merce cunninghan

Por: às 27/07/2009 20:37:00




NOVA YORK – Merce Cunningham, o dançarino e coreógrafo de vanguarda que revolucionou a dança moderna criando trabalhos de puro movimento, dissociados de histórias lineares, e também por seu acompanhamento musical, morreu aos 90 anos em sua casa, em, Manhattan.

Cunningham morreu no domingo de causas naturais, informou Leah Sandals, porta-voz da Merce Cunningham Dance Company, sem dar mais detalhes sobre a morte.

“Merce viu beleza no ordinário, o que o fez extraordinário”, disse Trevor Carlson, diretor executivo da Cunningham Dance Foundation. “Ele não permitiu que as convenções o guiassem. Era um verdadeiro artista, honesto e acessível em tudo o que fez”, acrescentou.

Numa carreira que percorreu mais de 60 anos e somou cerca de 150 trabalhos, Cunningham apagou a narrativa na dança, atirou moedas e dados para determinar passos, e rompeu regras não-escritas que os dançarinos normalmente seguiam.

Em 1982, o jornal “New York Times” escreveu: “Tão divertido quanto sempre aparentou ser, Cunningham sempre foi um dos artistas mais sérios dos Estados Unidos… um dos poucos verdadeiros revolucionários na história da dança”. Sobre ele, o jornal também publicou: “Cunningham alterou a percepção da audiência sobre o que constitui a performance na dança e explorou métodos de puro movimentos considerados inconcebíveis antes dele.”

Ele trabalhou próximo ao compositor experimental John Cage, seu parceiro por longo tempo até a morte deste, em 1992, e com artistas visuais como Robert Rauschenberg e Jasper Johns.

Diferentemente de sua mentora Martha Graham, ele não planejava suas coreografias para expressar emoção ou atuar como drama.

Outros coreógrafos fizeram danças sem tramas, mas Cunningham também o fez sem música. A plateia tinha dança e trilha sonora, mas os passos não eram guiados pela batida da música. Algumas vezes os dançarinos ouviam a música pela primeira vez no palco. “Eu prefiro aventura do que algo estável”.

Cunningham também usava a sorte – com moedas ou o que fosse – para determinar a ordem da sequência de passos em coreografias. Mas, uma vez que a moeda decidia a ordem dos passos, os bailarinos deveriam segui-la à risca. “Quando estou criando algo novo, eu tento encontrar maneiras de usar o acaso”, disse Cunningham. “Eu prefiro abrir meus olhos para algo que não conheço do que simplesmente me repetir.” Ele costumava chamar o acaso de “um modo de libertar minha imaginação de seus próprios clichês”.

Apesar de usar uma cadeira de rodas nos últimos anos, ele permanecia um artista ativo. Quando completou 90 anos, em abril, estreou uma peça de longa duração chamada “Nearly ninety” (“perto dos 90″), com trilha do ex-Led Zeppelin John Paul Jones, da banda Sonic Youth e do compositor japonês Takehisa Kosugi.

Ele também definiu uma nova organização, Merce Cunningham Trust, para manter vivo seu legado. Segundo seu plano, sua companhia de dança deveria fazer uma temporada final de dois anos, e então fechar. Seus bens seriam então transferidos para a nova organização, que viveria de licenciar direitos e preservar suas coreografias em formato digital para futuros artistas, estudantes, acadêmicos e público.

“Minha ideia sempre foi explorar o movimento físico humano”, declarou Cunningham, há cerca de um mês. “Eu gostaria que a organização continuasse a fazer isso, porque dança é um processo que nunca para, e não deveria nunca parar para se manter viva e fresca.”

Era controverso. Em 1994, um crítico do jornal inglês “Financial Times” escreveu, após assistir à estreia do espetáculo “Ocean” em Bruxelas: “Como o tempo passa devagar quando a vanguarda está se divertindo”. Ao mesmo tempo, a revista “Time” disse: “O público e críticos de dança foram seduzidos pelo universo mágico de ‘Ocean’”. A coreografia de 90 minutos apresentava 15 dançarinos atuando ao redor da audiência.

Entre suas criações mais conhecidas estão ”Sounddance”(1975); ”RainForest” (1968); ”Septet” (1953); ”Exchange” (1978); ”Trackers” (1991); ”Pictures” (1984); ”Fabrications” (1987); ”Cargo X” (1989); e ”Biped” (1999). Suas coreografias eram incomuns e intrincadas, e exigiam muito ensaio de sua companhia para ser executadas. Cunningham permaneceu como um bailarino ativo até os 70 anos.

fonte: oglobo.com



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1 Comentário

  1. Weyla disse:
    28 de julho de 2009 em 0:22

    estou com uma sensação muito estranha.

    meus heróis estão partindo.

    tristeza.

    weyla


    Responder

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Comentários

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