. Ali, estávamos não só trabalhando a plástica externa da vida em estado caótico convivendo com a escassez material da má distribuição de bens. De certa forma, o que estava em jogo era exatamente o interno, a vida que ali circulava e o cabimento daquilo tudo.
Ponto 2.
Depois, a confusão mental causada por toda essa liberdade de discurso é grande e lembrei das aulas de história da arte, da concepção de que o ser humano tem a necessidade de limitar as coisas (o que me remete a um lembrete que fiz nas anotações – preciso me tornar um ser humano IMEDIATAMENTE).
Ponto 3.
Por fim, fico sempre observando que a aceitação das coisas, semioticamente falando, está sempre diretamente conectada ao sentido lógico atribuído à combinação de elementos. Pra muita gente, uma tatuagem em um corpo velho ‘não tem cabimento’; manifestações contraculturais ‘não tem cabimento’; um sapato numa geladeira ‘não tem cabimento’; pau no cu?
-Não cabe, não cabe, não cabe! Don’t you ever think about that!
O sentido atribuído pela massa (e quando falo massa, não em sentido pejorativo) é gerado por uma idéia de mundo de longa data, transmitido de geração a geração a respeito da combinação de coisas, o que pode e o que não pode. Um positivismo que até hoje domina o mundo e posiciona os corpos numa fila indiana sem fim – tempos modernos que já existem há séculos.
O sentido atribuído ao agrupamento de coisas é, em geral, universal – isso não combina com aquilo. Mas o subjetivo da questão é que é pouco abordado e geralmente o sentido atribuído não faz nenhum sentido, só existe. Então, por que não embaralhar o sentido das coisas? Por que não provocar até que alguém na rua pare e veja que aquela ação não seria possível no universo de possibilidades em que habita e que no entanto está ali, vivo, presente, atuante?
Creio que a essência do ser humano seja móvel, eterna transeunte, desbravadora dos limites e que mesmo que tenhamos essa necessidade de delimitar, tenhamos muito mais a de borrar esses limites até o limite da ‘deslimitação’. O hábito cria barreiras fortes e a arte vem exatamente provocar essas barreiras, sacudir os conceitos dentro de um saco (de gatos ou não), incomodar e apontar para a possibilidades de outras conexões e ações – ações que até extrapolam o que a própria arte demonstrou até hoje. Um cachimbo não é um cachimbo; cadeira não foi feita pra sentar; fotografar a fotografia da foto antiga; são todas coisas que antes não estavam ali e cujo choque de proposta causa tamanho estranhamento que se torne necessário observar, necessidade de encontrar motivo pro que até então não existia em linhas concretas.
É com essa idéia de mistura de recipientes físicos e mentais, que iniciamos Kicabe Nokubo, um experimento de tríades trocadas de ícones, símbolos e índices diversos.Vídeo-performance-música-escultura-fotograf-desenho-literatura-e-des*: a informação invade os meios e é transmitida em cada um de acordo com o que suporta cada plataforma. Todo meio é limitado na transmissão da informação ao receptor e agregar todos esses suportes é preencher as limitações de um em outro. O que cabe no cubo? Título de 20 palavras e 4 idiomas cabe no folder da programação? Cabe um corpo que não dança cabe na dança? Cabe um grito na avenida? Não que ao fim saibamos a lógica-proporção-a-la-pi-três-vírgula-14, mesmo porque não é nosso intento preencher cadastros quantitativos sobre o cabimento das coisas. A questão é a da tentativa de tamanhos e possíveis construções, a ação de perguntar ‘o que cabe’ de 3 e mais corpos que não cabem em si mesmos.
*demais experiências sensoriais
L Vascons
10 de agosto de 2007 em 5:53
caralho luana eu quero ver isso !!!