Fluxos de informação mapeiam o Universo. Ao longo do tempo, com o crescimento da complexidade, surgem sistemas que já trazem como inscrição a história da informação do Universo. Mundo: sistemas de sistemas, onde quem condiciona também é condicionado. Há 4,5 bilhões de anos, uma crisálida de gás e poeira gerou o sistema solar. A Terra deve existir desde então. Afinal micro-organismos já faziam fotossíntese há 3,5 bilhões de anos, de acordo com a descoberta do Prof. William Schopf , da UCLA.
Segundo Ilya Prigogine, a vida nasce de um sistema aberto, num processo termodinâmico de evolução. Há duas rotas básicas regendo a evolução. Alguns elementos se agregam, em processo comandado pela permanência, e resultam em um sistema. Percorrem toda uma hierarquia e atingem uma organização. A partir daí, tomam a direção contrária, degradando-se até a morte. O ciclo recomeça pelo elemento ainda não organizado, que percorrerá novamente todos os graus de organização do sistema até iniciar a degradação que conduzirá o sistema de volta ao elemento(…)
As flutuações modificam o estado de um sistema. Estruturas dissipativas são flutuações gigantes que se formam por nucleação (…) Novos estados dinâmicos da matéria podem originar estados que refletem a interação de um determinado sistema com o que o cerca. Aqui os processos dissipativos desempenham um papel construtivo. Algo, dispara no espaço e no tempo (…) e modifica as condições de permanência de um determinado sistema. O novo núcleo que se constitui é uma estrutura dissipativa. A estrutura dissipativa estampa no seu próprio nome ordem e degradação.
Forma de organização supramolecular, a estrutura dissipativa permanece apenas se se dissipar. Instrisicamente, ela reflete o não-equilíbrio global que lhe originou. Como que flutua em um estado contínuo de metaestabilidade (…)
Há um pré-requisito para o aparecimento da instabilidade: a flutuação crítica. Um sistema só rompe seu estado estável a partir de certo limiar, de determinado quantum de ação (…)
A própria origem da vida implica em sequências de instabilidades sucessivas. Um sistema suficientemente complexo (como a vida ou um corpo dançando) apresenta um coeficiente para o valor do limiar da sua metaestabilidade. Tal coeficiente resulta do acasalamento entre a flutuação do sistema e o mundo externo. Quando a pertubação excede o poder de integração, o sistema é destruído.
Juntar a calma com a mobilidade, o tempo aprisionado com o tempo que passa: assim se cria uma nova Natureza (…) As ficções governadas pela realidade entram em acordo com ela. Embora ninguém segure um neutron na mão, quando a bomba de neutrons explode, não há como duvidar de sua existência(…)
[Texto -trechos: um, dois, três, a dança é o pensamento do corpo. hELENA kATZ]
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Há dois anos e meio atrás, Helena Katz, visitou o núcleo do dirceu. Numa das tardes, com uma roupa leve e descalça, sentada no chão em círculo com todo mundo, pegou um pincel e uma cartolina e nos ajudou a reconhecer, planejar e entender essa organização de pessoas, que convencionamos chamamos de coletivo. Na época, construímos juntos parâmetros que nos ajudaram a entender a importância desse projeto. Identificamos razões/argumentos que nos faziam querer trabalhar juntos em colaboração, e por fim, levantamos hipóteses tentando visualizar antecipadamente os “calcanhares de Aquiles”.
A experiência com Helena teve um rigor didático-cientifico sem precisar se blindar da afetividade. Eu gosto muito de lembrar disso.