Kyoto seems….

Por: às 06/10/2011 14:12:46

Kyoto seems… uma mistura entre tradição e futuro, um entre… gatinhas zambetas de  pernas tortas e joelhos pra dentro, uma infinidade de dolls de peles perfeitas,  mulheres  lindas, mulheres lindas, lin-das e fashion… e também japas esquisitas e estranhas. Kyoto são pequenas ruas apertadas sem calçada com máquinas de chá em cada esquina e portinhas que cheiram a comida deliciosas (e nao tão deliciosas as vezes), placas e sinais por todos os lados, e  multa ao fumar no meio da rua (Jacob no primeiro dia rs). Caminhar  muito muito muito e ouvir musiquinha o tempo todo na rua como se fosse natal. Na verdade Kyoto é  se ouvir o tempo todo e  só depois de um tempo  se dar conta (de novo) que  só a gente tá conversando,  porque eles parecem não se falar nas ruas (lembrei da sheyla ribeiro me antecipando essa experiencia: que por aqui eles nao tem necessidade de ter opinião sobre tudo). Kyoto é o mistério das bichas: onde elas estão?  onde elas se escondem,  não se vê beeees nas ruas, e também não se vê muitos casais ….  vez ou outra velhinhas e velhinhos talhados na elegância, impecáveis na sua tranquilidade imponente, solene, corpos que tornam a esquina ou a mesa ao lado uma experiência cinematográfica.Vovós e vovôs Japas  me distraem. Kyoto parece semana de moda em Milão, ocidente Louis Viton nas vitrines, nas bolsas  e nos saltos, e ao mesmo tempo, ali do lado,  figuras históricas, monjes com  guetás e kimonos borram a paisagem.  Por aqui é comum ver saindo do supermercado pequenas gueixas-mamaes com guarda-chuvas e sacolas de compras. No cardápio, dependendo do lugar você vai na figura mesmo,  aponta,  daí que você pede um drink e adivinha o que te trazem? arroz. Sim, as vezes rola uma confusão.

Aqui deve ser o único lugar NO MUNDO  que em que as pessoas ficam legal usando crocs e ninguém  se incomoda em fazer mimica na loja  ( ao contrário do que pensei pouca gente fala ingles), meninas boneca com panfletos parecem nazalizar ainda mais a voz anunciando repetidamente alguma coisa, mesmo sabendo que claramente você não está entendendo….  sim é como nos filmes, alguns japas falam cantando né com voz de criança né… mas só alguns. Kyoto é império apple, mesmo sem loja oficial (que fica em Ozaka) e a TV é  uma experiencia curiosa. Eu gostei mais dos intervalos comerciais e morro afirmando que vi uma propaganda onde um homem anunciava um absorvente (????). Vi ainda um programa policial japonês, com cameras, legendas, musicas de ação e o ápice da violência: pessoas sendo flagradas roubando num supermercado, sendo levadas para uma sala num clima e narração muito muito muito sério……tipo o crime do biscoito, da cerveja, das coisas dentro da bolsa.

Kyoto é o outro, o outro…voce cumprimenta, voce pede, voce agradece, voce pede, voce pergunta se pode, você avisa, você não está sozinho…  e se você presta atenção a cidade respira fetiche em pequenas fachadas que piscam, clubes de garotas, bancas de revistas, mangás.  Por aqui a faixa de pedestre tem no fim da tarde a coreografia languida de saias drapeadas, meias 3/4 e mochilas, cilios enormes e bocas com gloss.  Sim  você topa com as estudantes ninfetas dos mangás ( e pra gente  isso é um pouco esquisito). Todo táxi é super Kitsch, com encostos bordados nos bancos, cheveirinhos, luzes, lads nas portas  e motoristas de luvinha e quepe bregas. Quando  você se distrai, o principal…um samurai hichtech passa na sua frente tatuado de terno, impecável,  homens lindos com ar sério-androgeno e cabelos iguais aos dos cavaleiros do zodíaco…..uma sexualidade estranha atípica, linda, um tesão. Aqui você experimenta a sensação de ser gringo e saca quando eles estão achando alguma coisa engraçada – pensa que Japa não curte da gente?  -  ou quando simplesmente estão incomodados com o barulho, com a ocupação do espaço, a gente chega no lugar e parece se apropriar dele sem muito cuidado ou precaução…. (o que as vezes eu acho bom na real) . Kyoto é um contraste na comunicação visual, vai do minimal sofisticado, preciso e chique ao deliberado “tô cagando para as leis da gestaul” onde a regra é cor, cor, letra, letra, e uma confusão visual. O supermercado e as lojas de game tornam qualquer comprinha um evento sinestésico.

Kyoto é chegar no hotel e  se deparar no corredor com um cara pelado entrando no quarto, um japa sentado no chão chorando, ou um grupo tipo magnatas da maleta pisando firme com suas colunas retas como num trailler de kill bill, é por um segundo olhar pro lado e perceber que os técnicos do teatro já terminaram eficiente e silenciosamente o que iam fazer e sumiram como ninjas, Kyoto é se perder arquitetura misturada, nos muros e jardins dos palácios e templos, visitar as termas comunitárias, jantar com o casal da embaixada do brasil… é a cada instante se preparar para  algo absolutamente novo e inusitado que pode acontecer.

Matadouro acontece aqui e é atravessado por toda essa euforia, por toda essa quantidade de informação e novidade. Não sabemos ao certo  como esses corpos correm ou vão correr a partir desse contexto… mas desconfio que precisamos ficar atentos, concentrados, tentando não perder a conexão entre nós nesse mundo alucinado Japão. Tentando aprender com eles a estar delicadamente juntos.



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  • Elielson Pacheco: Me sinto meio idiota no momento. E fico pensando qual é o ponto do desmoronamento que tem que ir...
  • César Costa: Marcelo, concordo contigo quando diz que só o fato de ser artista já não te coloca como medíocre. Se...
  • Danielle: Não dá pra não fazer conexões entre as coisas ditas, ouvidas, feitas, vistas e acontecidas. Acho que não...
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