Eu perdi a conta de quantas vezes vi o Matadouro, contando ensaios e apresentações, e as vezes eu penso que meu olho vai cansar. Mas é bom se surpreender diante de uma retomada. Matadouro se preenche de novos corpos como numa corrida de revezamento. O espaço se altera em número, volume, possibilidades. O som tem uma outra textura, hesitante, desencontrada e às vezes crua, bruta, seca. Um índio, um garoto bailarino, um terrorista, um surfista, um go go boy, uma vênus de willendorf, um pajé, um gringo classudo. O que vejo são outras coisas, outros frames… tem uma outra atmosfera.
Performar no matadouro não é correr, performar aqui é apenas não desistir. É insistir. E isso é sutil, tão próximo de um lugar banal, de uma ação simples, que torna-se dificil. Em um dos ensaios alguém falou que toda obra, em algum nível, se apóia no material especifico de cada interprete, em uma certa pessoalidade, em uma colocação. Aqui, para além do sujeito, essa luta parece emergir apenas de corpos, corpos sem rosto, sem uma identidade cpf . Corpos que não precisam de legendas, causas ou razões pessoais, porque na verdade eles compartilham uma condição, que vem antes dessa individualidade. Eles são em si carne, carne viva, e por isso mesmo, todos são matáveis.
30 de maio de 2011 em 23:24
Não imagino como deve ser esse ver e rever.
Como vc tem presenciado muitos ensaios e apresentações,isso deve acabar trazendo muitas formas diferentes de olhar, que transformam o tempo todo a cena, ou o modo de se relacionar com ela como expectador.