Depois de duas semanas de programação intensa no Teatro Municipal João Paulo II, com a participação de nomes importantes da arte contemporânea no Brasil, como Helena Bastos, Raul Rachou e Vera Sala, mais o ator Beto Brown, mais a gerente de Artes Cênicas do Itaú Cultural Sônia Sobral e mais o produtor cultural Amaury Cacciacarro Filho, a conclusão é de que existe muito a ser conversado, discutido, debatido, com a intenção de enriquecer a qualquer pessoa que tenha interesse de participar.
O Mapas não é um projeto criado por artistas para artistas. Segundo o diretor do TMJP2, Marcelo Evelin, a comunidade é um grande foco de informações, por isso a presença dela no Mapas é vital para o crescimento da rede de trocas.
Para Sônia Sobral, que veio fazer a abertura lançando um livro e um box com DVDs do Rumos Dança, são exatamente as trocas que tornam o projeto mais interessante. “O melhor do Mapas é que não se trata de uma troca passiva, onde pessoas vêm de fora e deixam seu conhecimento. Existe um ‘download’ e um ‘upload’ na mesma intensidade. Teresina tem muito o que mostrar. Outros artistas que estiveram aqui pelo projeto Rumos Dança me contavam muito mais sobre o que tinham aprendido do que sobre o que tinham repassado para os alunos das oficinas que ministraram. Creio que o Mapas tem tudo para crescer porque ele tem essa porosidade, esse leva e traz, que não permite que pessoas venham de fora, com uma certa empáfia, dizer que vieram ‘ensinar’. Elas chegam aqui e aprendem também. O pessoal do Núcleo de Criação do Dirceu tem saberes completamente diferentes, isso é ótimo porque na heterogeneidade existe muito mais conhecimento. O Mapas pratica trocas sem hierarquia, é uma conversa entre pares”, comentou a gerente de Artes Cênicas do Itaú Cultural.
Sobral ainda destacou outro ponto: a possibilidade de reorganizar conceitos com base em novas informações. “Todos os artistas que vierem aqui vão dar uma balançada nas idéias. Em ciência, desorganizar é positivo, porque é preciso desorganizar para reorganizar diferente, o que acaba criando uma nova forma de pensar”, disse.
Para a bailarina Helena Bastos, a cumplicidade que existe entre os artistas do NCD é motivo de destaque. “A gente percebe claramente que eles têm um entendimento sobre o que estão fazendo. Isso tem a ver com o ‘background’, com a formação que eles tiveram desde o começo”, elogiou.
A intérprete-criadora Vera Sala vê o Mapas como uma estratégia de continuidade do trabalho que já vem sendo desenvolvido pelo Núcleo.
Marcelo Evelin mostrou-se satisfeito com o resultado da primeira edição do projeto. “Acho que os convidados que vieram abrir trouxeram pontos importantes de discussão e isso é bom. As discussões de arte estão se aproximando da ciência, é um grande avanço. Outra coisa que é bom esclarecer é que o projeto já começou como uma parceria de instituições, não entre amigos/artistas. Por exemplo, mesmo que eu não esteja mais aqui, ou que a Sônia não esteja mais no Itaú Cultural, a parceria entre o Teatro/Núcleo de Criação do Dirceu e o Itaú Cultural continua”, disse o diretor do TMJP2.