matadouro: revezamento

Por: às 29/05/2011 19:15:06


Eu perdi a conta de quantas vezes vi o Matadouro, contando ensaios e apresentações, e as vezes eu penso que meu olho vai cansar. Mas é bom se surpreender diante de uma retomada.   Matadouro se preenche de novos corpos como numa corrida de revezamento. O espaço se altera em número, volume, possibilidades. O som tem uma outra textura, hesitante, desencontrada e às vezes crua, bruta, seca. Um índio, um garoto bailarino, um terrorista,  um surfista,  um go go boy, uma vênus de willendorf, um pajé, um gringo classudo. O que vejo são outras coisas, outros frames… tem uma outra atmosfera.

Performar no matadouro não é correr, performar aqui é apenas não desistir. É insistir. E isso é sutil, tão próximo de um lugar banal, de uma ação simples, que torna-se dificil.  Em um dos ensaios alguém falou que toda obra, em algum nível,  se apóia no material especifico de cada interprete,  em uma certa pessoalidade, em uma colocação.  Aqui, para além do sujeito,  essa luta parece  emergir  apenas de corpos,  corpos sem rosto, sem uma identidade cpf . Corpos que não precisam de legendas, causas ou razões pessoais, porque na verdade eles compartilham uma condição, que vem antes dessa individualidade. Eles são em si carne, carne viva, e por isso mesmo, todos são matáveis.



Compartilhe:





Você também pode gostar de:


1 Comentário

  1. Weyla disse:
    30 de maio de 2011 em 23:24

    Não imagino como deve ser esse ver e rever.
    Como vc tem presenciado muitos ensaios e apresentações,isso deve acabar trazendo muitas formas diferentes de olhar, que transformam o tempo todo a cena, ou o modo de se relacionar com ela como expectador.


    Responder

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*


8 − 2 =

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Quem Somos:

Uma plataforma entre 17 e 20 artistas de produção e pesquisa em artes perfomáticas que opera dentro de um sistema colaborativo, atuando em diferentes linguagens. Temos o bairro Dirceu Arcoverde, maior periferia de Teresina, Piauí, como campo de interesse e lugar de referência urbana. O projeto tem se voltado principalmente para a criação de mercado e platéia para a arte contemporânea, formação de novos criadores e pesquisa de linguagem.

Categorias

Comentários

  • Elielson Pacheco: Me sinto meio idiota no momento. E fico pensando qual é o ponto do desmoronamento que tem que ir...
  • César Costa: Marcelo, concordo contigo quando diz que só o fato de ser artista já não te coloca como medíocre. Se...
  • Danielle: Não dá pra não fazer conexões entre as coisas ditas, ouvidas, feitas, vistas e acontecidas. Acho que não...
  • weyla: Hoje conversando com minha avó ela me disse que não queria mais comprar roupas porque tava perto de...
  • elielson: de comer e se comer sim. opa!

arquivo