Mapas do Corpo (primeira edição)

Por: às 07/02/2008 19:20:00

Criar um espaço de discussão e conversa, que possibilitasse as mais variadas trocas de informações e conhecimento. Quando o projeto Mapas do Corpo foi pensado, a idéia era seguir este caminho.

Depois de duas semanas de programação intensa no Teatro Municipal João Paulo II, com a participação de nomes importantes da arte contemporânea no Brasil, como Helena Bastos, Raul Rachou e Vera Sala, mais o ator Beto Brown, mais a gerente de Artes Cênicas do Itaú Cultural Sônia Sobral e mais o produtor cultural Amaury Cacciacarro Filho, a conclusão é de que existe muito a ser conversado, discutido, debatido, com a intenção de enriquecer a qualquer pessoa que tenha interesse de participar.

O Mapas não é um projeto criado por artistas para artistas. Segundo o diretor do TMJP2, Marcelo Evelin, a comunidade é um grande foco de informações, por isso a presença dela no Mapas é vital para o crescimento da rede de trocas.

Para Sônia Sobral, que veio fazer a abertura lançando um livro e um box com DVDs do Rumos Dança, são exatamente as trocas que tornam o projeto mais interessante. “O melhor do Mapas é que não se trata de uma troca passiva, onde pessoas vêm de fora e deixam seu conhecimento. Existe um ‘download’ e um ‘upload’ na mesma intensidade. Teresina tem muito o que mostrar. Outros artistas que estiveram aqui pelo projeto Rumos Dança me contavam muito mais sobre o que tinham aprendido do que sobre o que tinham repassado para os alunos das oficinas que ministraram. Creio que o Mapas tem tudo para crescer porque ele tem essa porosidade, esse leva e traz, que não permite que pessoas venham de fora, com uma certa empáfia, dizer que vieram ‘ensinar’. Elas chegam aqui e aprendem também. O pessoal do Núcleo de Criação do Dirceu tem saberes completamente diferentes, isso é ótimo porque na heterogeneidade existe muito mais conhecimento. O Mapas pratica trocas sem hierarquia, é uma conversa entre pares”, comentou a gerente de Artes Cênicas do Itaú Cultural.

Sobral ainda destacou outro ponto: a possibilidade de reorganizar conceitos com base em novas informações. “Todos os artistas que vierem aqui vão dar uma balançada nas idéias. Em ciência, desorganizar é positivo, porque é preciso desorganizar para reorganizar diferente, o que acaba criando uma nova forma de pensar”, disse.

Para a bailarina Helena Bastos, a cumplicidade que existe entre os artistas do NCD é motivo de destaque. “A gente percebe claramente que eles têm um entendimento sobre o que estão fazendo. Isso tem a ver com o ‘background’, com a formação que eles tiveram desde o começo”, elogiou.

A intérprete-criadora Vera Sala vê o Mapas como uma estratégia de continuidade do trabalho que já vem sendo desenvolvido pelo Núcleo.

Marcelo Evelin mostrou-se satisfeito com o resultado da primeira edição do projeto. “Acho que os convidados que vieram abrir trouxeram pontos importantes de discussão e isso é bom. As discussões de arte estão se aproximando da ciência, é um grande avanço. Outra coisa que é bom esclarecer é que o projeto já começou como uma parceria de instituições, não entre amigos/artistas. Por exemplo, mesmo que eu não esteja mais aqui, ou que a Sônia não esteja mais no Itaú Cultural, a parceria entre o Teatro/Núcleo de Criação do Dirceu e o Itaú Cultural continua”, disse o diretor do TMJP2.

O projeto Mapas do Corpo vai seguir até o final deste ano. Serão edições trimestrais, com novos convidados, novas idéias e novas propostas. “A idéia é não ter mesmo um formato muito claro. Pensamos em criar mesas de estudo, grupos de trabalho para estudar a partir de tópicos lançados. Queremos elaborar textos que possam ser avaliados e em seguida transformados em uma publicação. E, principalmente, queremos estabelecer mais diálogo. O cenário artístico de Teresina é muito fechado. Parece que as pessoas têm medo uma da outra, o que cria isso é a perspectiva – nem sempre verdadeira – de que o outro quer tomar o seu lugar. Mas isso é antigo, hoje temos mais espaço, cada um pode fazer o que quiser e é interessante haver uma troca entre as pessoas”, finalizou o diretor do TMJP2.

Agora é aguardar uma próxima edição!

Natacha Maranhão
[fotos: júnior araújo / klayton amorim]




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Uma plataforma entre 17 e 20 artistas de produção e pesquisa em artes perfomáticas que opera dentro de um sistema colaborativo, atuando em diferentes linguagens. Temos o bairro Dirceu Arcoverde, maior periferia de Teresina, Piauí, como campo de interesse e lugar de referência urbana. O projeto tem se voltado principalmente para a criação de mercado e platéia para a arte contemporânea, formação de novos criadores e pesquisa de linguagem.

Comentários

  • ju: Muito bonito! Tem muito caldo nessa idéia de baiar e exceder a individualidade a partir de um ambiente gerado por...
  • Kayoo': Muito Bom Muito Lindo e Muito “Estigador “
  • Layane Holanda: pois é tem um tom meio “bacaninha” mas sabia que eu gosto da cara de pau, é meio...
  • L.H.: que lindasssssss……so peguei os vestigios, comentários e impressoes da tarde. Que lindo o...
  • Jell: o massa é que tem imagens que acho que por si só já me abrem outras imagens dentro delas(mesmo sem manipular no...

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